OPINIÃO
- * Por Abrão Dib
Há uma linha que separa quem está na linha de frente, construindo, defendendo e lutando por direitos, daqueles que preferem permanecer nas sombras, esperando o momento propício para colher o que não plantaram.
São pessoas que se acovardam diante do combate, que fogem quando é preciso apresentar coragem, que se escondem por tempos e preferem agir como abutres: observam tudo de longe, esperam o esforço alheio se concretizar e então se aproximam para aproveitar cada conquista, cada avanço, cada reconhecimento que não ajudaram a construir.
Não são capazes de enfrentar a luta de frente.
Não suportam o peso da responsabilidade, o risco, o confronto necessário para transformar realidades.
Mas, ao mesmo tempo, parecem sofrer de uma espécie de insanidade: querem usufruir de tudo o que os outros conquistaram, como se também fossem seus méritos. Aproveitam-se de cada esforço, de cada vitória, de cada nome e reputação construídos com dedicação por quem não recuou diante das dificuldades.
Mas o mundo ensina — e ensina com uma clareza que o tempo não apaga. Cada vez, os que lutam com firmeza se tornam ainda mais fortes. Cada batalha enfrentada, cada obstáculo superado, cada passo dado com coragem amplia a força de quem não se esconde.
Já os covardes… estes, ao evitarem o confronto, ao se ocultarem quando a presença é necessária, só se tornam ainda mais covardes.
A fraqueza cresce na sombra. A coragem se fortalece na luz.
Essa não é uma lição que se aprende apenas com o tempo. É uma lição que vem do berço.
Aprendemos muito jovem que a dignidade não se herda de graça: se constrói com a frente erguida, com a palavra assumida, com a disposição de lutar lado a lado, mesmo quando a caminhada é difícil. Aprendemos que o reconhecimento tem valor apenas quando se paga o preço da presença, da constância e da coragem.
Quem foge do combate pode até aproveitar o momento por algum tempo.
Mas a vida cobra: a força não se encontra escondida atrás de outrem.
E um dia, quando a sombra já não proteger, será tarde para tentar caminhar com passos que nunca foram treinados.
Os fortes se fortalecem na luta. Os covardes se perdem na fuga.
E a história sempre pertence a quem teve coragem de enfrentar, não a quem esperou para aproveitar.
- Abrão Dib é jornalista profissional diplomado, editor do Diário PcD e presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência




