Dia Internacional da Pessoa Surdocega: uma deficiência específica que requer apoio especializado e inclusão

Dia Internacional da Pessoa Surdocega: uma deficiência específica que requer apoio especializado e inclusão

Debates e reflexões acontecem nesta sábado, 27, no Dia Internacional da Surdocegueira

A Assembleia Geral adotou a resolução A/RES/79/294 , proclamando o dia 27 de junho de cada ano como o Dia Internacional da Surdocegueira. Este dia comemora o nascimento da renomada escritora Helen Keller (1880-1968), uma das figuras mais emblemáticas da comunidade surdocega.

De acordo com publicação da ONU – Organização das Nações Unidas, “a surdocegueira é uma deficiência visual e auditiva combinada de tal gravidade que é difícil para os sentidos afetados compensarem um ao outro, sendo, portanto, uma deficiência distinta com seus próprios desafios, barreiras e necessidades específicas de apoio e inclusão, diferentes daqueles oferecidos a indivíduos que são apenas surdos ou cegos. As pessoas surdocegas enfrentam barreiras devido à surdocegueira não ser tratada e/ou reconhecida como uma deficiência distinta, o que leva à invisibilidade nas estatísticas, políticas e programas e, portanto, impede o acesso aos serviços”.

Intérpretes e guias-intérpretes profissionais para surdocegos são essenciais para garantir o acesso à informação, comunicação, serviços e direitos fundamentais, bem como para permitir que pessoas com surdocegueira vivam de forma independente e sejam incluídas na comunidade.

A data objetiva aumentar a visibilidade e a conscientização acerca da inclusão das pessoas surdocegas e é celebrada no dia do aniversário da escritora e ativista norte-americana Helen Adams Keller. Ela foi a primeira pessoa surdocega a concluir uma graduação em nível superior e lutou pelos direitos das pessoas com deficiência.

A surdocegueira caracteriza-se pelo comprometimento simultâneo da visão e da audição, que pode se apresentar em diferentes graus de perda auditiva e visual – baixa visão e baixa audição, cegueira e surdez profunda, cegueira e baixa audição, baixa visão e surdez profunda.

Existe uma variedade de recursos de comunicação que podem ser utilizados de acordo com a necessidade de cada pessoa. Assim, a depender do caso, a pessoa surdocega pode fazer uso de aparelho auditivo, lupa eletrônica, linha braille (teclado adaptado) e, Tellethouch (um tipo de máquina de escrever adaptada).

A pessoa surdocega pode ainda fazer uso da Libras tátil, braille e técnicas como o desenho da letra de forma na palma da mão e o tadoma, na qual ela coloca uma das mãos no rosto da pessoa que está falando para perceber as palavras pelo movimento dos lábios, bochechas e vibração dos sons emitidos.

Os desafios são muitos, mas a maior barreira ainda é o preconceito.

A FADERS – Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PcD e PcAH no Rio Grande do Sul destacou em nota oficial que “a surdocegueira não é simplesmente a soma da surdez com a cegueira. Trata-se de uma deficiência singular, que combina perdas auditivas e visuais em diferentes graus e cria necessidades específicas de comunicação, mobilidade e acesso à informação. Muitas pessoas surdocegas se comunicam por meio da Libras Tátil, em que as mãos acompanham os movimentos de quem sinaliza. Outros métodos incluem a escrita na palma da mão (grafestesia) e o método Tadoma, que permite perceber a fala por meio das vibrações da voz e dos movimentos do rosto. Quando os canais tradicionais de comunicação são limitados, o toque se torna uma poderosa ferramenta de conexão, autonomia e participação social. Neste dia, reforçamos a importância da acessibilidade, do respeito às diferenças e da construção de uma sociedade onde todas as formas de comunicação sejam reconhecidas e valorizadas”.

Por que 27 de junho?

A Assembleia Geral adotou a resolução A/RES/79/294 , proclamando o dia 27 de junho de cada ano como o Dia Internacional da Surdocegueira. Este dia comemora o nascimento da renomada escritora Helen Keller (1880-1968), uma das figuras mais emblemáticas da comunidade surdocega.

Helen Keller (à esquerda na foto) visitou a sede da ONU em 1949. Na foto, Keller aparece durante uma reunião de comitê com sua secretária, Polly Thompson, que interpreta o debate para ela. Crédito: Foto da ONU.

Referências:

https://www.tjdft.jus.br

https://faders.rs.gov.br

https://www.un.org

CRÉDITO/IMAGEM: Foto: Sigmund/Unsplash

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