OPINIÃO – Futebol e inclusão

  • Por André Naves

O futebol é o esporte mais popular do mundo e move paixões que assumem caráter exponencial sempre que envolve polêmicas, resultados de jogos, clubes e torcidas. Seja por se assemelhar aos dramas, e às delícias da realidade, tudo o que diz respeito ao esporte bretão é carregado de emoção. A visibilidade, o exemplo, a superação dos jogadores e até mesmo os obstáculos encantam e até mesmo motivam as pessoas a atuar na vida de modo mais disciplinado e com maior perseverança.

E nesta época de Copa do Mundo, esse charme do futebol conquista definitivamente todo o planeta. É nesses dias que as minorias, grupos populacionais que encontram-se subjugados em suas relações de poder, podem ganhar destaque a partir das posturas sociais de atletas, torcedores e demais personagens, assumindo posições de real protagonismo de que tenham sido historicamente alijados.

Como exemplo, destacamos o papel das mulheres, que estão ganhando progressivamente maior visibilidade neste universo e vêm conquistando posições de destaque nas torcidas e até mesmo como árbitras, comentaristas, jornalistas esportivas e narradoras. O mesmo fenômeno vem se concretizando em relação a outras minorias, sejam elas sexuais, étnico-raciais, ou simplesmente sociais: a transmissão em tv aberta da final da Taça das Favelas é mais um indício desses contínuos progressos.

A final olímpica do Futebol de Cinco, modalidade paralímpica para pessoas que tenham deficiência visual, transmitida pela tv aberta, é mais um desses exemplos que vêm ganhando destaque na atualidade. Claro que ainda há muito a ser feito! A seleção brasileira de futsal down, ainda que seja a atual bicampeã mundial, é pouco conhecida. Entretanto, a movimentação em favor de estruturas sociais inclusivas vem ganhando maior relevância.

Aliás, é fato sabido e facilmente observável, que, geralmente, seleções mais diversas e plurais, em que os diferentes jogadores se sintam pertencentes a um todo maior, costumam ter mais sucesso. Times mais inclusivos possuem até mesmo maior capacidade criativa para superar obstáculos advindos dos jogos e campeonatos.

Nessa esteira, as pessoas com deficiência, ou seja, todas aquelas que sofrem problemas estruturais com a inclusão social, podendo ser aquelas com diversidade funcional ou as pertencentes a quaisquer outros grupos minorizados, ganham maior visibilidade através do futebol e de outros esportes!

É assim que as paixões suscitadas pelo futebol podem, e devem, ser canalizadas para a edificação de uma sociedade brasileira que se desenvolva de acordo com os pilares da sustentabilidade, igualdade real de oportunidades e Justiça!
 

*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Sociais. Escritor, professor e palestrante.

www.andrenaves.com

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