Escadas, banheiros inadequados e falhas no atendimento podem transformar o acesso ao exame em uma dificuldade adicional
Para uma pessoa com deficiência, fazer o Enem exige mais do que preparação para as questões e a redação.
Chegar à sala, utilizar o banheiro e contar com os recursos necessários para ler e responder à prova também são condições para participar em igualdade.
Com o exame de 2026 marcado para 8 e 15 de novembro, a acessibilidade precisa funcionar na prática, não apenas constar na inscrição.
Um caso registrado na edição anterior mostra as consequências dessa distância.
Em novembro de 2025, Sofia Crispim Soares, então com 20 anos, foi encaminhada a uma escola sem acessibilidade em Osasco (SP), apesar de ter informado suas necessidades e enviado documentação ao Inep.
A candidata, que usa cadeira de rodas, precisou ser carregada para entrar no prédio e permaneceu sem acesso a banheiro adequado durante a aplicação. A situação evidencia que disponibilizar uma sala não resolve o problema quando o caminho até ela e os demais espaços continuam inacessíveis.
Na ocasião, o Inep informou que havia notificado o Cebraspe, responsável pela aplicação, para realocar a estudante no segundo dia. Também anunciou a possibilidade de reaplicação da primeira prova.
Recursos precisam corresponder às necessidades
Para o Enem 2026, o Inep informa oferecer prova em braile, letras ampliadas, auxílio para leitura e transcrição, sala de fácil acesso e tempo adicional, entre outros atendimentos. A concessão segue a necessidade comprovada e as regras do edital; não é automática para todas as pessoas com deficiência.
Esses recursos têm funções diferentes.
Um ledor auxilia na leitura; um transcritor apoia o registro das respostas. Nenhum deles substitui, por exemplo, uma entrada acessível ou um banheiro adequado. Da mesma forma, uma sala acessível não elimina barreiras de comunicação.
A Lei Brasileira de Inclusão assegura educação inclusiva e determina ao poder público a oferta de serviços e recursos que eliminem barreiras de acesso, participação e aprendizagem.
O desafio é garantir que o candidato seja avaliado por seus conhecimentos — e não prejudicado por obstáculos que a organização deveria remover.
Acessibilidade não é vantagem na disputa: é condição para que ela aconteça com igualdade.





