Diabetes afeta a circulação de forma silenciosa e aumenta o risco de lesões nos pés

Diabetes afeta a circulação de forma silenciosa e aumenta o risco de lesões nos pés

No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, especialista alerta para os impactos da doença nos vasos sanguíneos, nos rins e na visão, e reforça a importância do diagnóstico precoce

Em 26 de junho é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, data que reforça a importância da conscientização sobre uma doença que afeta milhões de brasileiros e pode provocar consequências graves quando não é identificada precocemente ou controlada adequadamente.

Embora seja frequentemente associada apenas ao aumento dos níveis de açúcar no sangue, a doença pode comprometer vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos, afetando funções importantes do organismo e a qualidade de vida dos pacientes.

A prevalência do diabetes no Brasil passou de 6,2% da população em 2013 para 10,5% atualmente. Além disso, estima-se que cerca de 5 milhões de brasileiros convivam com a doença sem saber. A taxa de diabetes não diagnosticada no país é de aproximadamente 31,5%, o que reforça a importância da identificação precoce e do acompanhamento médico regular.

Segundo o cirurgião vascular Dr. Afonso Cesar Polimanti, integrante da Comissão de Pé Diabético da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), uma das características mais preocupantes do diabetes é o impacto progressivo que a doença pode causar na circulação sanguínea e em diferentes órgãos do corpo. “O diabetes tem a particularidade de afetar a microcirculação, levando ao fechamento dos capilares. Isso ocorre, por exemplo, na circulação das pernas, de maneira semelhante ao efeito do tabagismo ao longo da vida. Esse processo também compromete a rede que nutre os nervos das extremidades, o que dificulta a capacidade de sentir os pés”, explica.

As consequências dessas alterações vão muito além dos membros inferiores. Quando o acompanhamento da glicemia não é adequado, os danos aos pequenos vasos sanguíneos podem atingir órgãos essenciais para o funcionamento do organismo. “O diabetes também afeta outras partes do corpo. Nos rins, está entre as principais causas de insuficiência renal que leva à diálise. Nos olhos, pode provocar a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira”, destaca o especialista.

Os danos causados pela doença podem criar um ciclo perigoso, especialmente quando alterações na sensibilidade dos pés se somam aos problemas de visão decorrentes do diabetes. “Imagine a dificuldade de uma pessoa em perceber uma ferida no pé quando não sente dor e tem dificuldade até de enxergar a lesão ao olhar para o próprio pé. Por isso, a vigilância rigorosa do diabetes é essencial”, observa Dr. Polimanti.

A prevenção continua sendo a principal aliada dos pacientes. O especialista ressalta que medidas simples, adotadas diariamente, ajudam a retardar a evolução da doença e reduzir o risco de complicações. “O principal cuidado é o mais simples: manter a glicemia dentro das metas recomendadas. Isso contribui para desacelerar a progressão da doença. Esse resultado pode ser alcançado com atividade física, alimentação adequada e seguimento médico regular”, afirma.

Além do equilíbrio glicêmico, a avaliação periódica é fundamental para evitar complicações associadas ao diabetes. “O seguimento com o médico vascular permite identificar essas alterações em fase precoce, reduzindo o risco de problemas mais graves, como infecções e amputações”, ressalta.

O autocuidado também faz parte da prevenção. Verificar regularmente os pés e observar alterações na pele, na sensibilidade ou o surgimento de feridas pode contribuir para a identificação precoce de problemas e para a busca rápida por atendimento médico.

Outro aspecto importante é o apoio familiar. Mudanças de hábitos relacionadas à alimentação, à prática de atividade física e aos cuidados diários costumam ser mais efetivas quando envolvem toda a família. “O envolvimento da família é fundamental. Ajustar a alimentação da casa e auxiliar nos cuidados diários, como o autoexame dos pés, pode fazer uma grande diferença na qualidade e na expectativa de vida dessas pessoas”, conclui o cirurgião vascular.

Sobre a SBACV-SP

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) é uma entidade sem fins lucrativos que representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular no estado de São Paulo. A instituição tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular à população.

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