Levantamento realizado em 3 de novembro aponta diferença de 27 clínicas em relação ao número divulgado oficialmente pelo Instituto. Reportagem também identificou falta de horários em mais de um quarto dos estabelecimentos relacionados.
A dificuldade para conseguir agendamento de perícia médica necessária à solicitação da isenção do IPVA por pessoas com deficiência continua gerando preocupação em São Paulo. E um novo levantamento realizado pelo Diário PcD, em 3 de novembro, acrescenta informações que ampliam os questionamentos sobre a rede de atendimento do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC).
Em 27 de outubro, o IMESC havia declarado oficialmente possuir 104 clínicas credenciadas para a realização das perícias obrigatórias destinadas às pessoas com deficiência que solicitam a isenção do IPVA. O Instituto também afirmou que não havia realizado descredenciamentos recentes e que existiam projeções para ampliar a rede de atendimento.
Entretanto, ao consultar a relação de clínicas disponibilizada no próprio site do órgão, a reportagem encontrou apenas 77 estabelecimentos relacionados.
A diferença é de 27 clínicas em comparação com o número informado oficialmente pelo IMESC.
Onde estão as 27 clínicas que não aparecem na relação?
A divergência exige uma explicação do Instituto. Se o IMESC afirma que possui 104 clínicas credenciadas, por que a relação disponível em seu site apresenta apenas 77 estabelecimentos? Cidades como Barra Bonita e uma das clínicas em São Caetano do Sul não aparecem mais na relação disponível para consulta. Das 60 clínicas pelo interior e litoral, 13 não possuem agendamento liberado. Na capital, são 25 clínicas – mas 8 não possuem disponibilidade.
O Diário PcD questiona: o que aconteceu com as clínicas que anteriormente faziam parte da rede e que agora não possuem mais agendamento disponível para as pessoas com deficiência?
O Instituto afirmou que não realizou descredenciamentos recentes. No entanto, a própria mensagem encaminhada a uma clínica, já divulgada pelo Diário PcD, informava que não havia interesse na prorrogação do credenciamento e que, a partir de 1º de novembro de 2026, não seriam disponibilizadas novas agendas para aquele estabelecimento.
Embora o IMESC tenha esclarecido que essa decisão não constituía formalmente um descredenciamento, o encerramento da vigência sem prorrogação tem consequência prática: a clínica deixa de receber novos agendamentos pelo sistema.
Diante disso, é necessário esclarecer quantas clínicas tiveram seus vínculos encerrados sem prorrogação, quantas permanecem efetivamente credenciadas e por que os números divulgados pelo Instituto não correspondem à relação disponível para consulta pública.
21 clínicas não disponibilizavam nenhum agendamento
O levantamento do Diário PcD identificou também outro dado preocupante: das 77 clínicas encontradas na relação pública do IMESC, 21 não disponibilizavam nenhum agendamento no momento da consulta realizada pela reportagem.
Isso significa que mais de uma em cada quatro clínicas relacionadas não apresentava qualquer opção de agendamento.
Na prática, o número de estabelecimentos relacionados pelo órgão não representa necessariamente o total de unidades que estão oferecendo atendimento naquele momento.
A situação reforça a necessidade de distinguir três informações que precisam ser transparentes para os contribuintes: quantas clínicas possuem credenciamento vigente, quantas estão efetivamente disponíveis para receber novos pacientes e quantas disponibilizam horários para a realização das perícias.
Para as pessoas com deficiência que dependem desse procedimento para solicitar a isenção do IPVA, não basta que uma clínica apareça em uma relação oficial. É necessário que ela esteja em funcionamento e ofereça condições reais de atendimento.
Os números apresentados pelo IMESC não correspondem ao levantamento do Diário PcD
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