Dez anos depois dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro se consolidou como um dos principais legados deixados pela competição para o esporte nacional. Inaugurado em 23 de maio daquele ano, poucos meses antes do megaevento, o complexo localizado na zona sul de São Paulo tornou-se referência para treinamentos, competições e desenvolvimento de atletas, além de palco para grandes marcas do paradesporto brasileiro e mundial.
A construção do CT Paralímpico foi oficializada em janeiro de 2013, dentro do planejamento para os Jogos Rio 2016. O investimento, em valores de 2016, chegou a R$ 264,272 milhões, sendo R$ 149,630 milhões do Governo Federal, por meio do Plano Brasil Medalhas, e R$ 114,642 milhões do Governo do Estado de São Paulo. A estrutura possui 95 mil m² de área construída e foi criada com o objetivo de oferecer condições de alto rendimento e contribuir para a massificação do esporte paralímpico no país.
O espaço também teve participação direta na preparação brasileira para os Jogos Rio 2016. Às vésperas da competição, o CT recebeu a concentração e a aclimatação de grande parte da delegação nacional que disputaria os Jogos no Rio de Janeiro. Em maio daquele ano, o local ainda estava sendo inaugurado quando já começava a fazer parte da rotina dos principais atletas paralímpicos brasileiros.
Uma casa para o esporte paralímpico
Ao longo da década seguinte, o CT passou a funcionar como uma espécie de casa do esporte paralímpico brasileiro. O complexo conta atualmente com instalações indoor e outdoor para treinamentos, competições e intercâmbios em 20 modalidades: atletismo, basquete, rúgbi e tênis em cadeira de rodas, badminton, canoagem, ciclismo, paraesgrima, bocha, natação, futebol de cegos, futebol PC, goalball, halterofilismo, judô, remo, tênis de mesa, taekwondo, triatlo e vôlei sentado.
Além das áreas esportivas, o complexo possui centro de medicina e ciência do esporte, academia, espaços de fisioterapia, alojamentos com capacidade para cerca de 300 pessoas, refeitório, lavanderia e áreas administrativas. A sede do Comitê Paralímpico Brasileiro também funciona no local, onde atuam mais de 500 profissionais de diferentes áreas.
A estrutura permitiu que atletas passassem a concentrar em um mesmo espaço diferentes etapas da preparação esportiva. Treinamento, competição, hospedagem, alimentação, recuperação física e acompanhamento científico passaram a fazer parte de um mesmo ambiente, reduzindo a necessidade de deslocamentos e oferecendo condições próximas às encontradas em grandes eventos internacionais.
67 recordes mundiais em dez anos
Os resultados produzidos no CT ajudam a dimensionar o impacto da estrutura. Desde sua inauguração, o complexo foi palco de 67 recordes mundiais estabelecidos em provas realizadas na pista, na piscina e no campo.
Um dos atletas que mais se beneficiou da estrutura foi o paraibano Petrúcio Ferreira. Em março de 2022, o velocista estabeleceu no CT dois recordes mundiais em menos de 24 horas: correu os 100 metros da classe T47 em 10s29 e, no dia seguinte, completou os 200 metros em 20s83.
A paulista Beth Gomes também construiu parte importante de sua trajetória no complexo. Ela é a atleta que mais vezes estabeleceu recordes mundiais no local: foram 17 marcas ao longo dos anos. Na natação, o mineiro Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, soma oito recordes mundiais no CT.
A estrutura também foi palco do primeiro recorde mundial registrado no complexo, estabelecido pela mato-grossense Silvania Costa no salto em distância, em julho de 2016.
A geração mais jovem também já começou a escrever sua história no local. Em dezembro de 2025, a paulista Alessandra Oliveira, então com 17 anos, estabeleceu o recorde mundial dos 100 metros peito da classe SB4, tornando-se dona da marca mundial mais recente registrada no CT.
Do Rio 2016 a Paris 2024
O crescimento do CT Paralímpico ocorreu paralelamente à evolução dos resultados brasileiros nos Jogos. Em 2016, competindo em casa, o Brasil conquistou 72 medalhas — 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze — e terminou na oitava colocação do quadro de medalhas. O resultado superou o recorde anterior do país, de 47 pódios, estabelecido em Pequim 2008.
Em Tóquio 2020, o Brasil voltou a conquistar 72 medalhas, mas aumentou o número de ouros para 22 , terminando os Jogos na sétima colocação. Quatro anos depois, em Paris 2024, veio o maior resultado da história: foram 88 medalhas — 25 de ouro, 25 de prata e 38 de bronze —, além do inédito quinto lugar no quadro geral.
A evolução também aparece no número de medalhas acumuladas. Em Rio 2016, o Brasil chegou a 301 pódios em sua história nos Jogos Paralímpicos. Em Paris 2024, o país alcançou a marca de 400 medalhas durante a competição — e terminou o evento com 462 pódios acumulados.
O CT Paralímpico faz parte desse processo de transformação. Mais do que uma obra construída para atender ao ciclo olímpico e paralímpico de 2016, o complexo permaneceu em funcionamento e passou a sustentar ciclos sucessivos de preparação de atletas, competições nacionais e internacionais e formação de novas gerações.
Um legado que continua em construção
A vocação do CT para receber grandes eventos também se consolidou ao longo dos anos. Em 2017, o complexo sediou os Jogos Parapan-Americanos de Jovens. Desde então, recebeu etapas de circuitos nacionais, competições internacionais e períodos de treinamento de atletas e seleções de diferentes países. Em 2026, a programação inclui eventos internacionais de atletismo, tênis de mesa, badminton, rúgbi em cadeira de rodas, futebol de cegos, paraesgrima e bocha.
O espaço também segue passando por investimentos para acompanhar as exigências do esporte de alto rendimento. Em agosto de 2026, o CPB iniciou a reforma completa da pista de atletismo, com previsão de conclusão em fevereiro de 2027. O projeto prevê a substituição do piso para adequação à Certificação Classe I da World Athletics, além da modernização de estruturas do entorno e da pista indoor. Após a conclusão e homologação, a pista deverá receber nova certificação internacional, permitindo a realização de competições e a homologação de recordes.
A reforma é um exemplo de como o legado dos Jogos Rio 2016 não ficou restrito às estruturas construídas para aquela edição. Dez anos depois, o CT Paralímpico continua sendo ampliado, modernizado e utilizado por atletas de diferentes gerações.
O complexo que nasceu às vésperas dos Jogos realizados no Brasil se tornou, ao longo de uma década, parte permanente da infraestrutura esportiva nacional. Entre recordes mundiais, medalhas, competições internacionais e novos talentos, o CT Paralímpico representa um dos exemplos mais concretos de como uma estrutura criada para um grande evento pode permanecer produzindo resultados muito depois do encerramento da competição.
FONTE: Assessoria de Comunicação e Imprensa do CPB – Comitê Paralímpico Brasileiro
CRÉDITO/IMAGEM: Vista aérea do CT Paralímpico, na Zona Sul de São Paulo. Foto: William Lucas/CPB





