NeuroMobility: conheça o conceito que vem trazendo verdadeiras revoluções no campo da tecnologia assistiva

NeuroMobility: conheça o conceito que vem trazendo verdadeiras revoluções no campo da tecnologia assistiva

Tecnologia pode trazer melhor mobilidade e qualidade de vida para pessoas com limitações neuromotoras

Um vídeo viral no TikTok trouxe um debate muito importante para pessoas que possuem dificuldade de locomoção. Compartilhado por uma estudante alemã e com mais de 33 milhões de visualizações, o vídeo mostra Emelie Dahnke vestindo um traje especial, levantando de uma cadeira de rodas e andando. Um ato simples, não fosse pelo fato de a estudante estar há dois anos impossibilitada de andar após uma lesão medular incompleta. O traje que ela utiliza é o Exopulse Mollii Suit, distribuído pela Ottobock, e a ideia por trás dessa roupa especial é a da neuromodulação por eletroestimulação. A neuromodulação é uma forma de ajustar a atividade do sistema nervoso usando estímulos elétricos de baixa intensidade, com o objetivo de melhorar funções motoras, reduzir a dor e/ou controlar espasmos.

E é por meio desse conceito, de NeuroMobility, que a Ottobock vem unindo neurociência e tecnologia para ajudar pessoas com condições neurológicas, como lesão medular, AVC, paralisia cerebral ou esclerose múltipla, a recuperarem movimento e independência. “Combinando recursos como neuromodulação por eletroestimulação, como é o caso do traje Exopulse Mollii Suit, utilizado pela estudante alemã no TikTok, órteses inteligentes e tecnologias funcionais adaptativas, esse conjunto de soluções tecnológicas tem como objetivo reorganizar os sinais entre cérebro, nervos e músculos, promovendo mais controle motor, menos espasticidade e uma mobilidade mais ativa e natural no dia a dia”, conta Vanessa Cruz, fisioterapeuta e Coordenadora Técnica de Produtos da Ottobock.

“O Mollii Suit, por exemplo, utilizado pela Emelie no vídeo que viralizou e que estará disponível no mercado brasileiro em 2026, é equipado com  58 eletrodos que estimulam os músculos, possibilitando a melhora da espasticidade por meio da reciprocação e inibição muscular, promovendo o relaxamento da musculatura e resultando em movimentos mais organizados e controlados facilitando o  caminhar”, explica Vanessa. 

Mas não é só o traje do vídeo que possibilita isso. Vanessa cita, por exemplo, a órtese C-Brace, uma articulação com sistema eletrônico e hidráulico, produzida com sensores para órteses de membros inferiores. Segundo ela, o mecanismo realiza a leitura do movimento do paciente 100 vezes por segundo, para então enviar essa informação ao microprocessador, que regula o suporte necessário de segurança. “É uma órtese que controla a flexão do joelho, tanto na fase de balanço quanto na fase de apoio durante o ciclo da marcha, possibilitando que pessoas que não têm o controle dos membros inferiores possam realizar uma marcha fisiológica. É o que tem de mais seguro e tecnológico no mundo”, explica a fisioterapeuta. O resultado é impressionante. 

E quem utiliza a órtese relata melhoria significativa na caminhada. É o caso da médica Ryvia Bezerra. Aos nove meses de vida, ela foi diagnosticada com poliomielite, a conhecida paralisia infantil, o que afetou seus movimentos. “Na ocasião, eu estava aprendendo a andar. De lá pra cá foram 14 cirurgias com o objetivo de me ajudar a caminhar. Com o decorrer do tempo, as dores na perna afetada pela doença me levaram a considerar a necessidade do uso de um equipamento que auxiliasse na minha locomoção”, conta. 

Foi somente adulta que passou a contar com o modelo C-brace. A médica comenta que, com a C-Brace, tem sido mais fácil realizar caminhadas de longas distâncias e ficar de pé por tempo moderado. “Com o uso da órtese tenho uma marcha praticamente normal , consigo andar boas distâncias, e ficar em pé não é mais um problema. Minha postura também ficou mais bonita e alinhada”, conta ela. 

Novas possibilidades e personalização

A C-Brace já é comercializada no Brasil, e a Ottobock possui uma extensa linha de produtos desenvolvidos com base no conceito de NeuroMobility. A ideia é ampliar cada vez mais o atendimento às pessoas com dificuldade de locomoção derivadas de lesões incompletas da medula espinhal, esclerose múltipla ou paralisia. 

A projeção para que o Mollii Suit chegue ao Brasil é na segunda metade de 2026. No entanto, é importante ressaltar que todos os produtos são desenvolvidos de forma personalizada, ou seja, é preciso acompanhamento clínico especializado para entender qual a solução mais adequada para cada caso.

“Na Ottobock não buscamos milagres, buscamos soluções reais. Nosso compromisso é com o desenvolvimento de tecnologias personalizadas que auxiliem cada pessoa a viver com mais autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. Sabemos que não existem soluções mágicas, mas acreditamos na ciência e na inovação como aliadas para transformar desafios em possibilidades. Estamos continuamente investindo em pesquisas e produtos que devolvam o controle e a independência aos nossos usuários, pois viver bem é um direito de todos.”, finaliza Vanessa.

CRÉDITO/IMAGEM: Arquivo pessoal – Ryvia Bezerra

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