Especialista da Laramara traz reflexões sobre como promover mais acolhimento, qualidade de vida e saúde mental para pessoas com deficiência visual
Quando se pensa em inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência visual, normalmente pensamos em pisos táteis, semáforos sonoros, braille, ampliação e contraste de placas, leitores de tela em celulares, bengalas e cães guias. Embora esses recursos sejam imprescindíveis para garantir autonomia, conforto e segurança, a inclusão de pessoas cegas ou com baixa visão envolve muitos outros desafios.
“Existe uma visão equivocada de que a acessibilidade está relacionada apenas à estrutura física, quando, na verdade, ela também envolve a forma como as pessoas se relacionam. A ausência de comunicação acessível e de atitudes inclusivas faz com que pessoas cegas ou com baixa visão se sintam deslocadas, ignoradas ou incapazes de participar ativamente de situações sociais simples”, explica Danilo Namo, psicólogo da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual.
Essas experiências podem refletir diretamente na saúde mental. Fatores como solidão, redução das interações sociais e exclusão em ambientes educacionais, profissionais e de lazer impactam o bem-estar emocional e reforçam a importância de uma rede de apoio acessível e acolhedora. No entanto, o acesso a atendimentos em saúde mental e acompanhamentos multiprofissionais ainda encontra obstáculos, seja pela falta de recursos acessíveis, seja pelo despreparo de alguns profissionais para atender pessoas com deficiência visual.
“Hoje, há uma compreensão mais ampla sobre saúde mental e deficiência, considerando não apenas aspectos individuais, mas também fatores como relações sociais, contexto em que a pessoa está inserida, acessibilidade e acesso a oportunidades, que influenciam diretamente no bem-estar emocional”, afirma Namo.
A superproteção é outro ponto muito importante. Muitas pessoas com deficiência visual ainda enfrentam situações em que terceiros tomam as decisões por elas ou limitam sua independência. Incentivar a autonomia em deslocamentos, atividades do dia a dia, trabalho e nas decisões da própria vida, fortalece a autoconfiança e a autoestima.
Comportamentos capacitistas ainda são comuns, como falar apenas com acompanhantes, ignorar a pessoa durante a conversa, deixar de descrever ambientes ou utilizar vocabulário infantilizado.
Garantir acessibilidade e saúde mental significa assegurar que pessoas com deficiência visual tenham autonomia, acolhimento e condições reais de exercer plenamente sua cidadania. “Inclusão não acontece apenas por meio de adaptações físicas, mas também pelo reconhecimento da autonomia, da participação e da individualidade dessas pessoas.”, conclui o psicólogo da Laramara.
Sobre a Laramara:
Fundada em 1991 pelo casal Mara e Victor Siaulys, a Laramara é referência nacional no atendimento a pessoas cegas e com baixa visão, contribuindo de forma pioneira na promoção da autonomia, educação, formação profissional, cultura e convivência inclusiva. Ao lado de parceiros e apoiadores, a associação desenvolve programas inovadores que impactam milhares de famílias em todo o país.





