Pesquisa sobre Esclerose Múltipal aponta que maior desafio do paciente é a perda invisível de autonomia ao longo da jornada

Pesquisa inédita sobre Esclerose Múltipal aponta que maior desafio do paciente é a perda invisível de autonomia ao longo da jornada

Levantamento mostra que o impacto da esclerose múltipla vai além dos sintomas clínicos e afeta mobilidade, trabalho, rotina e capacidade de manter uma vida independente

Para quem convive com a esclerose múltipla (EM), o maior desafio nem sempre é visível. Ele aparece quando tarefas simples passam a exigir planejamento, quando o medo da progressão da doença interfere nas decisões pessoais e profissionais ou quando barreiras para acessar o tratamento obrigam o paciente a reorganizar a própria vida.

É essa perda gradual de autonomia que emerge como um dos principais impactos da doença em uma pesquisa inédita sobre a jornada das pessoas com esclerose múltipla no Brasil, realizada pela HSR Health, empresa parte do HSR Specialist Researchers, maior grupo independente de pesquisa de mercado do país em parceria com a Roche Farma Brasil, com apoio da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

Sete em cada dez pacientes vivem muito ou extremamente preocupados com a progressão da doença. Além disso, 41,2% afirmam ter deixado de realizar ou precisaram remarcar o tratamento por dificuldades de acesso, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação. Os resultados revelam que o impacto da esclerose múltipla vai além das manifestações clínicas, comprometendo a continuidade do cuidado e diferentes aspectos da vida cotidiana.

“Compreender a importância da perda gradual da autonomia no cotidiano de quem vive a doença é fundamental para que pacientes, profissionais de saúde e todo o ecossistema de cuidado consigam direcionar esforços para aquilo que realmente faz diferença na qualidade de vida. A pesquisa nos mostra que a esclerose tem impactos significativos não só na saúde física, mas também na saúde emocional e psicológica dos entrevistados”, afirma Brunno Mattos, sócio-diretor da HSR Health.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central, na qual o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Acomete, principalmente adultos jovens em plena fase produtiva da vida. Entre os sintomas estão fadiga, alterações cognitivas e limitações motoras. Segundo a ABEM, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença¹.

“A esclerose múltipla é mais comum em mulheres jovens, justamente em um momento muito importante da vida, quando estão formando uma família, construindo uma carreira e fazendo planos para o futuro. A doença pode evoluir ao longo do tempo, cada dia sem o diagnóstico correto e o início do tratamento pode comprometer funções como força, equilíbrio, visão, coordenação e memória. Hoje sabemos que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as melhores formas de controlar a doença, reduzir o risco de incapacidade e preservar a qualidade de vida dos pacientes”, alerta o neurologista Rodrigo Kleinpaul.

As dificuldades começam ainda antes do diagnóstico. Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença, o que pode atrasar o início do tratamento e favorecer a progressão da incapacidade.

Mesmo após o diagnóstico, a rotina permanece marcada por obstáculos. A pesquisa mostra que 73,4% dos pacientes entrevistados deixaram de realizar atividades que gostariam por questões emocionais e 41,6% evitam encontros sociais com frequência. A doença também afeta a vida profissional: 72,8% relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento, enquanto 32,6% afirmam ter escondido o diagnóstico no ambiente de trabalho por medo de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com gastos mensais extras relacionados à doença.

Apesar desses desafios, os dados revelam que qualidade de vida para quem convive com a EM está diretamente ligada à mobilidade e à autonomia para manter a rotina (61%). Para alcançar essa independência, os pacientes elencam prioridades práticas muito claras: 46% focam no acesso ao tratamento e cuidado, 44% no controle de sintomas e estabilidade, 32% na mobilidade e capacidade física e 29% na autonomia e rotina. No fim do dia, mais do que uma ideia abstrata de bem-estar, a busca é por preservar o trabalho, o convívio familiar e a capacidade de tomar as próprias decisões.

“Os resultados desse levantamento nos dão um alerta claro: tratar a esclerose múltipla vai muito além de controlar sintomas em consultório. Precisamos ouvir atentamente o paciente para entender suas maiores preocupações e encontrar caminhos de cuidado que respeitem seu estilo de vida e suas demandas clínicas. É essa escuta que nos permite reduzir o fardo associado à doença, unindo o ecossistema de saúde em torno do que realmente importa: devolver ao paciente sua autonomia e o controle da própria rotina”, comenta Michelle Fabiani, diretora médica da Roche.

Referências:

  1. Filippi, M., Bar-Or, A., Piehl, F. et al. Multiple sclerosis. Nat Rev Dis Primers 4, 43 (2018)

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore