Empresas têm papel estratégico no enfrentamento da violência contra a mulher

Empresas têm papel estratégico no enfrentamento da violência contra a mulher

O ambiente corporativo tem se consolidado como espaço estratégico na promoção de proteção e acolhimento às mulheres em situação de agressão. Esse foi o foco da palestra “Do discurso à prática: empresas no enfrentamento da violência contra a mulher”, realizada em 18 de março, pelo Coexistir, programa voltado à inclusão e diversidade do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga-SP), no auditório da entidade.

O encontro reuniu profissionais, lideranças e especialistas para discutir como o ambiente corporativo pode atuar de forma ativa na identificação, acolhimento e encaminhamento de situações de violência.

A iniciativa integrou as ações do programa Coexistir e teve como objetivo ampliar o debate sobre a responsabilidade das organizações na construção de ambientes de trabalho mais seguros e atentos às necessidades das colaboradoras. Durante a abertura, foi destacado que a violência contra a mulher não se restringe ao ambiente doméstico, mas representa um desafio social que exige atuação conjunta de instituições públicas, privadas e da sociedade.

“Acreditamos muito no papel pedagógico que temos dentro dos ambientes de trabalho e no quanto eles podem contribuir para que as pessoas aprendam, tenham conhecimento e mudem comportamentos. É dentro das empresas que muitas vezes conseguimos promover mudanças de cultura”, destacou Maria de Fátima e Silva, coordenadora do programa Coexistir.

A programação contou com apresentações de Mônica Taline, psicóloga do posto avançado de atendimento da Casa da Mulher Brasileira na Estação Santa Cecília do Metrô, e Fernanda Cabral, advogada e gerente dos equipamentos dos Postos Descentralizados e da Unidade Móvel da instituição. As especialistas compartilharam experiências práticas do atendimento às mulheres em situação de violência e reforçaram que a informação é ferramenta essencial para romper o ciclo da violência.

Segundo Fernanda Cabral, muitas mulheres que vivenciam situações de violência enfrentam dificuldades para reconhecer o problema e buscar ajuda. “A mulher que está em situação de violência muitas vezes não consegue enxergar possibilidades. Ela acredita que não existe saída. Nosso papel é mostrar que existe um caminho e que ela não está sozinha”, afirmou.

A advogada explicou que a Casa da Mulher Brasileira oferece atendimento multidisciplinar, reunindo diversos serviços em um único espaço para garantir acolhimento integral às vítimas. “Quando essa mulher chega até nós, ela encontra apoio psicológico, orientação jurídica e atendimento social. A ideia é que ela não saia dali mais desinformada ou desamparada do que chegou”, ressaltou.

Fernanda Cabral também enfatizou que a autonomia financeira é fator determinante para que a mulher consiga romper com o ciclo de violência. “A gente acredita que a mulher consegue sair do ciclo de violência quando ela tem um trabalho e consegue ganhar o próprio dinheiro. Muitas vezes, a dependência econômica é o principal motivo que faz com que ela permaneça nessa situação”, destacou.

Durante a palestra, a especialista apresentou exemplos reais de atendimento que evidenciam a gravidade e a complexidade da violência doméstica, reforçando a importância de uma rede de apoio estruturada. “As mulheres que chegam até nós muitas vezes estão em situação de risco iminente de morte. Às vezes, uma palavra, um acolhimento ou uma orientação já faz toda a diferença para que ela consiga recomeçar”, relatou.

A psicóloga Mônica Taline destacou que a violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas e nem sempre é identificada de imediato. “A violência não está só na agressão física. Ela pode começar com humilhações, ameaças, controle sobre a roupa, sobre o dinheiro ou sobre as relações sociais. Muitas vezes, esses comportamentos vão sendo naturalizados”, explicou.

A especialista ressaltou ainda que a disseminação de informação é fundamental para ampliar o acesso aos serviços de proteção e reduzir o desconhecimento sobre os mecanismos de apoio. “Muita gente desconhece que esses serviços existem. Por isso, a gente vai até as empresas e instituições para divulgar o trabalho e mostrar que qualquer pessoa pode ser a porta de entrada para ajudar uma mulher em situação de violência”, afirmou.

Outro ponto destacado foi o papel das empresas na identificação de sinais de violência entre colaboradoras e na criação de um ambiente de apoio e escuta. “Às vezes, tem uma funcionária do seu lado que está passando por situações muito difíceis e a gente não percebe. Por isso, as empresas precisam desenvolver um olhar atento e sensível”, alertou Fernanda Cabral.

As palestrantes também reforçaram que o enfrentamento da violência contra a mulher exige mudança cultural e educação desde a infância, envolvendo famílias, instituições e a sociedade.

“O que a gente pode fazer para mudar essa realidade é educação. Ensinar desde cedo que respeito não é opção, é obrigação. É assim que construímos uma sociedade mais justa”, concluiu a advogada.

A palestra reafirmou o compromisso das empresas e instituições com a promoção de ambientes de trabalho mais seguros, inclusivos e atentos às questões sociais, demonstrando que o enfrentamento da violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva e permanente.

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