24 de junho – Dia Mundial de Prevenção de Quedas chama atenção para um dos efeitos mais silenciosos do Parkinson: perder o equilíbrio antes mesmo da primeira queda
Nesta quarta-feira, quando o Dia Mundial de Prevenção de Quedas coloca em evidência os impactos físicos e emocionais dos acidentes por perda de equilíbrio, especialistas alertam para um problema ainda pouco discutido: no Parkinson, muitas vezes o risco começa antes da primeira queda acontecer.
Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, a doença de Parkinson provoca alterações progressivas que afetam o controle postural, o equilíbrio e a mobilidade. O impacto vai além do aspecto físico: o medo de cair pode levar ao isolamento social, redução das atividades cotidianas e perda gradual da autonomia. Dados acompanhados pela Associação Brasil Parkinson indicam que cerca de 60% das pessoas com Parkinson sofrem quedas e dois terços apresentam episódios recorrentes, aumentando o risco de fraturas, hospitalizações e dependência.
É justamente para antecipar esse processo que a fisioterapeuta Dra. Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP) e doutoranda pela Faculdade de Medicina da USP, conduz uma pesquisa que acompanhará 270 pessoas com Parkinson até 2028. O estudo busca identificar quais fatores motores e cognitivos conseguem prever quais pacientes terão piora mais acelerada do equilíbrio — abrindo caminho para uma abordagem mais preventiva e personalizada no tratamento, antes que ocorram quedas e suas consequências.
A proposta da pesquisa também ajuda a ampliar o entendimento sobre a doença: Parkinson não é apenas tremor. Alterações do sono, depressão, constipação intestinal, dificuldades cognitivas e mudanças no controle postural podem surgir anos antes do diagnóstico e interferir diretamente na qualidade de vida. No Dia da Queda, o alerta é claro: identificar precocemente quem está perdendo equilíbrio pode significar preservar autonomia, reduzir internações e mudar a trajetória da doença para milhares de famílias.





