Especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz mostram como doenças crônicas exigem acompanhamento contínuo e olhar ampliado para o paciente
O avanço da longevidade e o aumento das doenças crônicas colocam a medicina diante de um desafio que vai além do diagnóstico e do tratamento pontual: como cuidar de condições que acompanham o paciente por anos, ou por toda a vida. Essa é a reflexão proposta pelo Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre Alzheimer, lúpus e fibromialgia, três doenças distintas do ponto de vista clínico, mas que compartilham impactos profundos e contínuos na vida dos pacientes e de suas famílias.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatório atualizado em 2023, cerca de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo, número que pode chegar a 139 milhões até 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional1. No Brasil, projeções do IBGE indicam que a população com 60 anos ou mais deve praticamente dobrar nas próximas décadas, ampliando a demanda por cuidados de longo prazo3.
Para o Dr. Diogo Haddad, neurologista e head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o impacto dessas doenças não pode ser analisado apenas sob a ótica biológica. “Quando falamos de Alzheimer e também de condições crônicas como lúpus e fibromialgia, estamos falando de doenças que mudam a relação da pessoa com o tempo. O cuidado deixa de ser episódico e passa a ser contínuo, exigindo planejamento, adaptação e uma rede de apoio que vai muito além do consultório”, afirma.
No caso do Alzheimer, principal tipo de demência, a progressão gradual da doença impõe desafios que vão além da perda de memória. Alterações cognitivas, mudanças de comportamento e perda progressiva de autonomia exigem acompanhamento multidisciplinar e envolvimento ativo da família desde as fases iniciais. Segundo a OMS, quase 10 milhões de novos casos de demência são diagnosticados todos os anos no mundo2.
“O diagnóstico precoce no Alzheimer não serve apenas para iniciar medicamentos, mas para permitir que o paciente participe das decisões sobre sua própria vida enquanto ainda tem condições cognitivas para isso”, explica o neurologista.
Quando a doença nem sempre é visível
No campo das doenças crônicas não progressivas, mas persistentes, lúpus e fibromialgia ilustram desafios distintos e, ao mesmo tempo, complementares. O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune inflamatória que pode comprometer múltiplos órgãos e exige vigilância contínua para evitar crises e danos cumulativos. Estimativas da Lupus Foundation of America indicam que cerca de 5 milhões de pessoas vivem com lúpus no mundo, com prevalência de até 90% em mulheres joven. No Brasil, a prevalência de lúpus foi de cerca de 52 casos por 100.000 habitantes4.
Já a fibromialgia, que afeta cerca de 3% da população no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)5, impõe outro tipo de desafio: a convivência com dor difusa, fadiga e alterações do sono que nem sempre aparecem em exames objetivos. “São condições que frequentemente se confundem, se sobrepõem em sintomas e compartilham um problema central: a dificuldade de reconhecimento”, afirma Dr. Alex Silva, reumatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Segundo o especialista, enquanto o lúpus exige controle rigoroso da atividade inflamatória para prevenir complicações orgânicas, a fibromialgia demanda uma abordagem multidisciplinar, com medicamentos, atividade física orientada, suporte psicológico e educação em saúde. “Em ambos os casos, o tratamento não é episódico ou pontual. Ele precisa ser ajustado ao longo do tempo, respeitando limites e fases diferentes da vida do paciente”, destaca.
O desafio de cuidar ao longo da vida
Embora distintas, Alzheimer, lúpus e fibromialgia revelam um mesmo ponto de inflexão para a medicina contemporânea: a necessidade de olhar menos para o evento agudo e mais para a trajetória do paciente. “Essas doenças mostram que cuidar não é apenas intervir em momentos de crise, mas acompanhar, orientar e adaptar ao longo dos anos”, resume o neurologista.
Para os especialistas, o debate em torno dessas condições ajuda a ampliar a compreensão sobre saúde como um processo contínuo. “Quando entendemos que muitas doenças não acabam, o foco passa a ser qualidade de vida, autonomia possível e cuidado sustentado no tempo”, conclui o reumatologista.
Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado o da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI). Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado. Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.
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Referências:
1 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Dementia. WHO, 2023. Estima que cerca de 55 milhões de pessoas vivam com demência no mundo, com projeção de 139 milhões até 2050, impulsionada pelo envelhecimento populacional. Disponível em: Link. Acesso em: 22 jan. 2026.
2 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Global status report on the public health response to dementia. Geneva: WHO, 2021. O relatório aponta que quase 10 milhões de novos casos de demência são diagnosticados anualmente no mundo. Disponível em: Link. Acesso em: 22 jan. 2026.
3 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos. Agência de Notícias, 27 out. 2023. O dado evidencia o rápido envelhecimento populacional e sustenta projeções de que o número de idosos no país tende a dobrar nas próximas décadas. Disponível em: Link. Acesso em: 22 jan. 2026.
4 LUPUS FOUNDATION OF AMERICA. Lupus Facts and Statistics. A fundação estima que cerca de 5 milhões de pessoas vivam com lúpus no mundo, com maior prevalência entre mulheres. Disponível em: Link. Acesso em: 22 jan. 2026.
5 SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Fibromialgia: o que é, como diagnosticar e como acompanhar. Segundo a entidade, a fibromialgia afeta cerca de 2% a 4% da população, com estimativa de aproximadamente 3% da população brasileira convivendo com a condição. Disponível em: Link. Acesso em: 22 jan. 2026.





