Dia Mundial da Saúde: 3 fatores que influenciam o surgimento da artrose, além da idade

Dia Mundial da Saúde: 3 fatores que influenciam o surgimento da artrose, além da idade

Médico ortopedista explica como obesidade, diabetes e sedentarismo impactam as articulações e por que a doença tem afetado cada vez mais pessoas jovens

Celebrado em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde reforça a importância de olhar para o organismo de forma integrada. No caso da artrose — doença caracterizada pelo desgaste das articulações — esse cuidado se torna ainda mais relevante. Embora frequentemente associada ao envelhecimento, a condição está cada vez mais relacionada a fatores de saúde sistêmicos e ao estilo de vida, afetando inclusive adultos mais jovens.

Estimativas globais indicam que cerca de 33 milhões de pessoas entre 30 e 44 anos já conviviam com a artrose em 2019, número que cresce de forma contínua nas últimas décadas. Entre os principais motivos estão o excesso de peso, o sedentarismo e condições metabólicas que favorecem inflamações no organismo.

Diante desse cenário, a Zimmer Biomet, líder global em saúde musculoesquelética, consultou o médico ortopedista Dr. Mauro Meyer para explicar três fatores de saúde que vão além da idade e que podem influenciar diretamente o surgimento ou a progressão da artrose.

“A artrose não é causada apenas pelo envelhecimento. Hoje sabemos que se trata de uma condição multifatorial, o organismo como um todo influencia a saúde das articulações. Doenças metabólicas, inflamação crônica e o estilo de vida têm um papel direto tanto no desenvolvimento quanto na progressão da doença”, explica Dr. Mauro Meyer. A seguir, o ortopedista detalha três dos principais fatores:

Obesidade: sobrecarga e inflamação caminham juntas

O excesso de peso é um dos fatores mais relevantes quando se fala em artrose, especialmente nas articulações que suportam carga, como joelhos e quadris. Um estudo do American College of Rheumatology aponta que o risco de desenvolver artrose de joelho pode ser até 4,7 vezes maior em pessoas com obesidade.

De acordo com o médico, o impacto ocorre por dois mecanismos principais.
“A sobrecarga mecânica acelera o desgaste da cartilagem, já que as articulações recebem uma pressão maior a cada movimento. Além disso, o tecido adiposo libera substâncias inflamatórias que contribuem para a degeneração articular”, afirma.

Diabetes: impacto metabólico nas articulações

O diabetes também está associado ao maior risco de artrose, mesmo em articulações que não suportam carga direta. “Alterações metabólicas, como níveis elevados de glicose no sangue, podem afetar a estrutura da cartilagem e favorecer processos inflamatórios. Isso compromete a capacidade de regeneração dos tecidos articulares e pode acelerar o desgaste”, explica Dr. Mauro Meyer.

Segundo o especialista, essa relação evidencia que a artrose não é apenas uma condição mecânica, mas também sistêmica.

Sedentarismo: falta de movimento também prejudica

Se por um lado o excesso de carga é prejudicial, por outro, a falta de movimento também impacta negativamente a saúde articular.

“A ausência de atividade física leva ao enfraquecimento muscular e à redução da estabilidade das articulações. Com isso, há maior sobrecarga localizada e maior risco de lesões e desgaste precoce. Além disso, o sedentarismo contribui para o aumento de peso e para o desenvolvimento de doenças metabólicas, criando um ciclo que favorece o surgimento da artrose”, destaca o ortopedista.

Prevenção começa com saúde integrada

A boa notícia é que grande parte desses fatores é modificável. A adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de desenvolver artrose ou retardar sua progressão.

“Manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente e controlar doenças como o diabetes são medidas fundamentais. O fortalecimento muscular, especialmente ao redor das articulações, ajuda a proteger e distribuir melhor as cargas durante o movimento”, orienta o especialista.

Tratamentos evoluem com tecnologia

Nos estágios iniciais, o tratamento da artrose inclui mudanças no estilo de vida, fisioterapia e controle da dor e da inflamação. Já em casos mais avançados, quando há limitação importante das atividades diárias, a cirurgia pode ser indicada.

Com os avanços tecnológicos, os procedimentos de substituição articular se tornaram mais precisos. A cirurgia robótica, por exemplo, permite um planejamento personalizado e maior acurácia na execução.

“Com o auxílio de sistemas robóticos, conseguimos trabalhar com dados em tempo real e adaptar o procedimento à anatomia do paciente. Isso pode contribuir para melhores resultados funcionais e maior satisfação no pós-operatório”, explica Dr. Mauro Meyer.

Para o especialista, o principal ponto é entender que a saúde das articulações está diretamente ligada ao cuidado com o corpo como um todo.

“No Dia Mundial da Saúde, é importante reforçar que prevenir a artrose passa por olhar além da idade. Cuidar do metabolismo, manter-se ativo e adotar hábitos saudáveis são decisões que fazem diferença ao longo de toda a vida”, conclui.

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