No dia 6 de outubro, o mundo celebra o Dia Mundial da Paralisia Cerebral, data criada para ampliar a conscientização sobre a condição e, principalmente, dar visibilidade às pessoas que vivem com ela. A paralisia cerebral pode trazer diferentes graus de comprometimento motor e funcional, mas não determina a capacidade de alguém estudar, trabalhar, praticar esportes, construir uma carreira, formar uma família ou realizar sonhos. “Além de avanços tecnológicos, o diagnóstico e o prognóstico nos dias de hoje têm abordagens mais preventivas, com intervenções precoces e estratégicas. E que contribuem para melhor qualidade de vida, autonomia e inserção social dos pacientes”, diz o médico ortopedista Filipe Barcelos, especializado em paralisia cerebral, do Hospital Albert Einstein. Quatro histórias diferentes ajudam a desconstruir estereótipos.

1- Gabriel Panzuti, de 16 anos, que vive em Belém, enfrentou uma cirurgia de grande porte, em janeiro de 2025, com sete correções ósseas, para recuperar a mobilidade. Ele não conseguia caminhar sequer cinco metros, mas voltou a andar nove meses depois da cirurgia e cumpriu a promessa de percorrer cerca de três quilômetros da comunidade Braz até a Basílica Santuário de Nazaré, em Belém. Técnico eletrônico, ele também já realizou sonhos como conhecer e assistir ao show de Chris Martin, vocalista do Coldplay.

2- Aos 35 anos, Nathalia Blagevitch, de São Paulo, transformou a formação acadêmica em uma trajetória profissional marcada pela persistência diante do preconceito. Graduada em Direito e Psicologia, com pós-graduação em Direito do Trabalho e fluência em inglês, hoje atua na área de RH e também como psicóloga clínica. Usuária de cadeira de rodas em razão de uma paralisia cerebral nível IV do GMFCS ((escala internacional de funcionalidade motora que indica mobilidade reduzida e uso de cadeira de rodas), Nathalia vive atualmente uma jornada pessoal para realizar o sonho de ser mãe solo, com ajuda de uma barriga solidária de aluguel.

3- Em Mogi Guaçu (SP), Bruno Luiz Alexandrino, de 32 anos, encontrou no esporte uma nova maneira de enxergar a própria deficiência. Diagnosticado com paralisia cerebral GMFCS I (grau leve, com dificuldade para velocidade, equilíbrio e coordenação), ele começou a correr em abril de 2026 e, poucos meses depois, participou de uma ultramaratona de seis horas. Agora, prepara-se para correr 21 quilômetros na Corrida Integração, em Campinas, no dia 27 de setembro. Para Bruno, a corrida representa liberdade, inclusão e a possibilidade de descobrir até onde pode chegar.
4 – Luis Henrique Violla, de 13 anos, de São Paulo, tem paralisia cerebral distônica, nível IV, e sua trajetória transformou a mãe, Carol Violla, em comunicadora, palestrante e defensora da inclusão. A mãe conta que um dos maiores desafios no início foi encontrar profissionais capazes de enxergar seu potencial para além das limitações impostas pelo diagnóstico. A experiência também levou Carol a ressignificar o conceito de desenvolvimento e a defender um olhar individualizado e humanizado para pessoas com deficiência. Hoje, ela utiliza sua experiência e conhecimentos em comunicação, desenvolvimento humano e neurociência para acolher outras famílias atípicas.





