O Diário PcD repercute o aumento de 38% dos registros oficiais de feminicídios no Brasil. Frente Nacional das Mulheres com Deficiência alerta sobre dificuldades em identificar as vítimas e a falta de políticas públicas para evitar crescimento dos crimes
O Diário PcD realizou um levantamento e aponta a explosão de casos de feminicídios no Brasil. Dados apontam que somente no mês de janeiro de 2026 no estado de São Paulo foram registrados 27 assassinatos de mulheres. Esse número é maior do que todos os casos registrados no ano de 2205, quando foram 22 crimes.
Todos os levantamentos demonstram a gravidade dos crimes, mas não apontam a quantidade de mulheres com deficiência vítimas dessa violência.
Para debater os números alarmantes, o Diário PcD entrevista Rosana Lago, Lu Rufino e Luiza Zwang, integrantes da Frente Nacional de Mulheres com Deficiência e Neusa Maria, psicóloga e fundadora do Projeto Renascer e co-autora da cartilha “Eu me protejo”.
A FNMD – Frente Nacional de Mulheres com Deficiência (FNMD) é um coletivo brasileiro de ativismo plural e combativo que luta contra o capacitismo, violências e exclusão de mulheres com deficiência. A Frente, composta por diversas ativistas, foca na visibilidade, autonomia, inclusão e defesa de direitos, combatendo a negligência pública e social.
Confira a entrevista e os comentários sobre os números da violência no Brasil e a necessidade de Políticas Públicas para evitar a continuidade dos feminicídios.
Estreia às 20h
Números alarmantes
Dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL) apontam que os casos superam em 38,8%, ou seja, em mais de 600, o número de vítimas de feminicídio divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os dados que constam no sistema são informados pelos estados. Segundo a última atualização, no mês passado, foram 1.548 mulheres mortas por feminicídio em 2025.
A análise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminicídio, predomina o crime no âmbito íntimo (75%), que são os casos em que o agressor faz ou fez parte de seu círculo de intimidade, como companheiros, ex-companheiros ou a pessoa com quem a vítima tem filhos. A maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%).
A maior parte das vítimas (30%) estava na faixa etária dos 25 a 34 anos, com uma mediana de 33 anos. Ao menos 22% das mulheres, no total, realizaram denúncias contra os agressores anteriormente ao feminicídio.
Segundo o levantamento, 101 vítimas estavam grávidas no momento da violência, e 1.653 crianças foram deixadas órfãs pela ação dos criminosos.
O Diário PcD também apurou as informações divulgadas pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça.

De acordo com o órgão, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia em 2025, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior. Ao todo, foram 15.453 julgamentos enquadrados na Lei do Feminicídio (13.104/2015), que considera a morte de mulheres por menosprezo ou discriminação à condição de gênero. No ano passado, o Poder Judiciário recebeu 11.883 novos casos, uma média de 32 por dia e um aumento de 16% em relação a 2024.
Os dados são do Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que traz compilados desde 2020.
O painel também traz dados detalhados sobre medidas protetivas. Em 2025, a Justiça concedeu 621.202 pedidos, uma média de 70 medidas por hora.

Além disso, o tempo médio entre o início do processo e a emissão da primeira medida protetiva caiu para quatro dias, o menor da série histórica. Em 2020, esse período era de 16 dias.
Para a juíza auxiliar da Presidência do CNJ e supervisora do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), Ana Lúcia Andrade de Aguiar, o painel tem papel importante nas ações de prevenção. “Os casos de feminicídio estão cada vez mais evidentes para a sociedade. Os dados consolidados pelo painel são essenciais para promover e orientar a formulação de políticas públicas mais eficazes”, afirma.
Violência doméstica
Apenas em 2025, o Poder Judiciário recebeu mais de 1 milhão de novos casos de violência doméstica, incluindo crimes previstos na Lei Maria da Penha (que completa 20 anos em 2026) e descumprimento de medidas protetivas.
No mesmo período, a Justiça brasileira julgou, em média, 1.710 casos de violência doméstica por dia. Ao todo, foram 624.429 novos casos no ano passado.
SERVIÇO
Em caso de violência contra a mulher, ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, com serviço gratuito, disponível para receber denúncias, orientações e acolhimento.
Em caso de situações de emergência, acione a Polícia Militar pelo 190

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/
Fonte: https://www.cnj.jus.br/





