Sem tabu: influenciadoras falam sobre sexualidade usando uma bolsa de estomia

Entre as abordagens está o desafio de como se relacionar usando a bolsa coletora 

As redes sociais têm permitido discussões sobre saúde e sexualidade de mulheres que usam uma bolsa de estomia. A bolsa de estomia (popularmente conhecida como colostomia), é um dispositivo necessário quando o paciente tem alterações no intestino ou no trato urinário, devido a doenças ou malformação congênita. O uso da bolsa pode gerar muitas dúvidas e debates, mas mulheres já empoderadas com suas bolsas rompem esses tabus e falam abertamente sobre suas vidas, como a Tatiane Lacerda e a Lilian Castro.  

Arquivo pessoal Tati Lacerda

A expectativa para o Dia dos Namorados encheu os perfis das influenciadoras, que compartilham suas rotinas em suas redes sociais, de perguntas do tipo: “como contar para um parceiro ou parceira sobre o uso da bolsa” “como é a relação sexual usando a bolsa”, entre outras. Segundo elas, o sexo é como a de qualquer outra pessoa. Além disso, ambas reforçam que o apoio familiar e de profissionais qualificados é fundamental para o processo de aceitação da bolsa.  

Tatiana Lacerda (conhecida como Tati), conta que em 2019, teve que fazer a cirurgia de estomia às pressas, por conta de complicações da Doença de Crohn, doença inflamatória que afeta o trato digestivo. A influenciadora, que foi diagnosticada com a doença com nove anos de idade, diz que ao colocar a bolsa se sentiu insegura ao ponto de romper um relacionamento na época.  

“Quando eu coloquei a bolsa cometi um grande erro… deixei meu namorado, por não me sentir segura. Hoje percebo que foi importante ter um tempo sozinha para me acostumar com o meu novo corpo e me empoderar dele”, revela Lacerda.  

Arquivo pessoal Lilian Castro

A mudança e a tranquilidade com o próprio corpo vieram com o apoio de familiares, amigos e pessoas que também vivem com a estomia. Tati reforça que materiais de qualidade são fundamentais nesse processo de empoderamento e liberdade sexual “Muitas pessoas vêm me perguntar como é ter uma vida sexual usando a bolsa e eu respondo que é normal. A minha bolsa me dá segurança para eu fazer o que eu quiser. Hoje eu me relaciono com as pessoas sem medo. E o sexo é ótimo! A bolsa não atrapalha em nada. Me sinto livre e sexy para fazer o que eu quiser!”, afirma a influenciadora.  

A insegurança e a falta de informação fazem com muitas pessoas se apavorem com a bolsa, tanto pela condição física quanto pela emocional. Nesse momento, é importante contar com o suporte de profissionais qualificados:  

“A fase inicial costuma ser a mais difícil, é quase que um luto, pela nova condição. Muitas pacientes se sentem inseguras. É importante que elas busquem mais contato com o corpo e a região próxima à cirurgia. Tocar mais a pele e normalizar esse novo corpo, além da busca por tratamento de psicoterapia” orienta a psicóloga Jessica Ferraz, da Central Ativa, iniciativa da empresa Coloplast, que desenvolve produtos de saúde e oferece atendimento gratuito e personalizado a pessoas com estomia e/ou incontinência urinária.  



 

Lilian Castro também fazia tratamento para a doença de Crohn e já era casada quando, em 2017, teve que fazer a cirurgia de estomia. Segundo ela, antes da operação houve uma insegurança pela falta de conhecimento, mas que após colocar a bolsa, sua vida sexual melhorou “Antes de da cirurgia eu quase não tinha relações sexuais com o meu marido, por medo de sujar durante a relação. Costumo dizer que tivemos uma nova ‘primeira vez’, pois foi tudo diferente e ótimo!”, afirma.  

Hoje, segundo Castro, as relações são muito mais frequentes e prazerosas. A cirurgia possibilitou a criação de uma rotina e uma maior qualidade de vida “A bolsa me deu uma nova chance de viver e fazer o que antes eu considerava impossível. Costumo dizer que depois da cirurgia eu e meu marido finalmente pudemos nos aventurar”, reforça.  

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