Especialista aponta 10 reivindicações das pessoas com deficiência sobre mercado de trabalho a serem consideradas por Bolsonaro e Lula

Especialista aponta 10 reivindicações das pessoas com deficiência sobre mercado de trabalho a serem consideradas por Bolsonaro e Lula

Número de pessoas com deficiência aptas a votar aumentou 42% e reforça a urgência de propostas para inclusão produtiva, carreira, empreendedorismo e acessibilidade no trabalho. Conheça as 10 principais reivindicações dessa população sobre mercado de trabalho a serem consideradas pelos candidatos à Presidência no segundo turno das eleições

As eleições 2026 registram número recorde de pessoas com deficiência eleitoras da história, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 1.970.165 pessoas com deficiência aptas a votar, um crescimento de 42% em relação a 2022, quando esse contingente era de 1.381.348 cidadãos.

Para o segundo turno das eleições, em que cada voto conta, Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir, consultoria pioneira em inclusão produtiva de pessoas com deficiência, reforça que os dados demonstram que essa população deixou de ser apenas destinatária de políticas assistenciais e se consolida também como um grupo social e econômico que reivindica participação ativa no desenvolvimento do país.
 

“A sociedade costuma discutir pessoas com deficiência apenas pelo viés da proteção social. Mas estamos falando de quase dois milhões de eleitores que trabalham, empreendem, consomem, produzem inovação e querem participar plenamente da economia brasileira. O crescimento desse eleitorado torna impossível ignorar suas demandas sobre emprego e geração de renda”, afirma.
 

Além do aumento do número de eleitores, o TSE também ampliou em 41% o número de seções eleitorais acessíveis, evidenciando uma demanda crescente por participação e cidadania. Para a especialista, esse avanço precisa ser acompanhado por políticas públicas capazes de promover inclusão produtiva de forma estruturada.
 

Diante desse cenário, a CEO da Talento Incluir reuniu as 10 principais reivindicações da população com deficiência relacionadas ao mercado de trabalho, temas que poderiam ser considerados nos programas de governo dos candidatos à Presidência da República.

1. Produzir dados confiáveis sobre a população com deficiência

A falta de dados consistentes sobre quantas são as pessoas com deficiência no Brasil e quais suas condições de vida dificulta o planejamento de políticas públicas eficientes.

A reivindicação: criar mecanismos mais precisos de identificação, monitoramento e produção de informações sobre essa população.
 

2. Transformar inclusão produtiva em estratégia econômica nacional

A participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda é tratada prioritariamente como obrigação legal e não como política de desenvolvimento econômico.

A reivindicação: incorporar a inclusão produtiva à estratégia de crescimento do país e criar incentivos para ampliar contratações também em pequenas e médias empresas.
 

3. Garantir acessibilidade na era da inteligência artificial

A transformação digital avança rapidamente, mas nem sempre considera os princípios de acessibilidade desde sua concepção.

A reivindicação: assegurar que inteligência artificial, plataformas digitais e novas tecnologias sejam desenvolvidas de forma inclusiva.
 

4. Promover crescimento na carreira e acesso à liderança

O debate ainda está concentrado na contratação, enquanto milhares de profissionais enfrentam barreiras para promoção e ascensão profissional.

A reivindicação: criar políticas que incentivem permanência, qualificação, desenvolvimento e acesso a cargos de liderança.
 

5. Preparar o país para o envelhecimento da população com deficiência

A longevidade cresce no Brasil e a discussão sobre envelhecimento produtivo ainda exclui grande parte das pessoas com deficiência.

A reivindicação: desenvolver políticas de empregabilidade que garantam trabalho digno ao longo de toda a trajetória profissional.
 

6. Conciliar proteção social e trabalho

Muitas pessoas e famílias ainda temem perder benefícios ao ingressar no mercado formal.

A reivindicação: aperfeiçoar mecanismos que permitam a transição entre proteção social e trabalho sem penalizar quem busca autonomia financeira.
 

7. Fazer do setor público uma referência em inclusão

Grande parte da atenção está voltada à iniciativa privada, enquanto o Estado raramente é cobrado pelo mesmo padrão de inclusão.

A reivindicação: ampliar acessibilidade, contratação, desenvolvimento de carreira e representatividade no serviço público.
 

8. Dividir os custos da acessibilidade

Tecnologias assistivas, transporte adaptado, cuidadores e recursos de apoio frequentemente geram despesas adicionais para a própria pessoa com deficiência.

A reivindicação: criar políticas que reduzam o custo individual da inclusão e ampliem o acesso a recursos de acessibilidade.
 

9. Apoiar o empreendedorismo de pessoas com deficiência

Empreender ainda é uma alternativa pouco discutida dentro das políticas voltadas para inclusão econômica.

A reivindicação: ampliar acesso a crédito, capacitação e programas de incentivo para transformar pessoas com deficiência também em geradoras de emprego.
 

10. Produzir inteligência sobre deficiência e mercado de trabalho

O Brasil conhece pouco sobre salários, promoções, desemprego, liderança e permanência de profissionais com deficiência.

A reivindicação: criar indicadores permanentes que permitam acompanhar a realidade da inclusão no mercado de trabalho e orientar decisões públicas e privadas.
 

Eleitores que cobram mais do que acessibilidade

Para Carolina Ignarra, o crescimento histórico do eleitorado com deficiência sinaliza uma mudança importante no debate público: “É fundamental celebrar os avanços de acessibilidade que permitem que mais pessoas exerçam seu direito ao voto. Mas esse eleitorado também quer discutir renda, trabalho, carreira, empreendedorismo e participação econômica. A principal reivindicação não é apenas acesso às urnas, mas acesso às oportunidades que constroem autonomia e dignidade”, conclui.


Sobre a Talento Incluir

A Talento Incluir é uma consultoria pioneira em inclusão produtiva de pessoas com deficiência, com atuação em consultoria, letramento, empregabilidade e capacitação. Fundada em 2008, já apoiou a inserção de mais de 10 mil profissionais com deficiência e aplicou Programas de Inclusão 360º em mais de 700 empresas no Brasil, incluindo Mercado Livre, Renner, Mondelez, Siemens Energy, Siemens Healthineers, Organizações Globo, Sephora, L’Oréal, AstraZeneca, GRU Airport e Eurofarma.

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