Anatel aprova biometria facial obrigatória na telefonia, mas faltam respostas sobre acessibilidade para pessoas com deficiência

Anatel aprova biometria facial obrigatória na telefonia, mas faltam respostas sobre acessibilidade para pessoas com deficiência

Nova regra prevê validação facial para usuários de telefonia móvel. Medida buscará reforçar a segurança dos cadastros e prevenir fraudes. Questionada sobre informações de Acessibilidade, Agência afirma que está avaliando questionamentos do Diário PcD

A ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a validação biométrica obrigatória para usuários de telefonia móvel, com o objetivo de reforçar a segurança e combater fraudes nos cadastros de linhas telefônicas.

A medida, porém, levanta dúvidas sobre a acessibilidade do procedimento, especialmente para pessoas cegas ou com baixa visão.

Teco Barbero – jornalista e pessoa com deficiência visual, chamou a atenção para questões que ainda precisam de esclarecimento, como, por exemplo, “o cadastro será feito pelos aplicativos ou nas lojas físicas? Quem não conseguir realizar a biometria terá alternativas? Quem já possui reconhecimento facial cadastrado em outros aplicativos precisará repetir o procedimento? E quem será responsável pela proteção dos dados coletados?”

O Diário PcD encaminhou vários questionamentos para a Assessoria de Comunicação da ANATEL, que informou que responderá em breve.

Como ficam as pessoas com deficiência?

A norma prevê procedimentos alternativos quando a validação facial não for concluída, incluindo atendimento presencial em determinadas situações. Também estabelece que a acessibilidade deve ser considerada na aplicação dos procedimentos.

Entretanto, ainda é necessário esclarecer como os aplicativos oferecerão orientações acessíveis a pessoas cegas ou com baixa visão e quais recursos estarão disponíveis para quem tiver dificuldades para realizar a captura facial.

Outro ponto importante é a proteção das informações biométricas. A Anatel prevê que o tratamento dos dados observe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mas os consumidores precisam ter informações claras sobre a coleta, o armazenamento e o uso dessas informações.

A implementação será gradual, com etapas previstas entre 2027 e 2028.

A segurança digital não pode criar novas barreiras. Pessoas com deficiência precisam ter garantido o acesso à telefonia móvel em condições de autonomia, acessibilidade e igualdade.

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