Celebrado em 22 de setembro, o Dia Nacional do Atleta Paralímpico é uma oportunidade para reconhecer as trajetórias de quem encontrou no esporte um caminho de desafios, conquistas e transformação de vida. Mas, para alguns dos atletas que hoje representam o Brasil em grandes competições, essa história começou diante das telas ou nas arquibancadas dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, quando acompanhar os grandes nomes do esporte paralímpico despertou o desejo de, um dia, estar entre eles.
Dez anos depois, aquele sonho ganhou novas formas e chegou às pistas, piscinas, quadras e arenas. Nesta data, o convite é para conhecer histórias de atletas que tiveram os Jogos Rio 2016 como inspiração para iniciar suas trajetórias no esporte paralímpico e que, anos mais tarde, passaram a compartilhar as mesmas competições com alguns dos ídolos que um dia admiraram.
Foi assim com a halterofilista carioca Tayana Medeiros. Na época, ela ainda competia no atletismo e acompanhou as provas no Estádio Olímpico Nilton Santos. Entre os atletas que acompanhou de perto estava a paulista Verônica Hipólito, medalhista nos Jogos. A conquista despertou em Tayana o desejo de viver aquela experiência.
“Foi mágico ver ela ganhar a medalha. Eu chorei e foi ali que decidi que queria viver aquilo. Queria aquela experiência para mim também”, contou Tayana.
Ela também acompanhou as provas do paulista Thiago Paulino e saiu do estádio determinada a mudar sua trajetória.
“Eu falei: ‘Cara, eu quero mudar minha vida, quero virar atleta e ser atleta igual a eles’. Foi quando dei um start e decidi realmente viver para o esporte”, afirmou.
A mudança veio alguns anos depois. Tayana deixou o atletismo e migrou para o halterofilismo, modalidade em que alcançou o topo do pódio. Oito anos após assistir aos Jogos no Rio, conquistou o ouro na categoria até 86 kg nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Em 2025, foi medalhista de prata na mesma categoria no Mundial de Cairo, no Egito.
Para ela, a influência do Rio 2016 ultrapassou sua própria trajetória e alcançou também o desenvolvimento do esporte paralímpico no país.
“Eu acho que o Rio 2016 impactou o esporte paralímpico como um marco, tanto para atletas que já vivenciavam o esporte quanto para quem não vivenciava, que era o meu caso. Acho que abriu portas para muita gente”, disse.
Se Tayana decidiu começar a viver para o esporte depois de assistir às competições, o mineiro Gabriel Araújo já havia dado os primeiros passos como atleta quando chegou o Rio 2016. Aos 14 anos, ele acompanhou as provas do nadador paulista Daniel Dias, maior medalhista paralímpico do Brasil. Naquele momento, fez uma promessa para si mesmo.
“Quando assisti à prova dele, disse para mim mesmo que um dia também estaria nos Jogos Paralímpicos”, lembrou Gabriel.
A promessa se tornou realidade em Tóquio 2020. Na estreia paralímpica, Gabriel conquistou três medalhas: ouro nos 200m livre e nos 50m costas e prata nos 100m costas. Quatro anos depois, em Paris 2024, ampliou a coleção com três ouros: nos 100m costas, 200m livre e 50m costas.
A inspiração que recebeu no Rio também mudou de sentido ao longo dos anos. Se, em 2016, Gabriel era um menino que acompanhava seus ídolos, hoje ele ocupa o lugar de referência para uma nova geração.
“Você vê as competições de longe, mas, se tem alguma inspiração, trabalha para também ser inspiração para outras pessoas. E quem ganha com isso não é só o Brasil, é o esporte paralímpico. Hoje temos um Gabrielzinho, mas quero que daqui a 10, 15 anos, tenham milhares de ‘Gabrielzinhos’ espalhados por aí”, finalizou.
Aos nove anos, a baiana Bárbara Brito ainda não entendia o que representava uma edição dos Jogos Paralímpicos quando esteve no Rio em 2016. A viagem foi organizada pela mãe, que queria proporcionar à filha o contato com o esporte paralímpico. Mas Bárbara tinha uma motivação especial para acompanhar as competições: conhecer a nadadora fluminense Camille Rodrigues, que já admirava antes mesmo de começar a nadar.
Depois de ser submetida a uma amputação da perna direita, Bárbara havia recebido a recomendação médica de praticar natação como parte da reabilitação. Ao descobrir que Camille também era nadadora e estaria no Rio, ficou determinada a encontrá-la.
“Eu, criança, não tinha dimensão do que eram os Jogos Paralímpicos, mas minha mãe sim, e resolveu me levar para ter esse contato. Assim que fiz minha amputação, eu assistia aos vídeos da Camille dançando com a prótese e achava o máximo. Quando descobri que ela também nadava, fiquei entusiasmada para conhecê-la”, contou.
A oportunidade apareceu durante o revezamento 4x100m livre feminino. Bárbara conseguiu entrar na piscina de aquecimento e encontrou Camille, além de outros atletas. Na ocasião, recebeu da nadadora a touca usada na prova e ouviu que, um dia, poderia estar ao lado dela representando o Brasil.
“Eu mal sabia nadar, fazia aula de natação e estava aprendendo. Quando me encontrei com a Camille, ela me deu a touca que usou na prova e disse que queria me ver ao lado dela e, quem sabe, um dia, representar o Brasil assim como ela”, lembrou.
O encontro transformou uma lembrança em objetivo. Anos depois, Bárbara integra a Seleção Brasileira de jovens da natação e ainda carrega o sonho de chegar aos Jogos Paralímpicos.
“Com certeza isso me deu ainda mais gás e empolgação para ser alguém no esporte também. Através disso, hoje o meu sonho também é participar de um Jogos”, afirmou.
A relação entre o Rio 2016 e uma nova geração de atletas também aparece no judô. Aos 13 anos, o gaúcho Marcelo Casanova já praticava a modalidade convencional quando acompanhou o evento. Além de conhecer esportes como goalball, futebol de cegos e bocha, ele descobriu no judô paralímpico uma possibilidade para o futuro.
“Eu achava muito legal e era diferente do convencional. Ali comecei a entender um pouco mais as regras para, futuramente, fazer essa migração para o judô paralímpico”, explicou.
Naquela edição, Marcelo também acompanhou atletas que, anos mais tarde, seriam seus colegas de Seleção Brasileira, como o paraibano Wilians Araújo e os paulistas Antônio Tenório e Lúcia Teixeira.
“Na época, eles eram os ídolos. Hoje eu treino junto com eles. Quando entrei para a Seleção Brasileira, foi muito especial, porque era o pessoal que eu acompanhava na TV ganhando medalha, e depois passei a treinar e ser amigo deles”, relatou.
A trajetória iniciada naquele período o levou até Paris 2024, onde conquistou a medalha de bronze na categoria até 90 kg. Para Marcelo, porém, o impacto do Rio 2016 não esteve apenas nos atletas. A experiência de acompanhar os Jogos em casa também mostrou a força que uma grande competição pode ter quando aproxima o esporte do público.
“O pessoal competindo com a família, com os amigos, com a torcida do Brasil, fazendo uma festa quando os atletas brasileiros entravam para competir. Isso incentiva muito a gente, porque sempre nos imaginamos competindo com os nossos torcendo”, afirmou.
Dez anos depois, o impacto daquela edição também é percebido nos pódios conquistados por atletas que um dia estiveram nas arquibancadas ou diante de rádios e televisões. Para Marcelo, a realização dos Jogos Paralímpicos no Brasil contribuiu para ampliar o contato do público com as modalidades e com os próprios atletas.
“Quando é uma competição dessa magnitude no nosso país, muito mais pessoas são impactadas, acabam conhecendo e assistindo. Nesse sentido, foi muito importante para a valorização do esporte paralímpico e para o conhecimento do público geral”, avaliou.
Entre quem decidiu mudar de vida depois de acompanhar as competições, quem transformou uma promessa de infância em títulos paralímpicos, quem encontrou um ídolo e passou a sonhar em seguir seus passos e quem viu nos Jogos uma nova possibilidade dentro do próprio esporte, o Rio 2016 deixou marcas diferentes. Em comum, ficou a inspiração de uma geração que cresceu assistindo aos atletas brasileiros e que, dez anos depois, passou a ocupar o mesmo palco.
Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, e a Asics e a Braskem são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais da goalball, futebol de cegos, bocha, halterofilismo, natação e judô.
Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
Os atletas Gabriel Araújo, Tayana Medeiros, Marcelo Casanova, Verônica Hipólito e Wilians Araújo são integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual das Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.
Time São Paulo
As atletas Lucia Teixeira e Verônica Hipólito integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 156 atletas.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
CRÉDITO/IMAGEM: Tayana Medeiros com a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos Paris 2024 | Foto: Ana Patrícia Almeida/CPB




