Auditoria do TCU revela falta de políticas para pessoas com deficiência na Administração Pública

Auditoria do TCU revela dificuldades das pessoas com deficiência na Administração Pública

Auditoria sobre inclusão de pessoas com deficiência na administração pública constatou barreiras físicas e sociais, falta de diretrizes de acessibilidade e baixa representatividade

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou auditoria para verificar se os órgãos do governo federal estão preparados para incluir pessoas com deficiência em seus ambientes de trabalho. O objetivo foi entender se esses trabalhadores e trabalhadoras encontram condições adequadas de acolhimento, acessibilidade e respeito, garantindo sua inclusão plena, dignidade e permanência no emprego. Para isso, o TCU analisou as políticas e ações adotadas por 36 órgãos da administração pública federal.

A auditoria identificou que muitas pessoas com deficiência enfrentam barreiras no trabalho, tanto físicas quanto sociais, além de preconceitos relacionados ao capacitismo.

O TCU também constatou que muitos órgãos públicos não têm políticas bem estruturadas para promover a inclusão. Metade dos órgãos analisados não possui diretrizes formais sobre acessibilidade, e apenas uma pequena parte tem planos de ação para enfrentar essas questões. Além disso, os espaços de trabalho, os sistemas de informática e os meios de comunicação muitas vezes não são adaptados para atender às necessidades das pessoas com deficiência.

Outro problema identificado foi a baixa representatividade. Apesar de 7,3% da população brasileira ter algum tipo de deficiência, apenas 2,2% dos servidores nos órgãos analisados pertencem a esse grupo. Além disso, poucas pessoas com deficiência ocupam cargos de liderança, o que mostra que, mesmo quando conseguem ingressar no serviço público, elas enfrentam dificuldades para crescer profissionalmente.

O trabalho do TCU compreendeu também o envio de questionários a milhares de trabalhadores com deficiência, e as respostas ajudaram a revelar problemas que nem sempre são visíveis para quem não vive essa situação. Tal escuta direta foi um ponto forte da auditoria, pois trouxe uma visão mais próxima do dia a dia dessas pessoas.

O TCU concluiu que a inclusão verdadeira vai muito além de simplesmente contratar pessoas com deficiência. É preciso criar um ambiente de trabalho acessível, com mudanças na cultura organizacional, capacitação de gestores, planejamento adequado e políticas que garantam autonomia, segurança e dignidade para esses profissionais. 

A auditoria reforçou que a inclusão deve ser uma prioridade e que o enfrentamento ao capacitismo é essencial para construir um serviço público mais justo e igualitário.

Em consequência da auditoria, o TCU fez uma série de recomendações ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, além de outros órgãos da administração direta do Poder Executivo Federal. As medidas deverão contribuir para eliminar barreiras atitudinais, físicas e organizacionais.

O relator do processo é o ministro Benjamin Zymler.

Confira a íntegra da decisão: Acórdão 1743/2026 – Plenário

Fonte: Secretaria de Comunicação Social do Tribunal de Contas da União

Você sabe o que é capacitismo?

Capacitismo é uma forma de discriminação que define a pessoa pela sua deficiência, desvalorizando suas capacidades e limitando suas oportunidades. Baseia-se na falsa crença de que indivíduos com deficiência são inferiores, incapazes ou dependentes.

O capacitismo pode se manifestar de várias formas, como falta de acessibilidade, restrições para ocupar cargos de liderança e atitudes que subestimam o potencial dessas pessoas.

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