Fundação Dorina Nowill para Cegos destaca inovações e desafios na mobilidade de pessoas com deficiência visual

Fundação Dorina Nowill para Cegos destaca inovações e desafios na mobilidade de pessoas com deficiência visual

Mesmo com avanços em tecnologias assistivas, a autonomia de pessoas cegas ainda depende de infraestrutura acessível, conscientização social e políticas públicas efetivas

A mobilidade é um dos principais fatores que determinam a autonomia e a inclusão social de pessoas com deficiência visual. No Brasil, segundo o Censo 2022 do IBGE, mais de 6,5 milhões de pessoas têm algum grau de deficiência visual severa — sendo cerca de 500 mil cegas. Diante desse cenário, cresce a importância de discutir quais ferramentas e condições realmente garantem o direito de ir e vir com segurança e independência.

Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência há quase 80 anos na inclusão e reabilitação de pessoas com deficiência visual, reforça que a mobilidade depende de uma combinação de fatores: tecnologia assistiva, políticas públicas de acessibilidade e conscientização social.

“A mobilidade de pessoas cegas não depende apenas de dispositivos tecnológicos, mas de uma combinação de fatores: infraestrutura acessível, educação da sociedade e capacitação das próprias pessoas com deficiência visual. A tecnologia é um apoio, mas o respeito e a empatia são essenciais para que os espaços sejam realmente inclusivos”, destaca Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Segundo a pesquisa nacional inédita “Deficiência visual no Brasil: Panorama da Inclusão”, conduzida pela Ipsos-Ipec a pedido da Fundação Dorina, a falta de acessibilidade nos espaços públicos é apontada como a principal barreira por 73% das pessoas com deficiência visual. Entre os serviços considerados mais essenciais para a inclusão, a infraestrutura urbana — como calçadas adequadas e sinais sonoros — aparece em primeiro lugar (41%), seguida por transporte adaptado (36%), trabalho (11%) e educação (7%).

Nos últimos anos, inovações como bengalas inteligentes, aplicativos com audiodescrição e sistemas baseados em inteligência artificial têm ampliado as possibilidades de deslocamento autônomo. Essas ferramentas ajudam na orientação espacial, identificação de obstáculos e até na leitura de placas e cardápios por meio de câmeras e comandos de voz.

Ainda de acordo com o levantamento da Ipsos-Ipec, tecnologias e recursos assistivos já fazem parte da rotina dessas pessoas — bengala longa (66%), pisos táteis (52%) e leitores de tela (48%) estão entre os mais utilizados. As ações de orientação e mobilidade são os serviços mais demandados nas instituições que atendem pessoas com deficiência visual (50%).

Apesar dos avanços tecnológicos, a realidade urbana ainda apresenta obstáculos diários: calçadas irregulares, ausência de piso tátil contínuo e sinalizações inconsistentes. Esses desafios reforçam a necessidade de integração entre poder público, empresas e sociedade civil para garantir acessibilidade plena.

“Hoje já contamos com soluções que ampliam a autonomia, como aplicativos com audiodescrição em tempo real, bengalas com sensores e sistemas de orientação baseados em inteligência artificial. Mas essas inovações precisam estar acompanhadas de políticas públicas que garantam acessibilidade universal — como calçadas padronizadas, semáforos sonoros e sinalização tátil adequada”, complementa o Munck.

Apesar dos avanços, a falta de fiscalização das leis de acessibilidade e do Estatuto da Pessoa com Deficiência é considerada prioridade por 26% dos participantes da pesquisa, reforçando a urgência de uma atuação integrada entre sociedade civil e poder público.

“A Fundação Dorina trabalha para fortalecer a autonomia das pessoas com deficiência visual desde a reabilitação até a inclusão no mercado de trabalho. Acreditamos que a mobilidade é o ponto de partida para a cidadania plena, porque só com liberdade de ir e vir é possível viver a inclusão de forma integral”, conclui Alexandre.

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Há mais de 7 décadas se dedica à inclusão social de crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.

Responsável por um dos maiores parques gráficos braille em capacidade produtiva da América Latina, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, audiodescrição e consultorias especializadas como acessibilidade arquitetônica e web. Com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual.

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