Diversão sem barreiras: a importância do ‘brincar’ para crianças com TEA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que uma em cada 100 crianças em todo o mundo possui Transtorno do Espectro Autista

A inclusão de brincadeiras para crianças dentro do espectro autista é fundamental para o desdobramento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Uma pesquisa conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou que uma em cada 100 crianças em todo o mundo possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo importante adaptar atividades para viver de forma plena uma das etapas mais importantes da vida: a infância. 

O ato de brincar é um direito assegurado a toda e qualquer criança, pelo qual é possível explorar a criatividade, como também praticar exercícios de comunicação, socialização e interação. Tais questões podem ser desafiadoras para aqueles que estão no espectro autista. As atividades devem estar de acordo com necessidades específicas, podendo, por exemplo, ter regras mais claras e simples, como o “jogo da memória” ou “amarelinha”.

Para Renato Loffi, fisioterapeuta neurofuncional e CEO da Treinitec – empresa especializada em tecnologia assistiva – é importante considerar as preferências sensoriais da criança autista ao escolher as brincadeiras. “É crucial considerar as preferências sensoriais e interesses específicos das crianças com autismo ao escolher brincadeiras, pois isso promove engajamento e facilita a interação. Brincar não só estimula o desenvolvimento físico e cognitivo, mas também promove habilidades sociais e emocionais essenciais para crianças autistas, como a comunicação”.

Esses detalhes fazem com que o engajamento e a motivação da criança aumentem, deixando-a confortável e incentivando o desenvolvimento de habilidades motoras e mentais. Fato importante, tendo em vista que o estudo “Retratos do Autismo no Brasil em 2023”, realizado pela healthtech Genial Care em parceria com a Tismoo.me, revelou que 49% dos entrevistados possuem uma doença crônica secundária, sendo mais vulneráveis a questões gastrointestinais (16%), doenças respiratórias (10%) e obesidade (6%).

Para Alessandro Tomazelli, CEO da Cia do Tomate – empresa do ramo de recreação infantil –  a inclusão de atividades recreativas deve ser inserida de forma natural no cotidiano da criança, sem parecer uma tarefa: “A realização da atividade física e do brincar não pode vir como uma obrigação. É necessário que as atividades recreativas venham como um momento de relaxamento e conectividade, para que assim elas possam expandir habilidades cognitivas, sociais e criativas, fatores essenciais para a construção do crescimento físico e intelectual”.

Além disso, as atividades recreativas possuem a função de promover a inclusão. Quando tais  são feitas em ambientes inclusivos, bem estruturados e com supervisão, auxiliam crianças autistas a colocarem em prática habilidades sociais ao estreitar laços de amizade, exercer resoluções de conflitos e trabalhar o espírito colaborativo. 

Espaços e atividades inclusivas fazem com que as crianças se sintam valorizadas, aceitas e capazes de se divertirem e aprenderem juntas, mas também dão suporte a pais e cuidadores. Um exemplo disso é a sala sensorial disponibilizada no Allianz Parque. A estrutura foi construída em parceria com a WTorre e o coletivo Autistas Alviverdes e está localizada no Setor Norte do quarto andar do estádio do Palmeiras. O espaço conta com equipamentos para suporte em momentos de crise, hiperestímulo ou desregulação, além de profissionais capacitados.

Com foco em proporcionar um espaço seguro para torcedores com TEA assistirem a jogos, shows e outros eventos, o local fica separado do grande público. A sala sensorial oferece uma acústica diferente do resto do estádio, com estímulos visuais e sonoros controlados, de modo que se torne uma experiência mais confortável para as pessoas dentro do espectro. 

Esse processo de adaptabilidade deve ser visto como uma forma de envolver a socialização da criança ao construir soluções que permitam a elaboração de novos conhecimentos, promoção de autoestima e noção de pertencimento ao criar uma sociedade mais compassiva para todos.

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