Mandetta volta a relatar desistência de voo após encontrar “time de anões”

Mandetta volta a relatar desistência de voo após encontrar “time de anões”

Novo comentário foi feito nos bastidores de uma entrevista em setembro de 2026.

O médico e ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta voltou a fazer comentários relacionados as pessoas com nanismo, que gerou críticas e acusações de capacitismo.

A primeira vez que Mandetta externou capacitismo relacionado ao nanismo foi durante uma participação no podcast Flow, em 2021, quando ele relatou que deixou de embarcar em um avião depois de perceber que uma seleção esportiva de pessoas com nanismo viajaria no mesmo voo.

Entrevistadores e entrevistado riram da situação.

25 de jun. de 2021 – MANDETTA – Flow Podcast 401

O novo episódio ocorreu antes do início de uma live promovida pelo Instituto Brasileiro de Estudos em Saúde (IBES), em 23 de setembro deste ano.

Com o microfone aberto, logo nos primeiros segundos antes do início da entrevista Mandetta falou novamente sobre seu receio de viajar de avião. Após o seu comentário, houve um silêncio entre todos os demais participantes da transmissão.

“Já andei o mundo inteiro dentro de um avião. Mas se tiver alguma coisa estranha acontecendo eu não vou. Outro dia foi embarcar na minha cidade e fiquei na sala de espera…. Daqui a pouco entra um anão. Falei bom, um anão…” comentou Mandetta, antes da transmissão ficar em total silêncio.

O advogado e defensor dos direitos das pessoas com deficiência Wanderley Montanholi, que estava na mesma live do IBES mas não presenciou o momento da fala, pois entrou na transmissão com um pequeno atraso, tomou conhecimento do ocorrido ao receber denúncias de seus seguidores.

“Participei da live, mas não estava presente no momento da fala e só soube quando já havíamos encerrado a gravação. A fala é chocante. É muito difícil tomar conhecimento de que, ainda hoje, com toda a informação que temos à disposição, pessoas tratam deficiência como algo ‘bizarro’, por um viés de superstição como mau augúrio ou como piada. Todo capacitismo impacta todas as pessoas com deficiência. Um caso como esse só reforça que precisamos de mais representatividade nos espaços políticos. Espero que Mandetta se retrate e entenda que esse tipo de fala prejudica pessoas e toda a luta por inclusão que trabalhamos no Brasil”, afirma.

No Brasil, o nanismo é considerado deficiência com base nos critérios gerais da LBI – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015) que estabelece que toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades e não pode sofrer discriminação em razão de sua condição. O próprio Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania define capacitismo como preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, incluindo atitudes e estereótipos que as marginalizam.

O Ministério da Saúde também destaca que as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência não são apenas físicas, mas podem ser atitudinais – justamente as relacionadas a preconceitos, comportamentos e estigmas que dificultam sua participação plena na sociedade.

Para Montanholi, “a discussão ganha dimensão ainda maior quando manifestações desse tipo partem de pessoas que ocupam ou ocuparam posições de destaque na formulação de políticas públicas e no debate nacional sobre saúde e direitos sociais”.

CRÉDITO/IMAGEM: YouTube – Flow Podcast 401

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