Diário PcD já havia anunciado a desistência das candidatas Isabelle Passinho e Dryka Cruz. Agora Ivan Baron e Andrea Pontes também desistem das disputas eleitorais.
A cinco dias do primeiro turno das Eleições 2026, a participação de nomes diretamente ligados à pauta das pessoas com deficiência registra uma nova mudança. Ivan Baron anunciou nesta terça-feira, 29 de setembro, a desistência de sua candidatura a deputado estadual pelo PT no Rio Grande do Norte.
Andréa Pontes, candidata a deputada distrital pelo PL no Distrito Federal, também anunciou nesta terça-feira (29) a retirada de sua candidatura: a paratleta e usuária de cadeira de rodas relatou barreiras de acessibilidade durante a campanha.
A decisão atualiza uma situação que vinha sendo acompanhada pelo Diário PcD desde julho deste ano. Ivan já havia cogitado abandonar a disputa diante das dificuldades enfrentadas durante a campanha, especialmente relacionadas aos recursos financeiros. Na ocasião, depois de uma reunião com sua equipe, decidiu permanecer na eleição, reorganizando a campanha e reduzindo sua estrutura.
Anteriormente havia sido divulgada a renúncia de Isabelle Passinho, advogada com atuação na área da acessibilidade, concorreria a deputada federal pelo MDB no Maranhão.
Outra desistência de disputar as eleições foi de Dryka Cruz, fundadora da Associação Mães que Cuidam e que Transformam e mãe atípica, que anunciou que não prosseguiria com sua candidatura a deputada estadual pelo PSDB em Minas Gerais. Na comunicação divulgada à época, ela apontou falta de verba e apoio estrutural como motivos para a decisão
Com isso, o levantamento realizado pelo Diário PcD que apontava 126 candidaturas ligadas à pauta da deficiência passa a contar com somente 124 nomes.
Confira: EXCLUSIVO: Diário PcD atualiza levantamento e identifica 126 candidaturas ligadas à pauta da deficiência nas Eleições Inclusivas 2026 – https://diariopcd.com.br/exclusivo-diario-pcd-atualiza-levantamento-e-identifica-126-candidaturas-ligadas-a-pauta-da-deficiencia-nas-eleicoes-inclusivas-2026/
Um alerta sobre participação política e deficiência
O episódio também acontece em um cenário de crescimento do eleitorado com deficiência e de discussão sobre a participação desse segmento na política brasileira.
A questão vai além da quantidade de pessoas com deficiência que votam. Envolve também quantas conseguem chegar às urnas como candidatas, quais estruturas recebem, quais barreiras enfrentam e quais condições encontram para desenvolver uma campanha eleitoral.
É nesse ponto que a declaração de Ivan e Andrea ganham relevância para o debate público.
Ao afirmar que disputar uma eleição sendo pessoa com deficiência “não é apenas colocar o nome à disposição”, o ativista coloca em evidência uma questão que ultrapassa sua candidatura individual: a participação política também depende de condições concretas para que a disputa aconteça.
“A acessibilidade deve ser compreendida como um requisito estrutural para assegurar a participação com autonomia e dignidade, e não como uma concessão secundária”, afirmou Andrea.





