Imagina na Copa!

Imagina na Copa! - OPINIÃO - * Por André Naves

OPINIÃO

  • * Por André Naves

Tô aqui de volta! Que honra. Escrever para o Iachad é a minha alegria. Sabe um drible? Um gol? É minha obra. Ouço bem, tintim por tintim, tudo o que é falado nos nossos encontros. Estudo bastante. Reflito mais ainda. Quando vejo, zaz! Ela tá lá: minha crônica, minhas palavras… Meus pensamentos no “papel”! Sou feliz com isso… Contente!
 

Mas hoje… Honestidade, mesmo? Tá difícil escrever… Meus pensamentos só voltam pro mesmo lugar. É um beco sem saída. Estou preso num deserto sem bússola… Quando me dou por mim, voltei pro mesmo lugar. Perambulando em círculos… Círculos… Perdido… Deserto… Noruega, 2 a 1. A gente não perdeu. Perder é normal. Todo mundo perde! Tenho uma teoria, até: no fundo, no fundo mesmo, todo mundo gosta de perder às vezes… A vitória é mais doce quando temperada pela derrota…
 

Mas ontem, não! Não foi apenas uma derrota. Foi uma derrota sem dignidade. A gente desistiu de ganhar! A gente perdeu de WO mesmo estando em campo… Sem dignidade… Estrutura interior! Aquele brio que faz a gente ficar de pé mesmo depois de cada tropicão! O Brasil não caiu lutando. Caiu sem raça, sem luta!
 

Mas, foi o time que perdeu… Será que a gente, enquanto sociedade, comunidade, coletividade, não pode aprender nada? Só cai sem dignidade, quem não tem disciplina, quem não se esforça, quem constrói “nas coxas”… A disciplina, na medida em que gera o trabalho, é essencial ao progresso. Ela que nos livra dos vícios, das paixões…
 

Não tem atalho, nem conversa… Não tem choro nem vela! Não tem dom que resista à falta de treino. Nenhum há talento sobrevive na preguiça. A disciplina é o que determina a Liberdade de cada um de nós — liberdade pra gente avançar, progredir, vencer e perder com dignidade.
 

A verdade é que perder com dignidade é uma forma de vitória. É a vitória de quem continua com Esperança quando tudo vira desesperança. É a vitória de quem olha nos olhos do adversário e sabe que, apesar de derrotado, ainda continua de pé! O Brasil de ontem não conseguiu nem isso. Perdeu em todos os sentidos… É nessas horas que eu olho pra Cabo Verde. Eles sim, perderam dignamente. Lutando! De pé! Altivos!
 

A vida precisa de Dignidade! De Sal! Mas, cuidado! Sal demais deixa tudo intragável! Sal demais é soberba, é presunção, é achar que o mundo deve algo pra gente! Esse exagero estraga tudo. A humildade não. Ela é o sal na medida! Quem aprende a vencer com os pés no chão, quando chega a hora, cai de pé. Quem vive de joelhos, quando tropeça, não levanta mais!
 

Um verdadeiro líder se preocupa com gerações. Não com o próximo jogo, não com a próxima eleição, não com o próximo contrato. Com gerações! O Brasil acumula derrotas… Humilhações… Isso não é azar, não é coincidência, não é injustiça divina. É falta de projeto. É falta de quem olhe para além do próprio umbigo.
 

Um líder sabe que um plano pode ser aquele plantio enfadonho e impopular, mas que traz uma colheita de glórias, vitórias e louros. Em outras palavras: a recompensa de fazer o que deve ser feito é o fato de que você fez o que devia ser feito. Não tem troféu nem aplauso! O ato justo já é, em si mesmo, sua própria recompensa. É por isso que aqueles que só fazem quando estão no palco falham quando as luzes se apagam.
 

O Brasil de ontem parecia um time que jogava pra câmera, não pra camisa. O Brasil queria fazer “stories”… Passou longe de fazer história! Cadê o trabalho duro, o treino sem testemunhas, a disciplina? Faça o seu melhor! Faça! Não vai ter aplauso. Não vai ter holofote. Ninguém tá olhando. Faça! Faça porque deve ser feito. Faça porque a obra é a oração do homem que trabalha. Faça porque amar a D’us não é da boca pra fora! É verbo conjugado com mãos, com pés, com suor.
 

Eu podia terminar aqui com algum lugar comum… Dizendo que o Brasil vai se levantar, que a esperança é a última que morre, que amanhã vai ser outro dia… Mas, não! Já passou a época da ingenuidade. A vitória só virá quando entendermos que Disciplina não é prisão — é Liberdade. A vida, como dizem, é para quem levanta…
 

E levanta trabalhando!


(*) André Naves é Defensor Público Federal especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural, escritor e professor. Saiba mais em www.andrenaves.com ou em suas redes sociais @andrenaves.def.

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