OPINIÃO
- * Por Wolf Kos
A chegada da Copa do Mundo costuma transformar ruas, casas, clubes e até locais públicos em verdadeiras arquibancadas improvisadas. Muitas pessoas aglomeradas, buzinas, gritos e fogos de artifícios já fazem parte da tradição que mobiliza milhões de brasileiros. No entanto, para muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), toda essa atmosfera pode representar um grande desafio sensorial, fazendo com que se excluam de momentos prazerosos.
A hipersensibilidade a sons, luzes intensas e aglomerações é uma característica comum em muitas pessoas com autismo. Durante os jogos, especialmente em momentos de comemoração, o excesso de estímulos pode provocar ansiedade, medo, irritabilidade, crises de choro e intenso desconforto emocional.
Por isso, falar sobre inclusão durante a Copa também significa compreender que pessoas com autismo têm o direito de participar da torcida, vibrar com os jogos e compartilhar esses momentos com familiares e amigos. A diferença está na forma como a experiência é construída, respeitando suas necessidades e limites.
Especialistas destacam que a previsibilidade é uma das principais ferramentas para reduzir a sobrecarga sensorial. Explicar, antecipadamente, quando ocorrerão os jogos, como as pessoas costumam comemorar e quais sons podem ser ouvidos, ajuda a preparar a pessoa com autismo para a situação. O uso de recursos visuais, vídeos e imagens sobre partidas anteriores também pode contribuir para essa familiarização gradual.
Outros recursos que podem ajudar na ambientação e fazer com que a pessoa se sinta mais segura é a utilização de fones com redução de ruído, abafadores auditivos e até a disponibilização por parte dos estabelecimentos de locais mais tranquilos onde a pessoa possa ficar. Em reuniões familiares ou eventos maiores, é recomendável reservar um ambiente silencioso para pausas, caso haja necessidade.
Mais do que adaptar espaços, a inclusão depende da conscientização coletiva e da autonomia da pessoa com TEA. Gestos simples, como compreender a necessidade de um abafador, evitar brincadeiras invasivas, respeitar momentos de pausa e regulamentar o uso de fogos de artifício, contribuem para que todos possam vivenciar a Copa do Mundo de forma positiva.
O futebol tem o poder de unir pessoas, criar memórias afetivas e fortalecer vínculos. Garantir que crianças, jovens e adultos com autismo possam participar desse momento com conforto e segurança é uma demonstração de respeito à diversidade. Afinal, uma torcida verdadeiramente inclusiva é aquela em que todos têm espaço para comemorar, cada um à sua maneira.

*Wolf Kos – Presidente do Instituto Olga Kos
Sobre o Instituto Olga Kos
Fundado há 19 anos, o Instituto Olga Kos de Inclusão é uma organização sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desenvolve projetos artísticos, esportivos e científicos para atender, crianças, jovens, adultos e idosos com deficiência e abre espaço para pessoas em situação de vulnerabilidade social, proporcionando trocas de experiências e inclusão. Ao traçar sua rota, o OLGA acompanha a trajetória do beneficiário e sua evolução durante a realização das oficinas, adaptando e melhorando as metodologias por intermédio de pesquisas e instrumentos inéditos, como o Indicador de Desenvolvimento Olga Kos (Idok) e o Índice Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência Olga Kos (Iniok_pcd).
Crédito/Imagem: Léo Martins





