Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: como o esporte abre caminhos para crianças e jovens

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: como o esporte abre caminhos para crianças e jovens

Nos dez anos do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o marco do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/09) e do Dia do Atleta Paralímpico (22/09) reforça o papel transformação do esporte adaptado na autoconfiança e no fortalecimento dos laços comunitários

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, seguido imediatamente pelo Dia do Atleta Paralímpico, em 22 de setembro, vai muito além de datas no calendário. A sequência dessas celebrações reforça de forma potente a importância da inclusão social e do esporte adaptado, servindo como um convite para olhar com atenção para o que já conquistamos e, principalmente, para o tanto que ainda precisamos caminhar juntos por respeito, autonomia e igualdade. Em 2026, esse momento é ainda mais marcante: a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), nosso Estatuto da Pessoa com Deficiência, completa dez anos de vigência.

“Quando a gente pensa em inclusão no dia a dia, poucas coisas acolhem e aproximam tanto quanto o esporte. Entrar em quadra, trocar um passe ou treinar em equipe gera um impacto real. Vai muito além da saúde física: fortalece a autoestima, cria amizades verdadeiras e ajuda cada um a perceber até onde pode chegar”, diz Eliane Miada.

Essa energia move a Associação Desportiva para Deficientes (ADD) há três décadas. Fundada em 1996 por Steven Dubner e Eliane Miada, a instituição acompanha de perto a caminhada de cada praticante — dos primeiros passos ao alto rendimento —, usando o esporte para acolher e mudar vidas.

Atualmente, o programa de iniciação da ADD atende crianças e jovens de 6 a 29 anos, oferecendo atividades esportivas adaptadas e acompanhamento profissional. Ao longo de sua trajetória, a associação já beneficiou mais de 64 mil pessoas e impactou cerca de 2 milhões por meio de seus programas e palestras.

Para Eliane Miada, fundadora e presidente do Conselho da ADD, os avanços proporcionados pela legislação precisam estar acompanhados de oportunidades concretas para que as pessoas com deficiência possam exercer seus direitos.

“Comemorar dez anos do Estatuto é muito importante, sim, porque A lei representa uma conquista fundamental, mas o nosso grande desafio é fazer essa conquista acontecer de verdade na rotina de cada família”, conta Eliane Miada “A gente vê isso bem de perto no treino: aquela criança que chega tímida logo se solta, ganha confiança, aprende a se virar melhor nas coisas do dia a dia e cria amizades de verdade. É uma mudança que toca o coração de todo mundo em volta.”

Do direito garantido à oportunidade

A Lei Brasileira de Inclusão estabeleceu uma série de direitos voltados à promoção da igualdade e à inclusão da pessoa com deficiência. Entre eles está o acesso à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer, reforçando a importância de criar condições para a participação plena na sociedade.

Na vida real, longe do papel, esse caminho ainda exige dedicação. Garantir um local acessível, equipamentos adequados e professores preparados para acolher diferentes necessidades faz toda a diferença entre ter um direito previsto na legislação e viver essa oportunidade na prática.

É aí que a iniciação esportiva faz a diferença. Ao experimentar um esporte e se divertir com os colegas, os jovens descobrem do que são capazes e enxergam novas possibilidades.

“Quando um aluno entra aqui na ADD, a transformação não fica só dentro da quadra”, lembra Eliane. “Ele passa a se enxergar de um jeito diferente, sabe? Ganha coragem para ocupar o espaço dele, para enfrentar as dificuldades de cabeça erguida. E o mais bonito é ver a família percebendo isso junto. O olhar dos pais muda quando eles percebem que o filho pode ocupar espaços que, muitas vezes, nem imaginavam.”

O esporte como caminho para o futuro

Na ADD, modalidades como atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha paralímpica e vôlei sentado fazem parte de um caminho que pode começar na iniciação e ir até o alto rendimento. A associação também mantém a equipe de basquete em cadeira de rodas ADD Magic Hands e realiza ações de formação e conscientização por onde passa.

A vivência da instituição mostra que dar acesso ao esporte é, também, abrir horizontes. Para muitos jovens, a prática esportiva é o primeiro momento em que suas habilidades são realmente reconhecidas e estimuladas em grupo.

Por isso, falar do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é falar sobre presença, escuta e oportunidades reais. O verdadeiro progresso acontece quando crianças, jovens e adultos têm as condições certas para desenvolver seus talentos e construir o futuro que desejam.

“Ter uma lei forte ajuda demais, dá a direção. Mas a lei precisa ganhar vida, sabe? Precisa virar oportunidade no bairro, na escola, no clube”, reforça Eliane. “Se a gente quer um futuro mais justo, tem que continuar acreditando e apostando no esporte adaptado, na educação e no protagonismo de cada pessoa com deficiência.”

Corrida para todos: Super Humans 2026 no dia 20 de setembro

Para trazer essa mensagem de inclusão para as ruas, a ADD participará da corrida Super Humans 2026 no dia 20 de setembro, um domingo, na Praça Heróis da FEB, em Santana, na zona norte de São Paulo. O evento contará com provas de 5 km e 10 km, reunindo atletas com e sem deficiência em uma celebração que reforça que  vo esporte é, acima de tudo, um direito de todos. Mais do que uma competição, a iniciativa é um convite para ocuparmos a cidade lado a lado. Informações sobre o horário de largada e inscrições serão divulgadas em breve no site: https://www.circuitosuperhumans.com.br/sao-paulo/unica.

Sobre a ADD


A Associação Desportiva para Deficientes (ADD), fundada em 1996 por Steven Dubner e Eliane Miada, promove a melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência por meio do esporte, desde a iniciação até o alto rendimento. Entre suas principais modalidades estão atletismo, basquete em cadeira de rodas (com a equipe multicampeã ADD Magic Hands), bocha paralímpica e vôlei sentado. Com quase três décadas de atuação, a ADD já atendeu mais de 14 mil pessoas, conta com cerca de 300 voluntários por ano, realizou mais de 5 mil palestras e impactou aproximadamente 2 milhões de pessoas com seus programas.

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