OPINIÃO
- * Por Jairo Varella Bianeck

As declarações de Silvia Abravanel sobre pessoas com deficiência terem “muitos direitos” e “certas regalias” provocaram reação — especialmente porque vieram acompanhadas de comentários sobre compra e venda de laudos para diagnóstico de autismo.
Há, porém, um contraste que merece reflexão.
A família Abravanel já trava há algum tempo uma disputa judicial envolvendo milhões de reais em tributos sobre a herança de Silvio Santos. Recentemente, esse processo ganhou um novo capítulo, com a determinação de uma perícia independente.
E não há nada de errado nisso.
CONFIRA: Silvia Abravanel afirma que pessoas com deficiência têm muitos direitos e regalias e sofre críticas nas redes sociais – https://diariopcd.com.br/silvia-abravanel-afirma-que-pessoas-com-deficiencia-tem-muitos-direitos-e-regalias-e-sofre-criticas-nas-redes-sociais/
Se a família entende que determinado imposto não é devido ou que os cálculos estão incorretos, tem todo o direito de contratar advogados, produzir provas, discutir valores e recorrer ao Judiciário.
Isso não é “regalia”.
É exercício de um direito.
E é exatamente por isso que a expressão utilizada em relação às pessoas com deficiência é tão problemática.
Quando uma pessoa com deficiência requer uma isenção prevista em lei, apresenta seus documentos ou procura a Justiça contra um indeferimento, também está exercendo direitos.
Se existem laudos falsos, investiguem-se os responsáveis. Se houve fraude, que ela seja comprovada e punida.
O que não se pode admitir é transformar a existência de eventuais fraudadores em suspeita generalizada contra pessoas com deficiência.
Como advogado, não critico a família Abravanel por discutir seus impostos. Seria incoerente. O direito de questionar uma cobrança tributária pertence a qualquer cidadão.
A reflexão é outra:
por que, quando uma família discute milhões de reais em impostos, chamamos corretamente isso de exercício de um direito, mas quando uma pessoa com deficiência busca uma isenção legal surge a palavra “regalia”?
Direito não muda de natureza conforme o patrimônio de quem o exerce.
Fraude deve ser combatida com prova.
E direitos das pessoas com deficiência devem ser tratados como aquilo que são: direitos.

- Jairo Bianeck é advogado, militante do campo progressista e Defensor dos Direitos das Pessoas com Deficiência
@jairovbianeck.adv – Instagram
(44) 99106-2914
CRÉDITO/IMAGEM: https://www.cnnbrasil.com.br/






