Paresp 2026: entenda com o paradesporto transforma vidas das pessoas com deficiência

Paresp 2026: entenda com o paradesporto transforma vidas das pessoas com deficiência

Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo reuniu atletas novatos e veteranos que se reinventaram por meio do esporte

A edição de 2026 dos Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo (Paresp), encerrada no último domingo (27) com o tetracampeonato de São José dos Campos, reuniu, além de grandes competidores, histórias de evolução, garra, persistência, luta e conquistas. As competições envolveram mais de 2,1 mil pessoas, entre atletas e comissão técnica, de 87 municípios. 

O Paresp foi criado pelo Governo de São Paulo em uma parceria das secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e de Esportes para promover a inclusão social e esportiva das pessoas com deficiência física, visual e intelectual, ampliando o acesso à prática esportiva adaptada nos municípios e fortalecendo a cultura do paradesporto.

Uma delas é a do corredor cadeirante Heitor dos Santos, de 42 anos. Representante de Praia Grande, ele já participou de várias edições dos Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo, que antes se chamavam Jogos Regionais e Abertos do Interior.

Heitor é formado em automação industrial, tinha emprego em uma fábrica e lutava taekwondo profissionalmente, mas após ficar paraplégico em um acidente ocorrido há 20 anos, foi obrigado a se aposentar das duas atividades. Na árdua jornada de aceitação de uma nova realidade, foi o paradesporto que o motivou a seguir em frente, quando conheceu o basquete e o atletismo em cadeira de rodas em uma antiga associação esportiva de Santos.

“Mesmo não me tornando um atleta mundial ou paralímpico, o esporte me fez sentir muito mais incluído na sociedade, proporcionando a criação e o cultivo de muitas amizades que levarei para o resto da vida”, disse Heitor.

Ele compete há 13 anos no atletismo paralímpico. “Estive no pódio em todas as edições em que competi e também já representei Campinas, Santos, Santo André e São Bernardo”, contou ele, que ganhou três medalhas nesta edição: ouro nos 400m, prata nos 200m e bronze no revezamento 4×100.

Victor Henrique Martins, de 26 anos, competiu pela primeira vez no Paresp este ano. Ele ganhou ouro nos 200m e bronze nos 400m representando Indaiatuba. Corredor cadeirante, Victor nasceu com mielomeningocele, doença conhecida como Mielo, que consiste em uma má formação congênita causada quando a estrutura do sistema nervoso central não se fecha adequadamente.

Sempre muito incentivado pela família a praticar esportes como capoeira, karatê, judô, basquete e atletismo, seus resultados mostram grande potencial. “Juntando o basquete e o atletismo já tenho entre 40 e 50 medalhas. Meu sonho é representar o Brasil em grandes campeonatos e propiciar condições para minha mãe se aposentar”, projetou o corredor conhecido pelo cabelo comprido que usa por gostar do personagem Lawliet, detetive protagonista do anime Death Note.

A vivência no esporte adaptado motiva atletas como o Heitor e o Victor a sempre buscar pódios, medalhas e troféus, mas, além disso, há uma outra grande recompensa mencionada pelo nadador de São José dos Campos Thales Roberto, que ajudou o município a ser tetracampeão do Paresp com quatro medalhas: ouro nos 200m livre, prata nos 100m livre, 50m costas e bronze nos 50 livre.

“Queremos ver o paradesporto alcançar muito mais pessoas com deficiência e essa é uma luta de todos nós”, disse ele ao final do evento, muito orgulhoso pelo título de São José, que já representa há oito anos. 

Para o secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o Paresp destaca a prática esportiva adaptada como instrumento de inclusão social, promoção da cidadania e valorização dos ideais do movimento paralímpico. “O programa fortalece princípios como respeito, equidade, oferecendo às pessoas com deficiência oportunidades concretas de participação, socialização e desenvolvimento”, diz o secretário. “Ao proporcionar vivências esportivas qualificadas e acessíveis, o Paresp contribui para a formação integral dos participantes e para o fortalecimento do paradesporto no Estado de São Paulo.”

A bicampeã paralímpica no lançamento de disco Beth Gomes não pôde competir por estar se recuperando de lesão, mas marcou presença para apoiar os atletas de Santos e pela satisfação de ver tantos jovens talentosos competindo. 

“Não tive filhos, mas alguns atletas me chamam de mãe e dizem me ver como referência”, contou ela. Beth participa do Paresp desde os anos 2000, quando a competição se chamava Jogos Regionais e Abertos do Interior e coleciona muitas medalhas em provas de pista e campo. “O Estado de São Paulo é uma potência no atletismo paralímpico e, se constituísse um país, ficaria no top 5 de várias competições internacionais”, completou.

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