Quais os principais mitos sobre cannabis medicinal

Quais os principais mitos sobre cannabis medicinal

Especialista esclarece 9 mitos sobre a cannabis medicinal

O uso da cannabis para fins medicinais ocorre há milhares de anos, com registros históricos em civilizações como China e Índia, onde a planta era empregada no tratamento de dor, inflamações e distúrbios neurológicos. Ao longo do século XX, restrições legais limitaram sua pesquisa, mas, nas últimas décadas, houve uma retomada científica relevante, impulsionada pela descoberta do sistema endocanabinoide e sua relação com funções como sono, humor e resposta à dor.

Atualmente, mais de 50 países adotam algum tipo de regulamentação para a cannabis medicinal. No Brasil, o setor vive expansão, com estimativas entre 672 mil e 900 mil pacientes em tratamento e movimentação superior a R$ 1 bilhão ao ano. As principais indicações incluem dor crônica, epilepsia e transtornos mentais, com aumento na prescrição médica e no acesso a produtos regulamentados.

Com o avanço do mercado e da pesquisa, cresce também a necessidade de qualificar o debate público. A disseminação de mitos pode comprometer tratamentos e gerar expectativas irreais. “O principal desafio hoje não é apenas ampliar o acesso, mas garantir que a informação correta chegue à população. A cannabis medicinal tem base científica, mas não é isenta de riscos nem indicada para todos os casos”, afirma Dr. Adam de Lima Alborta, médico clínico geral especialziado em cannabis medicinal.

A seguir, o especialista detalha os principais equívocos sobre o tema:

  1. “É a mesma coisa que maconha recreativa”: a cannabis medicinal utiliza extratos padronizados, com concentração definida de canabinoides como CBD e THC, além de controle de qualidade e prescrição médica. Já o uso recreativo envolve produtos sem padronização, com variação de potência e pureza, o que altera completamente o perfil de segurança e eficácia.
  2. “Não existe comprovação científica”: diversos estudos clínicos, especialmente com canabidiol (CBD), já demonstraram eficácia em condições como epilepsias resistentes, dor crônica e espasticidade. No entanto, nem todas as indicações possuem o mesmo nível de evidência, o que exige avaliação criteriosa e individualizada por parte do médico.
  3. “Por ser natural, é totalmente segura”: o fato de ser uma substância de origem vegetal não elimina riscos. A cannabis atua no sistema nervoso central e pode causar efeitos adversos ou interações medicamentosas. A segurança depende da dose, da formulação e do acompanhamento clínico adequado.
  4. “Não causa efeitos colaterais”: como qualquer substância ativa, pode provocar efeitos como sonolência, tontura, boca seca, alterações de humor e queda de pressão. Em casos mais raros, podem ocorrer ansiedade ou confusão mental. Em ambiente médico, esses efeitos são monitorados e ajustados conforme a resposta do paciente.
  5. “Serve para qualquer doença”: embora atue no sistema endocanabinoide, que regula funções como dor, sono e humor, a cannabis não é indicada para todas as condições. Há evidência consolidada para algumas doenças, enquanto outras ainda estão em fase de estudo, o que exige cautela na prescrição.
  6. “O CBD deixa a pessoa ‘chapada’”: o canabidiol (CBD) não possui efeito psicoativo e não altera a percepção ou a consciência. Esse efeito está associado ao THC. Inclusive, o CBD pode atuar modulando efeitos do THC, sendo utilizado em formulações que buscam equilíbrio terapêutico.
  7. “O THC é apenas recreativo”: o tetrahidrocanabinol (THC) possui propriedades terapêuticas relevantes, como ação analgésica, antiemética e estimulante de apetite. Seu uso é indicado em contextos clínicos específicos, como pacientes em tratamento oncológico ou com dores intensas, sempre com controle médico.
  8. “Substitui todos os outros medicamentos”: na prática clínica, a cannabis medicinal costuma ser utilizada como terapia complementar ou alternativa quando tratamentos convencionais não apresentam resposta adequada. A substituição total de medicamentos sem orientação pode trazer riscos ao paciente.
  9. “É uma cura milagrosa”: a cannabis não atua como cura para a maioria das doenças. Seu principal papel está no controle de sintomas e na melhora da qualidade de vida, como redução da dor, controle de crises e melhora do sono, sem necessariamente tratar a causa da doença.

Para finalizar, o especialista reforça que, assim como qualquer outro medicamento ou tratamento, o uso da cannabis medicinal requer acompanhamento adequado e especializado. “Cada caso é único. É necessário avaliar as condições e necessidades de cada paciente antes de iniciar o uso do canabidiol. Procurar ajuda especializada é fundamental para o sucesso do tratamento”, conclui.

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