Brasil na Copa e um alerta: o impacto de fogos de artifícios em pessoas autistas e com deficiência, idosos e para os animais

Estreia do Brasil na Copa e um alerta: o impacto de fogos de artifícios em pessoas autistas e com deficiência, idosos e para os animais

Com a aproximação dos grandes jogos, aumentam as preocupações de famílias que ‘sonham’ com a importância de comemorações conscientes e sem ruídos excessivos.

Cada Copa do Mundo, milhões de torcedores saem às ruas para comemorar gols, celebrar vitórias e demonstrar sua paixão pelo futebol.

Entre buzinas, festas e fogos de artifício, um alerta vem ganhando força entre especialistas em saúde, famílias e organizações ligadas à inclusão: o impacto dos ruídos intensos sobre pessoas autistas, idosos e pessoas com deficiência.

Embora para muitos os fogos representem apenas um símbolo de comemoração, para uma parcela significativa da população eles podem significar momentos de medo, sofrimento e crise emocional.

Segundo especialistas, o estampido provocado pelos fogos de artifício pode desencadear reações severas em pessoas com TEA – Transtorno do Espectro Autista, especialmente naquelas que apresentam hipersensibilidade auditiva.

Nesses casos, o cérebro processa determinados sons de forma muito mais intensa. O que para uma pessoa pode ser apenas um barulho forte, para outra pode ser uma experiência extremamente angustiante.

Crises e sofrimento emocional

Durante eventos esportivos de grande repercussão, como a Copa do Mundo, muitas famílias relatam episódios de ansiedade, pânico, agitação e desorganização emocional provocados pelos fogos de artifício.

Em alguns casos, crianças autistas podem apresentar crises comportamentais, choro intenso, dificuldade para dormir e necessidade de intervenção dos familiares para restabelecer a sensação de segurança.

O problema não afeta apenas pessoas autistas.

Idosos com doenças neurológicas, transtornos cognitivos, Alzheimer, Parkinson ou problemas cardíacos também podem sofrer consequências decorrentes dos sustos provocados pelos ruídos repentinos.

Bebês, pessoas com deficiência intelectual, indivíduos com transtornos sensoriais e animais domésticos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do barulho excessivo. O sofrimento é também para animais, que muitas vezes fogem dos lares e se perdem pelas cidades.

Inclusão também passa pela forma de comemorar

Nos últimos anos, diversas cidades brasileiras passaram a discutir alternativas para reduzir os impactos causados pelos fogos tradicionais.

Uma das soluções que vêm sendo adotadas em eventos públicos é a utilização de fogos silenciosos ou de baixo impacto sonoro, que mantêm os efeitos visuais sem provocar explosões intensas.

A medida tem sido defendida por organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, associações de familiares de pessoas autistas e entidades ligadas à proteção animal.

Para esses grupos, a inclusão não deve estar restrita apenas à acessibilidade física ou à garantia de direitos legais, mas também ao respeito às necessidades sensoriais de milhões de cidadãos.

Um gesto simples pode fazer diferença

Especialistas destacam que a conscientização da população é fundamental para reduzir os impactos durante grandes eventos esportivos.

A orientação é que torcedores optem por formas de comemoração menos agressivas do ponto de vista sonoro, evitando fogos com estampidos de alta intensidade, especialmente em áreas residenciais.

A proposta não é acabar com a celebração, mas promover uma cultura de respeito e empatia.

Afinal, enquanto uma partida de futebol dura apenas algumas horas, os efeitos de uma crise sensorial podem permanecer por muito mais tempo para quem convive com a hipersensibilidade auditiva.

Copa para todos

À medida que o mundo discute inclusão e acessibilidade em diferentes ambientes, cresce também a reflexão sobre o papel da sociedade na construção de espaços mais acolhedores.

Durante a Copa do Mundo, a paixão pelo esporte pode caminhar lado a lado com a responsabilidade social.

Para especialistas e entidades de defesa das pessoas com deficiência, a mensagem é simples: comemorar é importante, mas garantir que todos possam viver esse momento com segurança, respeito e dignidade é ainda mais importante.

Uma Copa verdadeiramente inclusiva é aquela em que a alegria de alguns não se transforma no sofrimento de outros.

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