FIFA determina critérios que ‘exclui’ pessoas com deficiência da Copa do Mundo

FIFA determina critérios que ‘exclui’ pessoas com deficiência da Copa do Mundo

Medidas adotadas pela FIFA acaba com gratuidade para acompanhantes de pessoas com deficiência e reduz espaços inclusivos nos estádios. Valores do ingresso para ‘Assentos de acessibilidade’ – em comparação com 2022, foi reajustado em 38 vezes.

O planeta passará a conviver – à partir desta quinta-feira, 11, com o início da Copa do Mundo. Semanas de partidas de futebol nos Estados Unidos, México e Canadá.

A FIFA divulgou que existem nove questões-chave que compõem a Estratégia de Sustentabilidade. Uma delas é “inclusividade e igualdade”

Realmente foi assim nas últimas 3 edições do torneio.

Em 2014, no Brasil, o chute simbólico foi de Juliano Pinto, um jovem paraplégico que conseguiu fazer o chute com o auxílio de um exoesqueleto, que transforma o pensamento em controles mecânicos, recuperando movimentos do corpo, que foram paralisados por lesão medular.

Em 2018, Polina Haeretdinova, uma jovem cadeirante, entrou no campo ao lado de jogadores pela primeira vez na história das Copas. Além de entrar em campo, Polina ainda realizou um sonho: ficar em pé durante a apresentação do hino.

Na abertura da Copa de 2022, um momento em especial chamou a atenção do mundo: no centro do palco principal, o ator Morgan Freeman conversou sobre inclusão e diversidade com Ghanim Al Muftah, um homem catari vestido com a dishdasha (a roupa típica que veste os homens árabes) e que não tem os membros inferiores.

Na última Copa do Mundo, no Catar, um ingresso para Pessoa com Deficiência custava, na fase de grupos, R$ 57 reais e a entrada do acompanhante era gratuita.

Mas a realidade da maior COPA de 2026 é considerada como COPA DA EXCLUSÃO por vários motivos.

Em 2026 o ingresso mais barato custa R$ 325 reais, mas não está disponível na área considerada “assentos de acessibilidade”.

A Pessoa com Deficiência que tentou – ou estará nos estádios, tem que pagar R$ 1.430 pelo seu ingresso no setor reservado com acessibilidade.

A FIFA também determinou que o acompanhante pague pelo ingresso, o que era gratuito até 2022. E, nesse caso, se uma pessoa com deficiência estiver nos estádios terá pago R$ 2.860 reais pelos dois ingressos. Isso significa um aumento de 4.900%.  O preço do ingresso – em comparação com 2022, foi reajustado em 38 vezes.

E não é só o valor do ingresso que EXCLUI. A FIFA reduziu em um terço o número de “assentos de acessibilidade”, o que significa apenas a INCLUSÃO de 18 cadeirantes em alguns jogos.

Para o advogado brasileiro Igor Lima, “a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada por 190 países, e a própria Convenção Americana de Direitos Humanos estabelecem obrigações que transcendem fronteiras. O arcabouço jurídico internacional existe precisamente para isso: garantir que uma pessoa com deficiência possa buscar seus direitos e ser respeitada no Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar do mundo. O que não pode acontecer é que eventos de dimensão global como uma Copa do Mundo sirvam para normalizar a exclusão e empurrar para a invisibilidade quem o direito internacional já reconhece como titular pleno de direitos”.

Nas últimas três edições a organização se preocupou com inclusão e acessibilidade durante a cerimônia inicial.

Nesta quinta-feira, 11, na abertura, de acordo com o roteiro do evento, apenas uma lista de artistas, com a presença de Alanis Morissette, Maná, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, além de Shakira, Tyla e Burna Boy.

De acordo com o advogado, “a FIFA anunciou com destaque que todos os 16 estádios da Copa terão salas sensoriais para torcedores com autismo, ansiedade e outras chamadas ‘deficiências invisíveis’. A entidade usou essa iniciativa como prova pública de seu compromisso com a diversidade. A imprensa repercutiu. A narrativa de inclusão foi construída. Mas há um problema fundamental que essa narrativa esconde: a sala sensorial pressupõe que a pessoa já está dentro do estádio. Ela é uma solução para quem já superou todas as barreiras anteriores. Para quem foi barrado na primeira delas, a sala não existe. E a primeira barreira, para a maioria das pessoas com deficiência, é o preço do ingresso. Um torcedor autista que é também cadeirante não chega à sala sensorial se não conseguiu comprar o ingresso acessível. Um torcedor com deficiência visual que depende de acompanhante não chega à sala sensorial se o custo dos dois bilhetes ultrapassa R$ 2.860. A sala foi projetada para quem já entrou. A política de preços garante que muitos nunca entrem”.

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