Equipe de futebol em cadeira de rodas da comunidade volta às quadras e fortalece a inclusão por meio do paradesporto
Dois sons voltaram a ecoar pelo Complexo Esportivo da Rocinha: o giro das cadeiras de rodas motorizadas e os gritos de gol. Isso porque foram retomados os treinos do Rocinha Sobre Rodas, equipe de futebol em cadeira de rodas da comunidade que inicia sua preparação para o Campeonato Brasileiro de Power Soccer, previsto para novembro.
Mais do que uma equipe paradesportiva, o Rocinha Sobre Rodas representa um projeto de inclusão e transformação social dentro da maior favela do Rio de Janeiro, que também é a mais populosa do Brasil, de acordo com dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os treinamentos serão realizados no Complexo Esportivo da Rocinha, equipamento administrado pela Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), que se consolidou como referência para a prática esportiva, o lazer e a promoção da cidadania na comunidade.
A retomada das atividades resulta da união de esforços entre o Instituto Abraço Social, a Suderj e parceiros comprometidos com a ampliação do acesso ao paradesporto. A expectativa é fortalecer a preparação da equipe para a competição nacional e ampliar a visibilidade do Power Soccer, modalidade que vem ganhando cada vez mais reconhecimento no país. A Seleção Brasileira ficou em quarto lugar no último Mundial, realizado em Phoenix, nos Estados Unidos, no ano passado.
Para professor Gustavo Lima, o Gugu, do Instituto Abraço Social, o valor de apostar no paradesporto vai muito além da disputa entre times: trata-se de transformação de vidas.
“Estamos falando de oportunidade, inclusão e dignidade. O Rocinha Sobre Rodas demonstra que a deficiência não limita sonhos nem talentos. Queremos que esses atletas possam competir em alto nível e inspirar outras pessoas a acreditarem no próprio potencial”, ressalta.
Já o presidente da Suderj, Vinicius Boaventura, destaca que o retorno dos treinos reforça o compromisso do Estado com a democratização do acesso ao esporte.
“Cada treino representa mais inclusão, mais qualidade de vida e mais oportunidades. O esporte tem a capacidade de transformar histórias e abrir caminhos para a cidadania”, avalia Vinicius.
E enquanto o Brasileiro não chega, essa energia vai se consolidando na rotina de treinos e de imersão técnica, reforçando o principal benefício é a mensagem fundamental do paradesporto: inclusão e esporte caminham juntos em todas as quadras, de todos os lugares.




