Referência no atendimento especializado, hospital acolhe 160 pessoas internadas e oferece assistência hospitalar, terapêutica e multidisciplinar gratuitamente
No dia 6 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Paralisia Cerebral, uma data que busca ampliar a conscientização sobre a condição e dar visibilidade às pessoas que convivem com a doença. A paralisia cerebral afeta cerca de 17 milhões de pessoas no mundo e, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra aproximadamente 30 mil novos casos por ano.
A paralisia cerebral é uma alteração neurológica que ocorre no cérebro em desenvolvimento e pode comprometer o controle dos movimentos, a postura e a coordenação. A condição também pode afetar a fala e a mastigação e, em alguns casos, estar associada à deficiência intelectual. Entre os fatores que podem estar relacionados à paralisia cerebral estão a falta de oxigênio durante o parto, hemorragias cerebrais, uso de drogas pela gestante, infecções durante a gestação e alterações genéticas.
É nesse cenário que o Hospital Cruz Verde, criado em 8 de dezembro de 1958, desenvolve um trabalho voltado ao atendimento de pessoas com paralisia cerebral grave. Referência e único hospital especializado nesse tipo de atendimento, a instituição está localizada na Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo, e acolhe bebês, crianças, jovens e adultos.
Atualmente, são 160 pessoas internadas, que recebem atendimento integral, incluindo assistência hospitalar, terapêutica e multidisciplinar. Desse total, 70% são tetraplégicos, 60% estão em situação de abandono ou abandono familiar e 55% utilizam dieta enteral. Filantrópico, o Cruz Verde oferece cuidados contínuos e acompanhamento especializado, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Ao longo dessas quase sete décadas, a instituição também acumulou muitas histórias que emocionam e reforçam a importância de seu trabalho no conforto, cuidado e qualidade de vida diante das diversas limitações que a paralisia cerebral grave pode causar.
Entre essas histórias estão as de Karina, Ilma e Alfredo, pessoas que vivem na instituição e cujas trajetórias ajudam a mostrar, de forma humana, o impacto do acolhimento e da assistência oferecidos pelo hospital. São histórias que mostram que, por trás das limitações impostas pela condição, existem vidas, vínculos, afetos, sonhos e diferentes formas de vivenciar o cotidiano.
Vidas que vão além da condição
Karina Gladys chegou ao Cruz Verde há três anos, já com 33 anos de idade, após a morte dos pais. Tetraplégica, alimenta-se por via oral e tem o cognitivo preservado. É uma pessoa muito inteligente, fala uma segunda língua – o espanhol – e conseguia escrever, mas hoje, por conta das limitações motoras causadas pela doença, acabou perdendo essa função.
Mesmo diante das limitações, Karina mantém seus sonhos: quer estudar Administração em uma universidade e escrever um livro. Ela conta que o Hospital Cruz Verde “salvou a sua vida” e que encontrou na instituição a sua casa.
Ilma Aparecida nasceu em 10/03/1968 e chegou ao Cruz Verde em 1975, aos 7 anos de idade. Ela tem paralisia cerebral na forma tetraplégica, possui ótima compreensão, responde aos comandos e fala palavras e frases, mas não escreve. Também consegue sentar sem o apoio.
Ilma foi levada à instituição pela mãe adotiva, pois não havia vínculos afetivos com outros familiares, já que seus pais haviam falecido. Ao longo dos anos, o hospital passou a fazer parte de sua história e de seu desenvolvimento.
Hoje, Ilma participa de atividades escolares fora da instituição. Todos os dias, um carro de transporte vai até o hospital para levá-la e trazê-la da escola. A atividade tem contribuído para seu desenvolvimento, proporcionando novas vivências e mudanças em sua rotina no dia a dia.
Alfredo Alves nasceu em 1969 e chegou ao Cruz Verde com 13 anos de idade. Sua mãe abandonou o lar, deixando o pai com os filhos. Como Alfredo necessitava de cuidados especiais e seu pai tinha outros cinco filhos, não conseguia continuar cuidando dele. Foi então que Alfredo chegou à instituição, onde passou a receber os cuidados necessários.
Hoje, Alfredo frequenta regularmente a escola, gosta de ir à igreja e de comer um lanchinho do McDonald’s. Também tem vários sonhos: andar na montanha-russa do Villa-Lobos e assistir a uma partida do Timão e conhecer um jogador de futebol.
Todo esse trabalho realizado por médicos, enfermeiros e colaboradores contribui para fortalecer e dar continuidade a esse grande projeto, que atende pessoas que dependem dos cuidados oferecidos pelo Hospital Cruz Verde. É uma atuação construída diariamente com dedicação, carinho e compromisso, buscando proporcionar mais conforto, qualidade de vida e bem-estar diante das diversas limitações que a paralisia cerebral grave pode causar.
Sobre o Hospital Cruz Verde
Há quase 70 anos, o Hospital Cruz Verde se dedica exclusivamente ao tratamento e acompanhamento de pacientes com paralisia cerebral grave. Seus 160 pacientes internos recebem atendimento integral — hospitalar, terapêutico e multidisciplinar — de forma totalmente gratuita. Além da unidade hospitalar, a instituição mantém ambulatório e centro terapêutico que atendem centenas de crianças e famílias anualmente. Mantido por doações e ações solidárias, o hospital convida a sociedade a contribuir: a partir de R$ 10, qualquer pessoa pode apoiar o cuidado de uma vida.
Saiba mais: www.cruzverde.org.br





