Papel do educador na inclusão de crianças autistas

O Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 14/11, destaca-se como um marco social de extrema relevância. Estamos diante da base da educação, uma peça-chave para o progresso da sociedade. O processo de alfabetização, por si só, é desafiador, e quando se trata de crianças com desenvolvimento neurológico afetado, os obstáculos se intensificam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinja uma em cada 160 crianças globalmente. No Brasil, aproximadamente 6 milhões vivem com essa condição.

A construção de um ambiente educacional inclusivo e acolhedor é uma obrigação da escola. É crucial que as escolas reconheçam seu papel vital na promoção da inclusão de crianças com autismo. Recentemente, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que obriga as escolas a oferecer atendimento especializado a estudantes com autismo, tanto na rede pública quanto na privada. O projeto inclui na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA a garantia de atendimento educacional especializado gratuito, além de proibir as escolas privadas de fixar limites de estudantes com TEA nas salas de aula em todos os níveis e modalidades de ensino.

Segundo Danusa Barbosa, neuropsicopedagoga e especialista em autismo da clínica MedAdvance Terapias Multidisciplinares, a alfabetização de crianças autistas é particularmente desafiadora, pois não há um roteiro padrão; cada criança é única e aprende de maneira singular. “Cada criança tem suas particularidades, estamos falando do espectro. Alfabetizar requer uma metodologia adaptada às necessidades específicas daquela criança, levando em consideração aspectos como o campo motor, cognitivo, atenção, memória, hiperfoco, entre outros”, explicou Danusa.

As crianças com deficiência possuem direitos inalienáveis que demandam respeito. A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, à qual o Brasil é signatário, estabelece que todas as crianças têm o direito à educação inclusiva. Nesse contexto, os educadores desempenham um papel vital para garantir o respeito a esses direitos. Danusa enfatiza que o processo de alfabetização deve ser leve, lúdico e prazeroso, sem imposições de demandas que a criança ainda não consegue alcançar. “Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas crianças autistas é a metodologia inadequada e um ambiente não inclusivo, o que pode gerar aversão ao processo”, ressaltou a especialista.

O psicopedagogo também desempenha um papel crucial nesse caminho de alfabetização da criança autista. Um de seus objetivos é identificar e minimizar as barreiras que impedem o sucesso no processo ensino-aprendizagem, tornando-o mais prazeroso e afetivo. A neuropsicopedagoga considera um avanço a aprovação do projeto de lei na Câmara. “As escolas precisam estar abertas ao acolhimento de todas as formas, aos pais e às crianças, criando um elo de ligação em prol de um bem maior, oferecendo suporte adequado e capacitação aos profissionais. É fundamental que as escolas desenvolvam o Plano de Ensino Individualizado (PEI), que servirá como base orientadora para todo o processo escolar dessa criança”, ressaltou, enfatizando aos pais a importância de acreditar em seus filhos, incentivá-los e desenvolver sua autoestima. “O processo é lento, mas, com certeza, o aprendizado é uma consequência de todo o processo”, concluiu.

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