Workshop “Corpo e Câmera”, realizado no eWaly, em Vigário Geral, no Rio, trouxe reflexões sobre acessibilidade e ocupação de espaços por pessoas com deficiência na indústria cultural
O Centro de Cultura Digital Waly Salomão (eWaly), em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebeu mais um encontro marcado por troca, escuta e transformação dentro do Curso de Formação de Atores e Atrizes para o Audiovisual do AfroReggae. Desta vez, os alunos participaram do workshop “Corpo e Câmera”, conduzido pelo ator, produtor cultural e consultor de acessibilidade Pedro Fernandes, que compartilhou experiências sobre sua trajetória artística e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência dentro do mercado audiovisual.
Ator com paralisia cerebral e cognição preservada, Pedro apresentou aos participantes uma reflexão profunda sobre corpo, presença e representatividade diante das câmeras, discutindo temas como capacitismo estrutural, invisibilidade e acessibilidade nos processos criativos. Durante o encontro, o artista também falou sobre o conceito de “cripface” — prática em que atores sem deficiência interpretam personagens com deficiência — e os impactos da falta de representatividade real dentro da indústria cultural.
A atividade foi realizada em parceria com Clara Kutner, professora da disciplina de corpo do curso e parceira artística de Pedro desde a criação do espetáculo “Meu Corpo Está Aqui”, em 2023. Foi durante os ensaios da peça que Pedro recebeu o convite da autora Rosane Svartman para integrar o elenco da novela “Dona de Mim”, da TV Globo, marcando o início de sua trajetória no audiovisual.
Ao longo do workshop, Pedro também apresentou uma linha do tempo sobre o lugar histórico da pessoa com deficiência na sociedade e nas artes, ampliando o debate sobre protagonismo, inclusão e ocupação de espaços no audiovisual contemporâneo. O encontro ainda contou com exercícios práticos conduzidos por Pedro e Clara, explorando linguagem corporal, expressão e relação com a câmera em uma experiência sensível e imersiva para os alunos.
“Durante minha participação em um dos encontros do curso de interpretação do AfroReggae, pude vivenciar uma troca muito importante de conhecimento e experiências com os outros colegas atores da turma. Enquanto artista PCD, compartilhar minha vivência, minha forma de construir presença em cena e minha relação com o corpo e a arte também foi uma maneira de ampliar o olhar dos colegas sem deficiência sobre acessibilidade, inclusão e diversidade dentro do fazer artístico. Foi um encontro de aprendizado coletivo, respeito e escuta, onde todos puderam compreender que diferentes corpos também constroem diferentes potências na arte”, comentou Pedro Fernandes.
A visita reforça o compromisso do Grupo Cultural AfroReggae em promover formações artísticas conectadas à diversidade, inclusão e representatividade, aproximando jovens das periferias de profissionais que vêm transformando o cenário cultural brasileiro a partir de novas narrativas e diferentes perspectivas.
CRÉDITO/IMAGEM: Pedro Fernandes compartilhou suas experiências na carreira artística e desafios enfrentados por pessoas com deficiência no mercado audiovisual. Crédito: Divulgação AfroReggae.






