Prefeito do Rio de Janeiro usa bengala, óculos escuros e ‘zomba’ de pessoas com deficiência visual

Prefeito do Rio de Janeiro usa bengala, óculos escuros e 'zomba' de pessoas com deficiência visual

As imagens foram feitas durante a presença de Eduardo Paes nos camarotes da Sapucaí durante o carnaval. Ele parece ‘brincar’ e ‘zombar’ das pessoas com deficiência visual. Prefeitura não se manifesta sobre as imagens

Horas após o fim dos desfiles das Escolas de Samba no Sapucaí, quem ocupa as redes sociais nesta quarta-feira, 18, é Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Imagens feitas em dos camarotes da Marquês de Sapucaí, mostra Paes segurando um objeto simulando uma bengala e utilizando óculos escuros enquanto dança e brinca. Ao fim da gravação, uma mulher parece tirar o objeto da mão do prefeito ao vê-lo sendo filmado.

Após a divulgação das imagens, a repercussão gerou revolta e indignação no segmento da pessoa com deficiência em todo o Brasil.

Luciana Trindade, Coordenadora do PSB Inclusão Nacional, escreveu que “o vídeo do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fingindo ser uma pessoa com deficiência visual “não é uma brincadeira. É sintoma. Quando uma autoridade pública simula uma deficiência, ainda que sob o argumento de ‘conscientização’, a mensagem que passa é perigosa: transforma uma experiência estrutural de exclusão em encenação momentânea. A deficiência não é algo que se veste por alguns minutos e se retira ao final da gravação. Ela atravessa trajetórias, limitações impostas pelo ambiente e, principalmente, a omissão do poder público”.

“Esse ato não é apenas uma brincadeira de mau gosto. É uma demonstração de desrespeito, preconceito e insensibilidade diante de uma parcela da população que já enfrenta diariamente enormes desafios para conquistar dignidade, inclusão e respeito. Quando uma autoridade pública, que deveria ser exemplo de empatia e responsabilidade, se comporta dessa maneira, o impacto é devastador. Ele reforça estigmas, banaliza o sofrimento e fere a luta histórica das pessoas com deficiência por reconhecimento e igualdade”, escreveu Alberto Ferreira de Brito – pessoa com deficiência visual e participante de Conselhos na Grande São Paulo.

Para Geraldo Nogueira, Diretor da Pessoa com Deficiência na OAB-RJ, “não me indigna pela imitação em si; poderíamos até recorrer à máxima: “falem mal, mas falem de mim” ou, em tom mais irônico, “imitem mal, mas ao menos lembrem de nós”. O que realmente preocupa, porém, é a ausência histórica de prioridade com relação às pessoas com deficiência na gestão municipal. Ao longo dos anos em que esteve à frente da Prefeitura do Rio, não se consolidou uma política pública robusta e estruturante voltada à inclusão das PcD.”

“O capacitismo realmente rompe barreiras. Pessoas ocupam vagas de estacionamento, cometem agressões verbais e capacitismo em pleno horário nobre da televisão brasileira, mas parece que tudo isso é apenas uma brincadeira. Quando esse tipo de ‘agressão’ vem de uma personagem pública, prefeito de uma capital, demonstra como as pessoas com deficiência são desrespeitadas em nosso Brasil”, comentou Abrão Dib, presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência.

Eduardo Paes e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro não se manifestaram sobre as imagens divulgadas nas redes sociais.

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