Dia do Orgulho Autista chama atenção para uma realidade pouco conhecida: o autismo sindrômico

Dia do Orgulho Autista chama atenção para uma realidade pouco conhecida: o autismo sindrômico

No dia 18 de junho, quando o mundo celebra o Dia do Orgulho Autista, a data convida a sociedade não apenas a ampliar a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas também a reconhecer a diversidade existente dentro do próprio espectro. Entre as condições ainda pouco conhecidas está o chamado autismo sindrômico, presente em milhares de famílias e frequentemente invisível nos debates públicos.

Os números mostram a dimensão do tema. Dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que aproximadamente uma em cada 31 crianças de 8 anos está dentro do espectro autista, o equivalente a 3,2% dessa população. O aumento dos diagnósticos tem sido associado principalmente à ampliação do acesso à avaliação, ao aprimoramento dos critérios diagnósticos e ao maior conhecimento sobre o transtorno.

No Brasil, pela primeira vez, o Censo Demográfico 2022 identificou a população diagnosticada com TEA. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são cerca de 2,4 milhões de brasileiros com diagnóstico de autismo, representando 1,2% da população nacional. A prevalência é maior entre homens e crianças de 5 a 9 anos.

Apesar da crescente visibilidade do autismo, especialistas alertam que uma parcela importante dessa população ainda permanece pouco compreendida: as pessoas com autismo associado a síndromes genéticas, condição conhecida como autismo sindrômico.

O autismo sindrômico ocorre quando o TEA está relacionado a uma alteração genética identificável, como a Síndrome do X Frágil, Síndrome de Rett, Síndrome de Phelan-McDermid, entre outras. Nesses casos, o autismo faz parte de um conjunto mais amplo de características clínicas, que podem incluir deficiência intelectual, alterações motoras, dificuldades de linguagem e outros comprometimentos do desenvolvimento.

Segundo a psicóloga e gestora do Programa Eu Digo X, do Instituto Buko Kaesemodel, Luz María Romero, a falta de conhecimento sobre essas condições ainda representa um grande desafio para o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado. “Quando falamos de autismo, muitas pessoas imaginam uma condição única, mas existem diferentes realidades dentro do espectro. O autismo sindrômico envolve causas genéticas conhecidas e requer uma abordagem multidisciplinar ainda mais cuidadosa. Quanto mais cedo essas famílias recebem informação e apoio, maiores são as possibilidades de desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma.

Ela destaca que o desconhecimento sobre as síndromes genéticas faz com que muitas famílias enfrentem uma longa jornada até obter respostas. “Muitas vezes o diagnóstico do autismo acontece antes da identificação da síndrome genética. Quando a investigação é ampliada, a família passa a compreender melhor as necessidades da pessoa e consegue buscar intervenções mais adequadas e direcionadas.”

É justamente para ampliar esse conhecimento que atua o Programa Eu Digo X, iniciativa do Instituto Buko Kaesemodel. Criado para promover informação, acolhimento e apoio às famílias, o programa tem como foco especial a Síndrome do X Frágil, considerada a principal causa hereditária de deficiência intelectual e uma das condições genéticas mais frequentemente associadas ao autismo. O projeto também incentiva pesquisas científicas, campanhas educativas e ações de conscientização em todo o país.

Neste contexto, o Dia do Orgulho Autista ganha um significado ainda mais amplo. Criada em 2005 pelo movimento Aspies for Freedom, a data surgiu para valorizar a neurodiversidade e promover uma visão baseada no respeito, na inclusão e no reconhecimento das potencialidades das pessoas autistas.

Para Luz María Romero, a celebração também deve incluir aqueles que vivem as formas mais complexas do espectro. “O orgulho autista não significa ignorar os desafios. Significa reconhecer a dignidade, os direitos e o valor de cada pessoa autista, independentemente do nível de suporte necessário ou da existência de uma síndrome genética associada. A inclusão só é verdadeira quando contempla toda a diversidade do espectro”, conclui.

Em um cenário em que os diagnósticos crescem e o conhecimento sobre o autismo avança, especialistas reforçam que falar sobre autismo sindrômico é fundamental para garantir visibilidade, acesso a direitos e atendimento adequado para milhares de famílias que ainda convivem com a falta de informação e de diagnóstico. Afinal, compreender a diversidade do espectro é um passo essencial para construir uma sociedade mais inclusiva e acolhedora para todos.

CRÉDITO/IMAGEM: Sabrina Muggiati, idealizadora do Programa Eu Digo X e seu filho Jorge, com Síndrome do X Frágil e AutismoValterci Santos

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore