Tradutor e intérprete da Língua Brasileira de Sinais: uma profissão que promove a inclusão  

OPINIÃO

  • * Por Paloma Herginzer 

Celebrado no dia 26 de julho, o dia do Dia Nacional do Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – Libras, é um momento crucial para reconhecer a importância da Língua Brasileira de Sinais como meio de comunicação, além de celebrar a contribuição fundamental dos intérpretes de Libras para a inclusão social das pessoas surdas.  A Libras não é apenas um conjunto de gestos, mas sim uma língua completa e complexa, com sua própria gramática, sintaxe e vocabulário.  

Em 2002, a Lei nº 10.423 foi aprovada para reconhecer e oficializar a Língua Brasileira de Sinais Posteriormente, em 2005, o Decreto nº 5.626 ratificou esse processo, estabelecendo a Libras como a segunda língua oficial do Brasil, depois do português. 

No Brasil, a surdez é uma realidade presente na vida de mais de 10 milhões de pessoas, representando cerca de 5% da população. Entre esse grupo, 2,7 milhões enfrentam a surdez profunda, o que significa que não possuem nenhuma audição.  A surdez se manifesta em diferentes graus, desde leve até profunda. Cada indivíduo com surdez experimenta a condição de forma única, com necessidades e desafios específicos. É importante reconhecer essa diversidade auditiva e promover a inclusão de todas as pessoas surdas, independentemente do grau da perda auditiva. 

  A profissão de intérprete de Libras é desafiadora e dinâmica. Requer constante atualização e aprimoramento de habilidades, especialmente diante da evolução linguística e das demandas de diferentes áreas de atuação. Além disso, enfrenta desafios como a falta de reconhecimento pleno de sua importância em alguns setores e a necessidade de políticas públicas que garantam sua presença em todos os ambientes onde a comunicação é essencial.  

A importância da presença desse profissional vai além da simples tradução linguística. Eles são agentes de inclusão, possibilitando que pessoas surdas participem ativamente da sociedade, tenham acesso à educação, saúde, justiça e cultura. São facilitadores do direito à comunicação e à informação, direitos fundamentais que são muitas vezes negligenciados quando não há profissionais qualificados disponíveis. 

Além de facilitar a comunicação entre surdos e ouvintes, os intérpretes de Libras desempenham um papel crucial na conscientização sobre a cultura surda e na promoção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com as diferenças. Eles são defensores da acessibilidade e da igualdade de oportunidades para todos, independentemente de suas capacidades auditivas. 

O Brasil enfrenta um cenário alarmante em relação à educação de pessoas surdas. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), existem apenas 64 escolas bilíngues de surdos em todo o país. Esse número ínfimo é extremamente desproporcional à quantidade de pessoas com deficiência auditiva no Brasil, evidenciando a carência de oportunidades educacionais adequadas para essa comunidade. Embora existam 61 cursos de formação de professores em Libras, a demanda por profissionais qualificados ainda é alta. Essa discrepância entre oferta e procura revela a falta de interesse e empatia pela área da educação de surdos, perpetuando um ciclo de exclusão e desigualdade. Portanto, neste Dia do Intérprete de Libras, que possamos celebrar não apenas os profissionais que tornam a comunicação acessível, mas também reafirmar nosso compromisso com a inclusão e o respeito à diversidade linguística e cultural. É necessário reconhecer a grande importância dos intérpretes de Libras e trabalharmos juntos para construir um futuro em que todos tenham voz e possam ser ouvidos.  

  • * Paloma Herginzer é Professora Especialista dos cursos da área da Educação de pós-graduação na Uninter. Formação em Licenciatura em Educação Física, Pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva, Pós-graduação em Formação docente para EAD  

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