Ser neurodivergente é perceber o mundo por uma lente diferente, pensar, sentir e aprender de um jeito que desvia do padrão, mas que faz parte da diversidade natural da neurobiologia humana.
Nas escolas, atender os alunos neurodivergentes envolve sensibilidade para compreender o melhor jeito de ensiná-los. Mas além de promover um ambiente acolhedor e inclusivo, é fundamental elaborar o PEI (Plano Educacional Individualizado) e as Provas Adaptadas.
O Plano Educacional Individualizado auxilia com estratégias pedagógicas personalizadas, orientações para adaptações e objetivos alinhados às necessidades de cada estudante, já as Provas Adaptadas apoiam uma avaliação mais justa para os alunos com neurodivergência e/ou deficiência.
Mas o desafio muitas vezes esbarra no tempo disponível dos profissionais e a falta de formação em Educação Especial. É exatamente aí que soluções de Inteligência Artificial podem ajudar as escolas.
Na prática o recurso amplia as possibilidades de inclusão e reduz o trabalho operacional dos educadores em um cenário de aumento de diagnósticos de neurodivergência.
O crescimento dos diagnósticos e a realidade das escolas
Entre os exemplos de neurodivergências estão o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), Dislexia, Discalculia, entre outros.
Dados do Censo Demográfico 2022, apontam que 1,1 milhão de crianças e adolescentes, entre 0 e 14 anos, possuem o diagnóstico de autismo. Enquanto a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), estima que o número de casos de TDAH variem entre 5% e 8% no mundo.
Já a dislexia, caracterizada pela dificuldade na leitura e comum de ser descoberta na fase da alfabetização, se apresenta em aproximadamente 4% da população brasileira, segundo o Instituto ABCD.
A psicóloga e neuropsicóloga Louise de Mello Borino, especialista em análise de comportamento aplicado (ABA), comenta sobre esse aumento: “Um dos fatores é o acesso à informação”, destacando momentos em que as próprias escolas percebem questões no desenvolvimento do aluno e conversam com os pais.
Tecnologia à favor da inclusão: Provas Adaptadas e PEI para escolas
As tecnologias assistivas desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão, permitindo que estudantes com deficiência tenham acesso ao conteúdo de forma mais adequada às suas necessidades.
Recursos como ampliação de textos, adaptação de linguagem, leitores de tela e diferentes formatos de apresentação contribuem para tornar o processo de aprendizagem mais acessível e justo.
Ao mesmo tempo, a tecnologia também tem o poder de transformar a rotina dos educadores, com ferramentas digitais que automatizam tarefas administrativas e otimizam os processos pedagógicos.
Apesar dos avanços, a adaptação de avaliações e criação do PEI ainda representa um desafio para muitas instituições que realizam este trabalho manual.
Afinal, em uma rotina marcada por múltiplas demandas, os educadores frequentemente elaboram documento por documento, para atender estudantes com deficiência. Muitas vezes sem tempo suficiente ou formação específica para realizar esse trabalho de forma individualizada.
O resultado é a sobrecarga e, em vários casos, dificuldades para garantir que todos os estudantes tenham acesso a avaliações inclusivas de qualidade. Mas na era da IA, já há soluções que apoiam alunos e escolas, como a da Estuda.com.
Processos mais ágeis para uma educação inclusiva
As funcionalidades integram a tecnologia da OpenAI (dona do ChatGPT), permitindo adaptar provas e gerar o PEI facilmente, tudo combinado ao olhar humano e inspirado no modelo social da deficiência.
“O modelo social da deficiência, indica que ela não define o sujeito, ou seja, não está no corpo ou na mente do indivíduo, mas na interação entre ele e um ambiente que não foi projetado para acolher a diversidade humana”, explica Daisy Eckhard Bondan, especialista em Educação Inclusiva da Rede Marista Brasil, parceira da Estuda.com.
Dessa forma, professores podem descrever livremente as adaptações para a avaliação ou usar um modelo para selecionar as necessidades educacionais específicas. Após isso, sempre que uma prova é criada para a turma, a plataforma identifica e disponibiliza a versão adaptada.
“Às vezes o professor não tem o laudo, mas ele já sabe que para aquele aluno precisa fazer alterações na prova”, conta Diego Valverde, da equipe vencedora do Hackathon interno onde a solução foi desenvolvida.
Já a geração do PEI envolve adicionar as percepções do próprio docente, família e profissionais de saúde que acompanham o aluno, a partir daí a plataforma gera um documento para o educador validar, tudo com histórico e centralizado em um mesmo local.
A neurodivergência fora do papel: significado pessoal da ação
As funcionalidades, desenvolvidas dentro da empresa, também tocam histórias pessoais. Para alguns, o tema da educação adaptativa não ficou apenas no campo profissional, mas se conectou diretamente às suas próprias trajetórias e vivências familiares.
O CEO, Carlos Pirovani, foi diagnosticado com TDAH durante seu bacharelado em Ciência da Computação, mas reflete sobre o passado como aluno na educação regular.
“Se eu pudesse voltar no tempo e tivesse uma solução que ajudasse meus professores na escola, as coisas teriam sido menos difíceis”, relata, relembrando a época na instituição de ensino.
Tanto para Carlos, quanto para Fabiana Paixão, gerente de pessoas e cultura na Estuda.com, o tema da neurodivergência ganha um significado mais profundo.
Fabiana, mãe de uma criança diagnosticada com autismo, se emocionou ao refletir sobre o impacto da iniciativa: “Ver que existe um movimento para que ele tenha um ensino melhor, seja incluído na escola, nas atividades, nas provas, é muito importante”.
Ela ressalta que ter uma avaliação, que aproveite as potencialidades do seu filho, a deixa mais tranquila. Louise de Mello Borino, neuropsicóloga, reforça essa visão: “Você tem que entender qual é o ponto forte daquele aluno, e usar esse ponto forte para sustentar uma avaliação. Além de também compreender como aquela criança
aprende”.
O compromisso contínuo com a Educação Inclusiva
Segundo o Censo Escolar 2025, as matrículas na Educação Especial atingiram 2,5 milhões. São muitos alunos que precisam de adaptações e inclusão real nas escolas.
A Estuda.com, como uma plataforma de impacto social, reforça seu desejo de abraçar ainda mais o tema: “Precisamos tentar acolher ao máximo. Estamos trabalhando para dar robustez tanto para a ferramenta de preparação para ENEM e vestibulares, quanto para as escolas”, afirma Carlos Pirovani.
Essa visão traduz o propósito que guia a Estuda.com desde o início: usar a tecnologia para transformar a educação e gerar impacto real em toda a comunidade escolar.
O importante é a tecnologia chegar para somar, tudo sem perder o lado humano.




