Pedidos de Lula e Flávio Bolsonaro para ampliar o horário de votação expõem dificuldades de deslocamento que pessoas com deficiência enfrentam durante todo o ano
As dificuldades para chegar aos locais de votação no 2º turno nas eleições presidenciais, levaram as campanhas dos candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação em localidades afetadas por problemas de transporte, chuvas, alagamentos e interdições de vias.
As solicitações, feitas neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições de 2026, colocam em evidência uma questão que vai muito além da disputa eleitoral: o acesso efetivo das pessoas aos espaços públicos.
Para milhões de brasileiros com deficiência, chegar a um determinado lugar nem sempre é uma tarefa simples. Calçadas esburacadas, ausência de rampas, transporte público inacessível, falta de veículos adaptados e barreiras arquitetônicas fazem parte de uma rotina que limita a autonomia e a participação social.
O que hoje preocupa as campanhas eleitorais é, para muitas pessoas com deficiência, uma realidade permanente.
A campanha de Flávio Bolsonaro pediu a extensão da votação em municípios atingidos por chuvas intensas, alagamentos e interdições.
Já a campanha de Lula apontou dificuldades relacionadas ao transporte público, incluindo redução da frota e problemas no deslocamento de eleitores em diferentes estados.
Embora as justificativas apresentadas pelas campanhas tenham características específicas, os pedidos revelam um ponto em comum: o direito de votar depende de condições reais de acesso ao local de votação.
Para uma pessoa com deficiência física, uma calçada sem rebaixamento, uma entrada com escadas ou a ausência de transporte acessível pode representar um obstáculo tão concreto quanto uma via interditada. Para uma pessoa cega, a falta de orientação adequada pode dificultar o percurso. Para quem tem mobilidade reduzida, longas distâncias, filas e ausência de condições para descanso podem transformar o exercício de um direito em uma experiência de desgaste e insegurança.




