Repercute trecho da entrevista de Silvia Abravanel em um podcast, quando ela afirma que pessoas com deficiência tem ‘muitos direitos e regalias’ e sobre vendas e compras de laudos para diagnóstico de TEA. Nas redes sociais entidades e famílias atípicas revelam indignação. Abravanel respondeu também pelas redes sociais
A participação de Silvia Abravanel no podcast Café com Ferri, publicado em 11 de agosto de 2026 vem repercutindo em todo o Brasil, principalmente nas redes sociais, com comentários e críticas sobre a posição da filha do Silvio Santos e candidata nas eleições de 2026.
O ponto que está gerando reação é especialmente delicado porque Silvia é mãe de uma pessoa com deficiência e, vinha se apresentando no cenário político como defensora dos direitos das pessoas com deficiência e autistas. Ela havia declarado que sua experiência como mãe de uma pessoa com deficiência era uma das razões para entrar na política.
“Eu tenho causas a defender, que eu já vivi, de experiências próprias, que são os PCDs. Eu sou mãe de PCD, de uma, eu posso dizer, ‘adulta-criança’. Então eu acho que eu tenho muito a acrescentar na vida dessas pessoas com as minhas experiências, do que eles precisam. Por mais que eu tenha condições, do que me faltou, dos lugares que eu fui com a Luana, do que eu vivenciei”, disse em entrevista ao Metropoles.
Durante a entrevista, Silvia afirma que “pessoas com deficiência tem muitos direitos” e “certas regalias”.
Ela também faz comentário sobre a venda e compra de laudos para o diagnóstico de TEA – Transtorno do Espectro Autista.
Isso provocou uma reação particularmente forte porque “regalia” transmite a ideia de privilégio ou benefício concedido a alguém, enquanto os direitos das pessoas com deficiência decorrem de legislação e de políticas destinadas a enfrentar desigualdades e barreiras.
Há, inclusive, manifestações nas redes questionando diretamente: “Quais são as regalias?” e defendendo que não existe “regalia” em ser pessoa com deficiência.
Uma das publicações – feitas no Instagram @autismoinfoco_tea, já são mais de 2 mil comentários.
https://www.instagram.com/reel/DcCTrjSphUE/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=MzRlODBiNWFlZA==

Pelas redes sociais, Silvia Abravanel escreveu que “existem pessoas que são de Deus que são humanas que são luz . Pessoas que nos abraçam com palavras vindos do coração ao invés de nos apedrejarem , nos julgarem , nos diminuírem para se sentirem a mais ou melhores , sem ao menos conhecer nossa história, calçarem nossos sapatos e percorrerem nossa caminhada . Pessoas que nunca fizeram nada pelo próximo a não ser julgamentos ou críticas . Pessoas que não sabem nem os porquês nem os o que ou a quem ,mas se dão o direito de falarem mais do que deviam”. Ela se referiu a um vídeo de apoio feito por outro candidato nas eleições de 2026.







Uma resposta
As declarações de Silvia Abravanel sobre pessoas com deficiência terem “muitos direitos” e “certas regalias” provocaram reação — especialmente porque vieram acompanhadas de comentários sobre compra e venda de laudos para diagnóstico de autismo.
Há, porém, um contraste que merece reflexão.
A família Abravanel já trava há algum tempo uma disputa judicial envolvendo milhões de reais em tributos sobre a herança de Silvio Santos. Recentemente, esse processo ganhou um novo capítulo, com a determinação de uma perícia independente.
E não há nada de errado nisso.
Se a família entende que determinado imposto não é devido ou que os cálculos estão incorretos, tem todo o direito de contratar advogados, produzir provas, discutir valores e recorrer ao Judiciário.
Isso não é “regalia”.
É exercício de um direito.
E é exatamente por isso que a expressão utilizada em relação às pessoas com deficiência é tão problemática.
Quando uma pessoa com deficiência requer uma isenção prevista em lei, apresenta seus documentos ou procura a Justiça contra um indeferimento, também está exercendo direitos.
Se existem laudos falsos, investiguem-se os responsáveis. Se houve fraude, que ela seja comprovada e punida.
O que não se pode admitir é transformar a existência de eventuais fraudadores em suspeita generalizada contra pessoas com deficiência.
Como advogado, não critico a família Abravanel por discutir seus impostos. Seria incoerente. O direito de questionar uma cobrança tributária pertence a qualquer cidadão.
A reflexão é outra:
por que, quando uma família discute milhões de reais em impostos, chamamos corretamente isso de exercício de um direito, mas quando uma pessoa com deficiência busca uma isenção legal surge a palavra “regalia”?
Direito não muda de natureza conforme o patrimônio de quem o exerce.
Fraude deve ser combatida com prova.
E direitos das pessoas com deficiência devem ser tratados como aquilo que são: direitos.