Levantamento aponta que apenas 29% das pessoas com deficiência estão ocupadas, contra 55,8% da população sem deficiência. Desigualdades também atingem a remuneração, a participação no serviço público e o acesso a oportunidades.
O Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população. Mas os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma realidade preocupante: milhões de brasileiros ainda enfrentam desigualdades significativas para conseguir emprego, receber uma remuneração adequada e participar plenamente da sociedade.
Com base no informativo Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, do IBGE, as pessoas com deficiência recebem, em média, quase 30% menos do que aquelas sem deficiência.
O levantamento também mostra que o nível de ocupação das pessoas com deficiência corresponde a pouco mais da metade do registrado entre os brasileiros sem deficiência.
Os dados evidenciam que, apesar dos avanços na legislação brasileira, a igualdade de oportunidades ainda está distante da realidade de grande parte dessa população.
Pessoas com deficiência ganham R$ 837 a menos por mês
Uma das informações mais expressivas do levantamento está relacionada à remuneração.
De acordo com o IBGE, o rendimento médio mensal do trabalho das pessoas com deficiência era de R$ 2.053 em 2022, enquanto o das pessoas sem deficiência chegava a R$ 2.890.
Isso significa uma diferença de R$ 837 por mês, ou aproximadamente 29%.
Na prática, para cada R$ 100 recebidos, em média, por uma pessoa sem deficiência, uma pessoa com deficiência recebia cerca de R$ 71.
A desigualdade representa mais do que uma diferença salarial. O rendimento interfere diretamente nas condições de moradia, alimentação, transporte, acesso à saúde e autonomia financeira.
É importante destacar que os valores se referem às médias dos grupos analisados e não significam, necessariamente, que pessoas com e sem deficiência recebam salários diferentes pelo exercício da mesma função.
Ainda assim, a distância entre os rendimentos revela uma desigualdade econômica que precisa ser enfrentada por políticas de inclusão profissional e ampliação das oportunidades de trabalho.
Apenas 29% das pessoas com deficiência estão ocupadas
A desigualdade fica ainda mais evidente quando o assunto é a participação no mercado de trabalho.
O IBGE identificou que o nível de ocupação das pessoas com deficiência era de 29%, enquanto entre as pessoas sem deficiência alcançava 55,8%. A diferença é de 26,8 pontos percentuais.
Os números mostram que a inclusão profissional ainda representa um desafio para o Brasil.
A existência de vagas não é suficiente quando o acesso ao trabalho depende de transporte acessível, adaptações nos ambientes profissionais, tecnologias assistivas, processos seletivos inclusivos e eliminação de barreiras que dificultam a participação das pessoas com deficiência.
Desigualdades não estão apenas no mercado de trabalho
A discussão sobre a realidade das pessoas com deficiência também envolve o acesso aos espaços públicos, a participação social e o exercício de direitos. Essa é a abordagem apresentada pelo IBGE na publicação intitulada Desigualdades afetam acesso a espaços, participação e direitos das pessoas com deficiência.
O tema reforça a necessidade de compreender a inclusão de maneira mais ampla.
Uma pessoa pode ter qualificação profissional e condições de exercer determinada atividade, mas encontrar dificuldades para chegar ao local de trabalho por falta de transporte acessível.
Também pode enfrentar obstáculos para utilizar serviços públicos, frequentar estabelecimentos, participar de atividades culturais ou exercer outros direitos quando os ambientes não oferecem condições adequadas de acessibilidade.
Essas situações ajudam a compreender por que a inclusão não pode ser avaliada exclusivamente pela existência de leis ou pela quantidade de vagas disponibilizadas.
A igualdade de oportunidades depende de condições reais para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade com autonomia, segurança e dignidade.
Presença de pessoas com deficiência no serviço público ainda é reduzida
Outro dado divulgado pelo IBGE chama a atenção para a participação das pessoas com deficiência no funcionalismo público.
Entre 2015 e 2025, a proporção de pessoas com deficiência entre os servidores públicos efetivos passou de 0,7% para 2,8%.
Embora represente um crescimento importante, o percentual ainda demonstra uma participação reduzida desse grupo no conjunto dos servidores efetivos.
O resultado reforça a relevância das políticas de reserva de vagas em concursos públicos e das medidas destinadas a assegurar acessibilidade durante os processos seletivos.
Também evidencia a necessidade de acompanhar não apenas o ingresso de profissionais com deficiência, mas as condições de permanência, desenvolvimento e progressão na carreira.
A presença de pessoas com deficiência no serviço público é uma questão que envolve representatividade, igualdade de oportunidades e a capacidade das instituições de oferecer ambientes profissionais acessíveis.




