Campanha quer estimular uso e o descarte responsáveis de antibióticos

Campanha quer estimular no público o uso e o descarte responsáveis de antibióticos

Medidas incluem ações simples e cotidianas, como perguntar ao médico se realmente precisa tomar remédio e não interromper o tratamento

Os antimicrobianos são uma categoria de medicamentos utilizados para prevenir e tratar infecções em humanos, animais e plantas. Eles incluem antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários.

resistência antimicrobiana ocorre quando bactérias, fungos, parasitas ou vírus evoluem de forma a tornar ineficazes os tratamentos desenvolvidos para combatê-los. Esse mecanismo favorece o surgimento de infecções resistentes aos medicamentos, o que acaba tornando muito mais difícil (se não impossível) tratar e curar as infecções.

O aumento global da resistência antimicrobiana também leva a um aumento de condições potencialmente fatais, como a sepse, que é uma reação exagerada e grave do organismo a uma infecção.

Uma análise do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde constatou que 171 mil pessoas morreram no Brasil de causas relacionadas à resistência antimicrobiana em 2019. Globalmente, o número de mortes associadas à resistência antimicrobiana (RAM), segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), deverá chegar a 10 milhões por ano até 2050.

Apesar desses números, um em cada 3 adultos não sabe o que é a resistência antimicrobiana (RAM) e 48% desconhecem que a sepse é uma complicação potencial (reação exagerada e grave a uma infecção no organismo), conforme levantamento da Sepsis Alliance.

Muitas pessoas não sabem que a forma como tomam e descartam os antibióticos pode agravar o problema da resistência antimicrobiana em todo o mundo. Nesse contexto, a campanha lançada no Brasil pelo Instituto Latino-americano de Sepse (ILAS), em colaboração com a Sepsis Alliance e a UK Sepsis Trust, patrocinado pela bioMérieux e pela Pfizer, que acontece até 31 de janeiro de 2025, visa ajudar a população a compreender como ações cotidianas podem ajudar a enfrentar o desafio crescente da resistência antimicrobiana.

“A resistência antimicrobiana não é um problema futuro, está presente hoje. E, sem antibióticos eficazes, o tratamento da sepse torna-se extremamente difícil”, afirma a Dra. Daniela Carla de Souza, pediátrica e presidente do ILAS. A médica destaca que o Brasil tem elevadas taxas de uso de antibióticos. “São medicações importantes, mas nem todo uso é seguro ou necessário. Por isso, por meio da nossa campanha ‘Não tome de forma errada’, estamos trabalhando para conscientizar a população sobre a resistência antimicrobiana”, complementa.

De acordo com Daniela, a expectativa é colaborar para que as pessoas compreendam quais são os cuidados diários indicados para utilizar os antibióticos de forma adequada. “Isso inclui verificar com o médico se a pessoa realmente precisa de antibióticos, terminar o tratamento completo, conforme prescrito, e descartar os antibióticos de maneira responsável”, explica a médica.

A campanha ‘Não tome de forma errada’ é liderada pelo UK Sepsis Trust, pela Sepsis Alliance e pelo Instituto Latino-americano de Sepse (ILAS), com apoio da Pfizer e da bioMérieux. Mais informações podem ser encontradas no site: Link.

A campanha tem três pontos principais:

  1. Falar com o profissional de saúde para saber se precisa ou não de antibióticos, uma vez que os testes de diagnóstico podem ajudar. Antibióticos não são indicados para todas as doenças e não funcionam para infecções virais, por exemplo. Os testes de diagnóstico podem ajudar os médicos a determinarem se a infecção é causada por uma bactéria ou não.
  1. Terminar o tratamento completo e tomar exatamente como prescrito, sempre. Pode ser tentador parar de tomar os medicamentos assim que o paciente se sente melhor, mas é importante fazer o tratamento completo para garantir que as bactérias que causam a doença foram totalmente tratadas. Quando o paciente interrompe o tratamento ou não toma o antibiótico na dose correta e na hora correta, corre o risco de torná-los ineficazes para todos.
  1. Eliminar os antibióticos não utilizados de forma responsável e nunca os partilhar com outras pessoas. É importante descartar os antibióticos não utilizados em uma farmácia e nunca no lixo comum, pia ou vaso sanitário, pois tal ato pode levar a fugas de antibióticos para o ambiente (por exemplo, rios e solos), agravando a RAM.

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