Primeiro dia de competições na Colômbia teve provas do contrarrelógio, com quatro brasileiros subindo ao lugar mais alto do pódio e três conquistando medalhas de prata.
O Brasil iniciou nesta quinta-feira, 2, a disputa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, na Colômbia, com a conquista de sete medalhas nas provas de contrarrelógio do ciclismo, sendo quatro ouros e três pratas. As disputas da modalidade são realizadas no município de Codazzi, a cerca de uma hora de Valledupar, capital do distrito de César.
Com o resultado, o país inicia o evento continental na liderança do quadro de medalhas. A Colômbia está na segunda colocação, com seis – três ouros, duas pratas e um bronze. A Argentina fecha , com duas pratas e dois bronzes.
O dia teve entre seus destaques uma dobradinha brasileira no pódio da classe B, para atletas com deficiência visual. As medalhas vieram com a fluminense Viviane Soares e a acreana Jerusa Geber, duas atletas acostumadas a chegar ao pódio no atletismo.
Viviane fez o tempo de 26min46s41 para subir ao lugar mais alto do pódio, enquanto Jerusa obteve a prata, com a marca de 27min55s23. O bronze ficou com a argentina Maria Jose Quiroga, com 29s13s73.
A fluminense chegou ao ciclismo em 2025, a partir do programa de transição de modalidade promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em parceria com a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), com início das atividades em agosto de 2025 no Centro de Treinamento Paralímpico.
O objetivo da iniciativa é identificar atletas que podem obter bons resultados caso optem por uma nova modalidade e oferecer apoio durante o processo de adaptação.
Viviane contou que planejava encerrar a carreira quando recebeu o convite para experimentar o ciclismo. “Sabia que seria difícil, era uma modalidade que eu nunca tinha feito. Mas, me joguei e fui evoluindo, recebendo apoio, investimento – e hoje estou aqui”, disse.
“Estou muito grata por esta medalha de ouro. Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, afirmou Viviane.
Atualmente, Viviane mantém em paralelo as atividades de ciclismo e atletismo. “Treino ciclismo no velódromo do Rio, faço trabalho de força, muitas vezes vou na pista para correr de manhã. Para quem queria diminuir, é treinamento e tanto”, disse.
Já a acreana Jerusa é campeã paralímpica no atletismo nos 100m e nos 200m para a classe T11 (cegos) – medalhas conquistadas nos Jogos de Paris 2024. Ela começou a experimentar o ciclismo ainda no final de 2024. Sem deixar o atletismo, a atleta afirma que não se vê fora do esporte nos próximos anos, seja qual for a modalidade.
“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, afirmou.
Mais medalhas
O paulista Lauro Chaman, da classe C5 (atletas que utilizam bicicletas convencionais), foi ouro com 34min30s81. O colombiano Diego Dueñas foi prata com 36min26s56 e o colombiano Juan Gómez foi bronze com 37min02s41. A disputa ainda contou com ciclistas da classe C4 e teve o potiguar Dirceu Soares na oitava colocação, com 39min44s03.
O mineiro Roberto Neto, da classe C2, foi ouro com o tempo de 26min00s68. A prata ficou com o colombiano Esneider Muñoz, com 26min33s45. O chileno Manuel Opazo, com 28min59s04, completou o pódio.
O também mineiro Eduardo Pimenta, da classe H3 (atletas que usam bicicletas impulsionadas com as mãos) conquistou o ouro com o tempo de 28min41s49. A prata ficou com o argentino Oscar Biga, que completou a prova em 29min19s37; o chileno Sebastian Morales, que fez 30min51s43, ficou com o terceiro lugar.
A paulista Sabrina Custódia, da classe C2, foi prata com o tempo de 15min40s07. O ouro foi para a colombiana Daniela Munévar, com 13min58s34, e o bronze ficou com a argentina Maria Sergo (17min28s13).
Também foi prata a medalha da mineira Fabiana Ventura, da classe C5, com 32min08s15. O ouro foi conquistado pela colombiana Paula Ossa, com 28min04s19 e o bronze foi para a panamenha Laydis Veja (36min05s27).
As provas de ciclismo seguem até sábado, 4. Nesta sexta-feira, Roberto Neto, Eduardo Pimenta e Sabrina Custódia participam da prova de estrada.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Confira as medalhas do Brasil:
Ouro
Eduardo Pimenta (C2)
Roberto Franco Neto (H3)
Lauro Chaman (C5)
Viviane Soares (B2)
Prata
Sabrina Custódia (C2)
Jerusa Geber (B)
Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
A atleta Jerusa Geber é integrante do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual das Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.
Time São Paulo
Os atletas Lauro Chaman, Sabrina Custódia e Jerusa Geber integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 157 atletas.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
Crédito/Imagem: Marcella Toldi, Jerusa Geber, Lara Marinho e Viviane Soares no pódio da prova do contrarrelógio | Alessandra Cabral/CPB




