Nova Resolução sobre Educação Inclusiva em Minas pode ser judicializada, afirma Defensoria Pública.

Nova Resolução sobre Educação Inclusiva em Minas pode ser judicializada, afirma Defensoria Pública.


Secretaria de Educação afirma que não pretende extinguir a função e mantém contratações; Defensoria pede revisão da norma e alerta para interpretações que possam negar direitos a estudantes com deficiência.

A garantia de que o atendimento continuará não encerrou a preocupação de famílias e profissionais com as novas regras da educação especial inclusiva em Minas Gerais.

Em audiência pública realizada em 5 de novembro, na Assembleia Legislativa do Estado (ALMG), a ausência de previsão expressa do Professor de Apoio à Comunicação, Linguagem e Tecnologia Assistivas (ACLTA) na Resolução CEE/MG nº 507/2026 motivou cobranças por segurança jurídica e pela revisão da norma.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) afirmou que não pretende extinguir a função e que as contratações continuam nos mesmos moldes. A resposta, porém, foi acompanhada de uma exigência: transformar a garantia apresentada na audiência em uma regra escrita que assegure a permanência do apoio dentro da sala de aula.

O debate ocorreu na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG e reuniu representantes do Conselho Estadual de Educação, da secretaria, da Defensoria Pública, profissionais e integrantes da comunidade escolar.

Governo diz que professor de apoio permanece

Representando a SEE, a diretora de Modalidades de Ensino e Temáticas Especiais, Suéllen Coelho, declarou que a extinção da função não está nos planos da pasta. “No momento, as contratações continuam da mesma forma, o auxílio aos estudantes em sala de aula será realizado pelos professores de apoio que já estão na nossa rede”.

A representante do Conselho Estadual de Educação, Bruna Morato, explicou que a reformulação acompanha os marcos legais da educação inclusiva. Também argumentou que criar ou extinguir cargos não é atribuição do conselho e que a secretaria possui autonomia para decidir sobre a organização dessas funções.

O deputado Cristiano Silveira (PT) cobrou a publicação de uma norma expressa para proteger a continuidade do professor de apoio. Para ele, a resolução não oferece a segurança de que as famílias necessitam.

Apoio pedagógico e apoio escolar têm funções diferentes

A Resolução nº 507 publicada em 24 de setembro de 2026, estabeleceu novas normas para a educação especial inclusiva na Educação Básica e revogando a Resolução CEE/MG nº 460/2013.

– Professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE): responsável pelo apoio pedagógico e por estratégias e recursos de acessibilidade.


– Profissional de Apoio Escolar (PAE): atua no auxílio a atividades como alimentação, higiene, locomoção, comunicação e interação social.

Participantes da audiência afirmaram o professor do AEE previsto na nova organização poderia atuar dentro e fora da sala de aula. Na rede estadual, o atendimento descrito pela Assembleia é atualmente desenvolvido por professores de apoio em sala e professores de salas de recursos.

Durante a audiência também aconteceram manifestações e preocupação com uma possível sobrecarga e com a capacidade de assegurar o atendimento necessário aos estudantes.

Defensoria alerta para risco de judicialização

A defensora pública Daniele Bellettato Nesrala, coordenadora estratégica de Promoção e Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes da Defensoria Pública de Minas Gerais, defendeu a criação imediata de um grupo de trabalho para revisar a resolução.

Na avaliação dela, a falta de clareza pode ampliar a judicialização do acesso à educação inclusiva. “Uma normativa que deixa brechas para interpretação divergente vai ser usada no Judiciário, sem dúvida nenhuma, para negar direitos”, alertou na audiência.

A defensora também questionou a segurança de uma garantia que dependa apenas da posição da gestão atual. Para ela, regras claras devem assegurar a continuidade da política pública, independentemente de quem esteja à frente da administração.

Comunidade escolar cobra participação

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão de Educação e responsável pelo requerimento da audiência, criticou a construção da resolução sem a escuta das comunidades escolares impactadas.

A parlamentar classificou a ausência de referência ao professor de apoio como uma omissão e defendeu que a atualização das regras deveria ter incorporado a realidade das escolas.

O ponto central da cobrança é assegurar que a reorganização administrativa não deixe dúvidas sobre quem será responsável por garantir comunicação, participação e acesso à aprendizagem dentro da sala de aula.

Conselho anunciou nova discussão

Ao final da audiência, o vice-presidente do Conselho Estadual de Educação, Ronilson Caldeira, anunciou que a resolução voltaria a ser discutida em plenária prevista para 10 de novembro.

Ele ponderou que uma revogação poderia provocar o retorno às regras de 2013 e, em sua avaliação, acarretar perdas de direitos.

CRÉDITO/IMAGEM: Foto: Alexandre Netto – ALMG

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