Diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo podem retardar progressão da doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes
Embora ainda não tenha cura, a doença de Alzheimer pode e deve ser tratado1. Essa é uma das principais mensagens do Setembro Lilás, campanha de conscientização sobre a doença, que busca ampliar o conhecimento da população sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dos pacientes2.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência no mundo e representa aproximadamente entre 60% e 80% dos casos diagnosticados3. Caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas, a doença compromete memória, linguagem, orientação, raciocínio e capacidade funcional, tornando o paciente cada vez mais dependente para as atividades do dia a dia3,4.
Embora ainda não exista cura para a doença, isso não significa ausência de tratamento3. As terapias atualmente disponíveis, associadas a intervenções não farmacológicas e acompanhamento multiprofissional, podem contribuir para a melhora dos sintomas e retardar sua progressão, preservar a autonomia por mais tempo, controlar alterações comportamentais e melhorar a qualidade de vida do paciente3,5.
“O diagnóstico da doença de Alzheimer não encerra as possibilidades terapêuticas. Pelo contrário. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de planejar o tratamento, controlar sintomas, estimular funções cognitivas e oferecer suporte adequado ao paciente e à família. Mesmo sem cura, há muito o que pode ser feito para promover qualidade de vida”, explica o neurologista Dr. Antônio Eduardo Damin, médico consultor da Libbs.
Além do tratamento medicamentoso quando indicado, as diretrizes internacionais recomendam intervenções como estimulação cognitiva, atividade física regular, manejo dos sintomas neuropsiquiátricos e adaptação do ambiente para reduzir riscos de quedas e acidentes4,5. Essas medidas devem ser individualizadas conforme o estágio da doença e as necessidades de cada paciente3,5.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o impacto da doença de Alzheimer sobre quem assume a função de cuidador6. Familiares e cuidadores profissionais convivem diariamente com mudanças progressivas no comportamento, na comunicação e na autonomia do paciente, além das demandas relacionadas aos cuidados físicos, à administração de medicamentos e ao acompanhamento em consultas e exames6.
Estudos mostram que cuidadores de pessoas com demência apresentam maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade, depressão, estresse crônico, distúrbios do sono e sobrecarga emocional quando comparados à população geral7,8. A intensidade dessa sobrecarga tende a aumentar conforme a doença evolui e o paciente passa a depender de ajuda para atividades básicas do cotidiano, como se alimentar ou tomar banho9.
“Cuidar de uma pessoa com doença de Alzheimer exige disponibilidade física, emocional e, muitas vezes, financeira. É comum que familiares priorizem completamente as necessidades do paciente e deixem de cuidar da própria saúde. No entanto, preservar o bem-estar do cuidador também faz parte do tratamento, porque um cuidador sobrecarregado tem mais dificuldade para oferecer assistência segura e contínua”, diz o neurologista.
Referências
1. Caramelli P, Marinho V, Laks J, Coletta MVD, Stella F, Camargos EF, et al. Treatment of dementia: recommendations of the Scientific Department of Cognitive Neurology and Aging of the Brazilian Academy of Neurology. Dement Neuropsychol. 2022;16(3 Suppl 1):88-100.
2. Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz). Setembro Lilás [Internet]. 2026 [acesso em 20 ago 2026]. Disponível em: Link
3. 2025 Alzheimer’s disease facts and figures. Alzheimers Dement. 2025;21(4):e70235.
4. World Health Organization. Global status report on the public health response to dementia. Geneva: WHO; 2021.
5. Dementia: Assessment, management and support for people living with dementia and their carers. London: National Institute for Health and Care Excellence (NICE) Guideline, No. 97; 2018 Jun.
6. Cole JC, Ito D, Chen YJ, Cheng R, Bolognese J, Li-McLeod J. Impact of Alzheimer’s Disease on Caregiver Questionnaire: internal consistency, convergent validity, and test-retest reliability of a new measure for assessing caregiver burden. Health Qual Life Outcomes. 2014;12:114.
7. Adelman RD, Tmanova LL, Delgado D, Dion S, Lachs MS. Caregiver burden: a clinical review. JAMA. 2014;311(10):1052-1060.
8. Huang SS. Depression among caregivers of patients with dementia: Associative factors and management approaches. World J Psychiatry. 2022;12(1):59-76.
9. Opara JA. Activities of daily living and quality of life in Alzheimer disease. J Med Life. 2012;5(2):162-7.
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado.




