Cinco atitudes de combate ao capacitismo relacionado à Síndrome de Down

No Brasil, cerca de 300 mil pessoas têm a condição genética, conforme o IBGE.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down no país. A cada 700 nascimentos, um é de um bebê com a condição genética. No entanto, a notificação no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) pode ser subestimada, sugerindo que o número real seja maior. Os dados reforçam a importância de a sociedade estar bem informada para promover a inclusão e coibir o preconceito e o capacitismo.

A Síndrome de Down é causada pela presença de um cromossomo extra no par 21, sendo também conhecida como Trissomia do Cromossomo 21 (T21), conforme explica a Diretora Técnica Geral da Clínica Espaço Cel, Virginia Vasquez. “É importante esclarecer que o comportamento dos pais não causa a síndrome de Down. Não há nada que eles poderiam ter feito de diferente para evitá-la. Não é culpa de ninguém”, explica a especialista. Além disso, ela ressalta que a síndrome não é considerada uma doença, mas sim uma condição. 

O diagnóstico pode ser feito durante a gravidez, por meio de exames genéticos, como a amniocentese ou a biópsia de vilo coriônico. Por isso, o acompanhamento pré-natal é considerado essencial para identificar o caso.

Os recém-nascidos com T21 recebem intervenções precoces para estimular o desenvolvimento motor e cognitivo. O tratamento de Síndrome de Down  consiste em cuidados multidisciplinares com a mesma finalidade, o que inclui terapia ocupacional, fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia, além de acompanhamento médico regular.

Características da Síndrome de Down 

De acordo com informações do Ministério da Saúde, as características físicas associadas à T21 podem incluir olhos amendoados e cabelos lisos e finos. As crianças com a condição têm o desenvolvimento físico e mental mais lento.

É considerado atraso no desenvolvimento neuropsicomotor quando uma criança não adquire habilidades, como andar, falar ou reconhecer pessoas, na faixa etária esperada. A situação pode ser global, afetando várias áreas do desenvolvimento, ou específica, concentrando em apenas uma área, como a fala.

Ao observar esses sinais, pais e familiares podem recorrer ao apoio de uma clínica de neurodesenvolvimento, responsável por fornecer cuidados especializados para crianças e adolescentes com transtornos neurológicos ou comportamentais. Esse tipo de estabelecimento se concentra no acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor, bem como no diagnóstico e na intervenção em suas perturbações.

Vasquez afirma que pessoas com T21 têm muito em comum com quem não apresenta a condição. “Se você é pai ou mãe de uma pessoa com Síndrome de Down, o mais importante é descobrir que seu filho pode alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e avançará com crescentes níveis de realização e autonomia.”

Como combater o capacitismo

Ações anticapacitistas são fundamentais para garantir o respeito e a dignidade das pessoas com Síndrome de Down. As leis brasileiras incentivam a empregabilidade e o acesso ao ensino, mas a realidade mostra que, muitas vezes, as determinações não são cumpridas na prática.

As escolas que cumprem a legislação adotam medidas para atender às necessidades educacionais dos alunos com a condição, incluindo a adaptação do ambiente de ensino e a contratação de professores especializados. 

No mercado de trabalho, a Lei de Cotas e os subsídios para as empresas têm ajudado a aumentar as contratações. “Temos muitos exemplos positivos de inclusão na educação e no mercado de trabalho que devem ser destacados”, informou o defensor público federal e especialista em Direitos Humanos e Sociais, André Naves, em entrevista à imprensa.

De acordo com o Movimento Down, a inserção no mercado de trabalho promove a aquisição de responsabilidades e o desenvolvimento de relações com diversos grupos. Isso tem uma influência direta nas habilidades cognitivas, mecânicas e de adaptação.

O Movimento Down defende que uma pessoa com a síndrome deve ter oportunidades equivalentes às de outras pessoas, respeitando suas particularidades e necessidades, por meio de níveis de apoio que permitam sua efetiva integração e autonomia. Algumas atitudes podem ajudar a sociedade a combater o capacitismo.

1. Educação e conscientização

Educar as pessoas sobre a Síndrome de Down e desmistificar os estigmas e preconceitos associados são métodos para combater o capacitismo. A conscientização em escolas, empresas e comunidades pode contribuir para maior inclusão e respeito.

2. Inclusão social

Incluir pessoas com Síndrome de Down em atividades sociais, culturais e esportivas também é fundamental para combater o capacitismo. Proporcionar oportunidades de convívio e interação contribui para a quebra de barreiras e a promoção da igualdade de direitos.

3. Acesso à saúde e aos tratamentos adequados

Garantir que pessoas com Síndrome de Down tenham acesso aos serviços de saúde e tratamentos adequados é uma forma de incentivar o desenvolvimento neuropsicomotor e aumentar a qualidade de vida, o que contribui para uma maior autonomia e independência.

4. Combate à linguagem capacitista

Evitar o uso de linguagem capacitista é fundamental para promover a inclusão das pessoas com Síndrome de Down. Nesse sentido, cabe à sociedade manter um diálogo respeitoso, que valorize a individualidade e a dignidade de cada pessoa.

5. Representatividade na mídia

A representatividade das pessoas com Síndrome de Down na mídia também é uma ferramenta para combater o capacitismo. Para isso, também é necessário estar atento para que as formas de representação sejam respeitosas e positivas para que auxiliem na desconstrução de estereótipos.

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