Atletas formados pela Escolinha do CPB estreiam em competições adultas fora do Brasil

Atletas formados pela Escolinha do CPB estreiam em competições adultas fora do Brasil

Atletas formados pela Escola Paralímpica de Esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estão obtendo espaço na Seleção Brasileira adulta durante os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia. A competição começou a ser disputada na última quinta-feira, 2, com disputas em 13 modalidades e segue até o dia 15.

Aluna do projeto de iniciação esportiva gratuita oferecido no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, a atleta do goalball feminino Julia Tenório, 17, fez parte da equipe da modalidade campeã do goalball na quarta-feira, 8, com vitória sobre o Peru por 5 a 4.

A jovem descobriu a modalidade em setembro de 2024. O início no esporte dependeu da insistência de uma amiga. As duas eram alunas de um curso de artes na Fundação Dorina Nowill para cegos, também na capital paulista, e a amiga decidiu convidar Julia para experimentar a modalidade no CT Paralímpico.

“Eu não queria fazer esportes, não gostava de nenhum e achava que não era minha praia. Mas ela insistiu tanto que fui. Dei uma chance e me apaixonei”, contou Julia.

Logo, Julia passou a frequentar as aulas da modalidade no CT e ainda passou a representar um clube, a APADV-SP. Naquele mesmo ano, foi campeã das Paralimpíadas Escolares, maior evento esportivo para crianças e jovens com deficiência do mundo.

Antes de participar dos Jogos Parasul-Americanos, Julia também esteve na Seleção de base que conquistou os Jogos Parapan-Americanos de Jovens de Santiago, em novembro de 2025.

“É muito importante para mim estar neste grupo. Nunca imaginei estar na Seleção principal. É uma felicidade enorme representar o Brasil”, afirmou.

Julia, que até pouco tempo não queria nada com as quadras, agora já não imagina um futuro longe do esporte. A atleta afirmou que quer fazer faculdade de Educação Física para, quando parar de jogar, ser treinadora. Se for de goalball, melhor ainda. “Quero me aprofundar mais para, quando não for mais jogar, ser técnica e continuar vivendo no mundo do esporte. Já sei que vou ser uma técnica bem chata!”, disse.

Além de Julia, são alunos atuais da Escolinha o mesatenista catarinense Arthur Costa Branco, medalhista de bronze nas classes 4-5 do tênis de mesa em Valledupar, e a atleta do badminton paulista Letícia Sanches, que começa suas disputas no sábado, 11.

Crias
Além dos atletas que ainda são alunos do projeto, a Escolinha também já formou atletas que atualmente treinam em outros clubes e seguem se destacando.

O cearense Anael Oliveira, 20, se mudou para São Paulo com a família aos oito anos e passou a frequentar o Colégio Vicentino de Cegos Padre Chico. Por meio de sua Escola, conheceu o futebol de cegos e o projeto do CPB.

Ele foi convocado por anos seguidos para a Seleção de base, participando das conquistas do Parapan de Jovens de 2023, em Bogotá, na Colômbia, e de 2025, em Santiago, no Chile. Ele também já havia jogado com a Seleção adulta no Brasil e, agora, estreou com ela no exterior.

Na quinta-feira, ele fez parte da equipe que goleou o Panamá por 18 a 0, marcando um dos gols brasileiros na estreia.

O atleta afirmou estar aprendendo muito com a experiência de jogar e treinar com grandes atletas, como os campeões paralímpicos Nonato e Cássio: Jogar pelo Brasil, em qualquer categoria, é uma emoção muito grande. Agora estrear em minha primeira competição fora do Brasil com a competição principal foi muito especial. No início eu estava meio nervoso, respeito muito essa camisa. Foi um dia que eu vou lembrar para o resto da vida”, afirmou.

Além de Anael, a velocista Marcelly Pedroso, do atletismo, foi formada pela Escola Paralímpica de Esportes e atualmente representa o clube JR-SP. Os atletas do badminton Vinicius de Oliveira Costa e Arthur Terencio Dias começaram na Escolinha e agora treinam no Sesi-SP. No goalball, Ana Beatriz Simões fez parte do projeto e representa o Clube Dom Bosco.

Projeto Reabilitar
O CPB também oferece, na capital paulista, o Projeto Reabilitar, por meio do qual adultos de até 35 anos praticam modalidades paralímpicas no CT. A iniciativa acontece em parceria com centros de reabilitação.

São atletas do projeto e convocados para Valledupar o medalhista de ouro do vôlei sentado Vitor Magalhães e as medalhistas de prata Brenda Pepe, da categoria até 45kg do halterofilismo, e Aline Meneses, nas classes 6-8 do tênis de mesa.

Além deles, ainda são beneficiados pela iniciativa três atletas que começam a competir em Valledupar neste final de semana: Vitória Salerno (atletismo), Gabriel Serafim (bocha) e João Takaki (tênis em cadeira de rodas).

A atleta da bocha Leila Alves conheceu a modalidade por meio do Reabilitar e atualmente treina no Sesi-SP.

Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).

Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.

O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal, que reúne experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.

Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.

Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.

Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.

Confira alunos da Escola Paralímpica e do Projeto Reabilitar em Valledupar:
Escolinha

Julia Tenório — goalball
Arthur Costa Branco — tênis de mesa
Letícia Sanches — badminton
Anael Oliveira* — futebol de cegos
Marcelly Pedroso* — atletismo
Vinicius de Oliveira Costa* — badminton
Arthur Terencio Dias* — badminton
Ana Beatriz Simões* — goalball

Projeto Reabilitar
Vitor Magalhães — vôlei sentado
Brenda Pepe — halterofilismo
Vitória Salerno — atletismo
Gabriel Serafim — bocha
João Takaki — tênis em cadeira de rodas
Aline Meneses Ferreira — tênis de mesa
Leila Alves* — bocha
*Formados no projeto e que atualmente treinam em outros clubes

Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a ASICS e a Braskem são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do goalball, futebol de cegos, vôlei sentado, halterofilismo e badminton.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro

CRÉDITO/IMAGEM: Júlia Tenório, atleta da Seleção Brasileira de goalball, nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia. | Foto: Cris Mattos/CPB

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